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Moro critica Lula por não indicar uma mulher ao STF, mas afaga Dino e Botafogo vira anedota

Durante sabatina no Senado, ex-juiz da Lava Jato, hoje senador pelo União, fez dois apelos a Flávio Dino: que deixe as redes sociais e desista de representações por supostos crimes contra a honra atribuídos a parlamentares da oposição

Foto do author Pepita Ortega
Foto do author Rayssa Motta
Por Pepita Ortega e Rayssa Motta
Atualização:
O ministro Flávio Dino e o senador Sergio Moro durante sabatina no Senado. Foto: Pedro Franca/Agencia Senado

Flávio Dino e Sérgio Moro, que foram colegas de profissão, ambos ex-juízes federais, garantiram uma atmosfera mais amena à sabatina desta quarta, 12, no Senado, do ministro da Justiça de Lula que almeja cadeira no Supremo Tribunal Federal. Durante a sessão na Comissão de Constituição e Justiça, os dois até fizeram anedotas, especialmente sobre o Botafogo, time de Dino, e sobre o voto de Moro. Os dois se divertiram, quebrando o clima de alguma tensão criado por senadores bolsonaristas que tentaram emparedar Dino na arguição.

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Além da toga, Dino e Moro têm outra passagem profissional em comum - eles compartilham as experiências de ministros da Justiça (Moro exerceu tal cargo no governo Jair Bolsonaro).

Curiosamente, Moro já sonhou com a vaga no STF que, agora, poderá ser ocupada por Dino. Por esses ingredientes havia quem sustentasse a expectativa de um embate belicoso entre os dois. Nada disso.

Em 2018, quando deixou a magistratura federal no Paraná, onde ganhou fama na condução da polêmica Operação Lava Jato, Moro, hoje senador pelo União Brasil, assumiu o Ministério da Justiça de Bolsonaro com planos de, mais tarde, chegar ao Supremo. Acabou rompendo com o então presidente e o STF é página virada.

Durante a sabatina, Moro fez questionamentos a Dino sobre segurança pública e temas em pauta no STF, como a execução imediata de penas para crimes julgados pelo tribunal do júri e a lei das estatais.

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O senador criticou a indicação feita pelo presidente Lula à Corte máxima apontando para a redução do número de mulheres no colegiado - se escolhido, Dino ocupará a cadeira que foi de Rosa Weber e o STF ficará apenas com uma ministra, Cármen Lúcia.

Em meio às indagações, o senador fez dois apelos a Dino, para que deixe as redes sociais e desista de representações por supostos crimes contra a honra atribuídos a parlamentares da oposição.

Quando respondeu a Moro sobre a manutenção de seu perfil no X, mesmo após uma eventual nomeação para a Corte máxima, Dino ressaltou o ‘sacrifício’ que fará em relação à sua vida política. “Gosto muito da atividade política, eu a vivo intensamente há 17 anos, mas, em merecendo a aprovação, deixo a vida política em todas as dimensões, inclusive nas redes.”

Quando fazia essa declaração, mencionando a eventual aprovação da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Dino olhou de relance para o painel que mostra quais senadores já se manifestaram. Interrompeu sua manifestação e se dirigiu ao ex-juiz da Lava Jato. “Vejo agora que o senador Moro ainda não votou, o que me encheu de esperança.”

A tirada de Dino arrancou risadas na CCJ. Ele retomou o raciocínio e disse considerar incompatível a discussão de temas políticos, por parte de um ministro do STF, no antigo Twitter.

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Dino afirmou acreditar que temas jurídicos são compatíveis com as redes. Uma vez mais recorreu ao seu time do coração. “Preciso de um lugar pra falar do Botafogo.”

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O time da estrela solitária, que amargou um quinto lugar no campeonato brasileiro de futebol em 2023, provocando dissabores a seus apaixonados, foi o gancho para Moro retribuir o gracejo. O senador insistiu que seria um ‘gesto grande de generosidade’ Dino desistir da representação contra parlamentares da oposição. Ponderou que colegas que o antecederam na arguição ‘talvez tenham se excedido’, mas deu ênfase para a imunidade parlamentar.

Moro elogiou Dino e sua apresentação à CCJ. “Muito ponderado.” Depois, sugeriu que fossem entregues ao ministro da Justiça as notas taquigráficas da sessão para que o sabatinado não esqueça de suas indicações.

Segundo o senador, um eventual gesto de Dino, como solicitado, seria uma ‘sinalização ao Parlamento’. “O País precisa de uma conciliação”, defendeu Moro, que não perdeu a oportunidade e emendou com certa mordacidade. “A própria votação não pode ser vista como um jogo de Fla Flu. O Botafogo não vou considerar, ministro, desculpe.”

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