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Erika Hilton dá dicas culturais: produção de KondZilla, álbum de Beyoncé e Carolina Maria de Jesus

Deputada sugere livro, músicas e série que contam sobre a vida da juventude negra nas periferias

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Foto do author Isabella Alonso Panho
Por Isabella Alonso Panho

A presença da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) nos corredores da Câmara dos Deputados é inédita: ela é a primeira deputada federal negra e trans eleita na história do Brasil. Pedagoga de formação, Erika tem 31 anos e foi vereadora da capital paulista antes de se eleger para o cargo em Brasília.

As indicações de série, livro e música feitas por ela ao Estadão falam sobre a vida da juventude negra, o cotidiano das periferias e a conquista de reconhecimento por mulheres pretas.

A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) durante a CPMI do 8 Janeiro Foto: WILTON JUNIOR

Uma série

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Uma das séries nacionais de maior audiência da Netflix, Sintonia, é a escolha de Erika Hilton. Idealizada pelo produtor KondZilla, dono do maior canal de funk do Brasil e empresário dos maiores músicos do segmento, a série conta os caminhos traçados pelos jovens Rita, Nando e Doni, que cresceram juntos na periferia de São Paulo.

As histórias dos três são atravessadas pelo universo do funk, pela influência da igreja nas comunidades e pelo tráfico de drogas.

Série Sintonia tem quatro temporadas disponíveis na Netflix Foto: Netflix/Divulgação

Um livro

A indicação de leitura da deputada é “Quarto de Despejo: diário de uma favelada”, escrito por Carolina Maria de Jesus, catadora de papel e moradora da favela do Canindé, em São Paulo, nos anos 1950. Ela escreveu a obra em cadernos que encontrou no lixo, nos quais contava como era a vida no barraco onde morava. O livro foi descoberto por um jornalista e, quando foi publicado, superou autores consagrados, como Sartre e Jorge Amado, em vendas.

“Quarto de Despejo é meu livro de cabeceira, porque diz muito sobre a minha trajetória. Em alguns momentos, eu me reconheço nas histórias e nas dores de Carolina Maria de Jesus. A inteligência, a delicadeza, a preciosidade da escrita de uma mulher negra, catadora, da favela, é algo que forma as minhas ambições para a sociedade”, diz Erika.

Quarto de Despejo, livro de Carolina Maria de Jesus Foto: Reprodução/Pinterest

O livro já foi traduzido para 14 idiomas. Depois de Quarto de Despejo, Carolina publicou outras obras, como Casa de Alvenaria, Pedaços da Fome e Meu Estranho Diário.

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Como Quarto de Despejo é um diário, dividido por dias, Erika conta que o lê “como se fosse um evangelho”. “Por mais dolorosa, cruel, perversa, atravessada por um racismo desenfreado, que tenha sido a vida de Carolina, é algo que nos impulsiona a lutar por uma sociedade melhor. É um livro inspirador. Quem não leu, precisa ler.”

Carolina Maria de Jesus, catadora de papel e moradora da favela do Canindé, em São Paulo, nos anos 1950 Foto: Estadão

Uma música

A escolha musical da deputada é o último álbum de Beyoncé, Renaissance (renascimento, em português), lançado em junho de 2022, após um hiato de seis anos na carreira da diva pop.

“Beyoncé transcende: a música dela é um ícone de força, luta, garra, beleza e sofisticação. Ter uma mulher negra como uma das maiores artistas do universo musical é algo que é extremamente relevante e importante”, afirma Erika.

A turnê mundial do sétimo álbum de estúdio de Beyoncé se encerra no dia 1º de outubro e chegou a impactar a inflação da Suécia. Erika conta que tem uma relação bastante próxima com as músicas do álbum. “Renaissance me dá coragem para continuar existindo, para me arrumar, para levantar, para acreditar que as coisas podem ser possíveis.”

Ficha técnica:

Série: Sintonia, disponível na Netflix

Livro: Quarto de Despejo, de Maria Carolina de Jesus

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Álbum: Renaissance, de Beyoncé

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