PUBLICIDADE

EXCLUSIVO PARA ASSINANTES
Foto do(a) coluna

Coluna do Estadão

| Por Roseann Kennedy

Roseann Kennedy traz os bastidores da política e da economia, com Eduardo Gayer e Augusto Tenório

Governo Lula se propõe a ‘acalmar ânimos’ entre China, EUA e Europa na reunião do G-20

Secretária do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e representante do Itamaraty participam de reunião do grupo nesta quinta-feira, em Brasília

PUBLICIDADE

Foto do author Roseann Kennedy
Foto do author Augusto Tenório
Por Roseann Kennedy e Augusto Tenório
Atualização:

O governo Lula tenta se colocar como mediador no impasse sobre barreiras comerciais entre países do G-20. Na reunião do grupo desta quinta-feira, 25, em Brasília, a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, e o Diretor do Departamento e Política Comercial do Itamaraty, Fernando Pimentel, tentarão acalmar os ânimos no imbróglio, que envolve a Europa, os Estados Unidos e dois parceiros do Brasil no Brics, a China e a Índia.

PUBLICIDADE

Atualmente, há um impasse entre um grupo de países que reclama de medidas adotadas pelos europeus sob o argumento ambiental e o grupo que defende a necessidade das medidas restritivas. A França, por exemplo, resiste a um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul sob o pretexto ambiental, mas foca em proteger seu agronegócio de uma competição com o setor brasileiro. A conversa, avaliam representantes do governo Lula, é difícil, mas necessária.

Como princípios gerais, o Brasil vai defender que ações para a sustentabilidade sejam transparentes, envolvam consultas ao setor privado, baseadas em ciência, não sejam mais restritivas do que o necessário e nem discriminatórias. Na visão do governo brasileiro, por exemplo, a taxa de carbono da fronteira da União Europeia não atenderia a esses princípios. Mas Tatiana ressalta que a expectativa brasileira não é derrubar a taxa europeia, mas balizar as decisões futuras dos países.

Em entrevista recente à Coluna do Estadão, Tatiana afirmou que “a agenda da sustentabilidade é uma prioridade para o governo brasileiro. Mas muitos países a usam para, na verdade, promover os seus interesses protecionistas”. Ela também afirma que o objetivo é “viabilizar um entendimento sobre parâmetros em medidas que afetam o comércio. Essa é a agenda mais ambiciosa, mas é ao mesmo tempo onde nós entendemos haver maior potencial, maior contribuição, maior impacto”, acrescenta.

O ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, vice-presidente Geraldo Alckmin, ordenou que a pasta trabalhe para promover a economia de baixo carbono, ao mesmo tempo em que atua para combater o chamado protecionismo verde.

Publicidade

O encontro do G-20

A agenda de reuniões do Grupo de Trabalho de Comércio e Investimento do G-20 começou nessa quarta-feira, 24, para discutir desenvolvimento sustentável e sua relação com o comércio e acordos de investimentos. Também haverá debate sobre a reforma da Organização Mundial do Comércio, a presença das mulheres e comércio internacional o fortalecimento do Sistema Multilateral de Comércio.

Os países também aproveitam a agenda para reuniões bilaterais. Foram oito esta semana e mais três estão previstas para hoje. Participam: Estados Unidos, China, India, União Europeia, Reino Unido e países latinos.

A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Tatiana Prazeres. Foto: Renato Araújo/Agência Brasil
Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.