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Um olhar crítico no poder e nos poderosos

Opinião|Nas pesquisas, Lula é favorito. Nos debates, Simone Tebet e Soraya Thronicke são vencedoras

As duas são candidatas a sair muito maiores da eleição do que entraram, diferentemente de Ciro Gomes

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Foto do author Eliane Cantanhêde
Atualização:

Mais uma vez, as candidatas Simone Tebet e Soraya Thronicke marcaram boa presença e foram firmes, em geral contundentes, no debate deste sábado promovido pelo consórcio que o Estadão integrou. O ex-presidente Lula fez o papelão de não comparecer, o presidente Jair Bolsonaro foi mais do mesmo, Ciro Gomes atirou a torto e a direito, Luiz Felipe d’Avila foi coadjuvante e o tal Padre Kelmon mostrou a que veio: ser linha auxiliar de Bolsonaro.

A conclusão desse resumo é que Bolsonaro parecia até seguro, mais à vontade do que em debates anteriores, mas não brilhou, como não brilharia, e nem ao menos se destacou, como precisava desesperadamente. Logo, não ganhou um único voto a mais, não reverteu a tendência das pesquisas nem mesmo anulou o risco de derrota em primeiro turno.

As candidatas Soraya Thronicke e Simone Tebet chamaram a atenção no debate, enquanto Lula, o líder das pesquisas, não marcou presença e ficou com seu púlpito vazio. Foto: Alex Silva/Estadão

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Mesmo ausente, ou principalmente por estar ausente, Lula foi alvo do início ao fim no seu telhado de vidro: corrupção, a pedra atirada contra o favorito por todos os demais, Tebet, Ciro, Thronicke, d’Avila e, claro, Bolsonaro com o padre… como é mesmo o nome dele? Aliás, o Cabo Daciolo, de 2018, era mais interessante.

Juntos, Bolsonaro e Lula atraíram chuvas e trovoadas, mas o presidente estava ali, para se defender e atacar, enquanto Lula preferiu um comício bem distante de um embate que diz respeito ao País e é do interesse do eleitor. “Um candidato fugiu da entrevista de emprego, é uma covardia, coisa de quem não gosta de trabalhar”, atacou Thronicke.

Além de corrupção, os candidatos falaram de economia, fome e pobreza, atacaram o Judiciário, tergiversaram sobre aborto, confundiram ao jogar o tema feminismo na mesa e constrangeram as duas mulheres com o orçamento secreto. Nisso tudo, Padre Kelmon estava ali mais para confundir do que para esclarecer.

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Elas reagiram usando um tom contundente. “Não cutuque onça com essa sua vara curta”, rebateu Thronicke para Bolsonaro, em quem votou em 2018, fazendo uma provocação ao presidente: “quem é que tirou dinheiro da farmácia popular e manteve compra de Viagra para seus amigos?” Tebet também atacou: ‘’O orçamento secreto é corrupção do governo federal, para comprar voto da reeleição e tirar dinheiro da saúde e da educação”.

É assim que as duas mulheres da linha de frente da disputa vão conquistando, senão votos, conhecimento, curiosidade e respeito. São candidatas a sair muito maiores da eleição do que entraram, diferentemente de Ciro, que também não tem chances de vitória e perde muito do que tinha e não ganha o que não tinha.

Opinião por Eliane Cantanhêde

Comentarista da Rádio Eldorado, Rádio Jornal (PE) e do telejornal GloboNews em Pauta

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