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O outro lado da notícia

No caso Janaína Paschoal, alunos da USP praticam intolerância disfarçada de defesa da democracia

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Por José Fucs
Atualização:
 Foto: Marcelo Chello/Estadão

O abaixo-assinado promovido por alunos da Faculdade de Direito da USP contra a volta da deputada estadual Janaína Paschoal (PRTB) às salas de aula da instituição revela muito sobre a intolerância que prospera hoje no País disfarçada de defesa da democracia.

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Ao querer impedir o retorno de Janaína à escola, da qual ela é professora licenciada, os estudantes que controlam o Centro Acadêmico XI de Agosto, que lançou o documento, mostram que a tal da democracia, em nome da qual dizem agir, só vale para quem reza pela mesma cartilha política que eles.

Talvez o grande templo da liberdade no País desde a sua fundação, em 1827, ainda nos tempos do Império, a faculdade do Largo de São Francisco, no centro de São Paulo, sempre foi um exemplo emblemático da diversidade de pensamento existente na sociedade brasileira. De monarquistas a comunistas, de liberais a anarquistas, cabia de tudo nas Arcadas, tanto entre os alunos quanto entre os mestres. Ainda que, algumas vezes, a convivência tenha sido conflituosa, havia respeito, de um jeito ou de outro, às diferenças e às divergências.

Agora, em vez de honrar a tradição de defesa da liberdade política e de expressão da São Francisco, os estudantes mais mobilizados do XI de Agosto e seus apoiadores preferem manchá-la, ao relativizar o conceito de democracia e perseguir seus desafetos, como Janaína Paschoal, sob a alegação de que ela apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, avalizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), não aderiu ao "manifesto pela democracia" lido na faculdade durante a campanha de 2022, como se isso fosse uma obrigação de todo democrata, e tem "divergências mínimas com os movimentos de extrema direita", seja lá o que isso signifique.

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