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Cantor gospel que convocou para atos golpistas confessa fuga para Paraguai e chora prisão de aliado

Salomão Vieira, influenciador bolsonarista com mais de 300 mil seguidores, saiu do Brasil logo após participar dos manifestos com vandalismo no dia 8 de janeiro, em Brasília; youtuber foi preso no país sulamericano por determinação de Alexandre de Moraes

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Foto do author Levy Teles
Por Levy Teles
Atualização:

BRASÍLIA — O cantor gospel Salomão Vieira, um dos mobilizadores dos atos golpistas do dia 8 de janeiro, admitiu estar foragido no Paraguai em vídeo no Instagram. O conteúdo foi gravado como tentativa mobilizar apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a impedir a prisão de um humorista bolsonarista preso no país. “Neste momento a polícia do Paraguai prendeu Bismark. Nós conseguimos fugir, estamos só a roupa do corpo”, afirmou Salomão. Com os olhos lacrimejando, ele afirmou que estava com Bismark Fugazza, um humorista e influenciador bolsonarista. “A gente está desesperado. Nós não somos criminosos, muito menos ele”, disse.

Salomão tem um perfil do Instagram com mais de 300 mil seguidores e instruiu bolsonaristas aglomerados no Quartel-General do Exército, em Brasília, sobre como proceder ao longo do dia 8 de janeiro, quando vândalos invadiram o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Palácio do Planalto. “Nosso ponto de encontro é no QG. Lá vamos conversar com vocês, passar estratégias corretíssimas”, disse horas antes. O Estadão identificou ele como um dos 88 golpistas que premeditaram os atos vândalos no STF, no Congresso e no Palácio do Planalto. Ele foi um dos incentivadores das invasões por meio de diversas lives, transmitiu os atos golpistas direto da Esplanada e fugiu para os Estados Unidos poucas horas depois.

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O humorista bolsonarista Bismark Fugazza, dono do canal Hipócritas, do YouTube, foi preso nesta sexta-feira, 17. Ele era considerado foragido no Paraguai após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a sua prisão e a do jornalista Oswaldo Eustáquio em dezembro do ano passado — motivada pelo inquérito dos atos antidemocráticos — e não ser encontrado pela Polícia Federal. Ele também era investigado e teve a prisão determinada no âmbito da operação Lesa Pátria, que apura os envolvimentos nos atos golpistas 8 de janeiro.

De acordo com a PF, a prisão teve a cooperação de agentes públicos do Paraguai, que o localizaram e conduziram até a fronteira com o Brasil, onde ele foi apresentado às autoridades brasileiras em Foz do Iguaçu (PR), onde será ouvido.

Numa audiência do Senado em novembro de 2022, Bismark fez ataques ao STF e disse que Luiz Inácio Lula da Silva não seria empossado presidente. “Não vamos retroceder, a tirania do Judiciário do Brasil está com dias contados, e o ladrão não sobe a rampa”, disse o humorista. Ele foi aplaudido por congressistas bolsonaristas. A prisão foi lamentada por outros influenciadores.

Eustáquio, que não foi detido, compartilhou em seu perfil do Instagram um e-mail enviado por Fugazza para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados do Paraguai. “SOS”, escreveu.

O influencer bolsonarista disse que ele estava tentando pedir asilo político no país sulamericano.

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Outros membros do canal Hipócritas, do qual Bismark fazia parte, fizeram um apelo a políticos brasileiros e paraguaios para impedir a prisão. O ex-presidente da Fundação Palmares Sérgio Camargo compartilhou o vídeo.

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