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Opinião|Utilidade pública

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Resolvi usar este espaço, que me tem sido gentilmente cedido pelo Estadão, para tratar de um assunto muito sério. Fiquei impactado com a recente notícia sobre uma criança de dois anos esquecida pelo motorista dentro da condução escolar em São Pulo. Infelizmente, depois de mais de 4 horas trancada no veículo sob um calor escaldante, a criança não resistiu. O incrível é que, geralmente, são os próprios pais que esquecem os seus filhos. Segundo o neurocientista americano David Diamond, que estuda este fenômeno há muitos anos, na grande maioria dos casos não existe evidências de que os pais são negligentes, estão sob o efeito de drogas ou álcool ou mesmo tenham alguma disfunção cognitiva.

Fernando Goldsztein Foto: Marcos Nagelstein/Estadão

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Segundo Diamond, em geral estas situações decorrem de uma confusão entre dois tipos de memória, a Prospectiva e a Habitual. A Prospectiva é a memória do que ainda vai acontecer, ou seja, compromissos agendados para o futuro tal qual uma consulta médica, um pagamento ou uma reunião de trabalho. Já a memória Habitual, por contraste, refere-se as coisas que estão acontecendo no presente. São coisas que fazemos no dia a dia praticamente sem pensar, como dirigir de casa até o trabalho. Chamamos esta memória popularmente de “piloto automático”. O simples fato de deixar a sacola da criança no banco do carona, bem à vista do motorista, pode previnir que os pais sejam traídos por estes lapsos/confusões de memória.

Agora, o que realmente me tira o sono são os afogamentos, especialmente de crianças pequenas. Segundo o CDC (Center of Disease and Control) ocorrerm cerca de 4.000 mortes anualmente por afogamento nos Estados Unidos. E, na sua maioria as vítimas são crianças de 1 a 4 anos que se afogam nas piscinas ou spas das suas próprias casas. O afogamento é a causa número um de mortes nesta faixa etária. Portanto, este fenômeno é muito mais frequente do que se pode imaginar. Trata-se de uma tragédia sob todos os aspectos. Não somente para a criança que perde a vida, mas para as famílias que ficam destroçadas pela perda, bem como pelo sentimento de culpa.

Ainda segundo o CDC, os cercadinhos bem feitos e que circundam todo o perímetro de água, entre outras medidas preventivas, são absolutamente fundamentais. Isso porque, muitas vezes, este tipo de acidente acontece sem que a família esteja desfrutando da piscina. A tragédia ocorre de forma rápida e silenciosa sem que o adulto responsável sequer perceba o que está ocorrendo.

Portanto, chegando o verão todo o cuidado é pouco. Piscina e criança é com certeza a garantia de divertimento e alegria, mas também é assunto que tem que ser levado muito a sério!

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*Fernando Goldsztein, empresário e fundador do The Medulloblastoma Initiative

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