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Ex-diretor da PRF de Bolsonaro é liberado por Moraes para fazer prova da OAB, mas reprova em exame

Silvinei Vasques está preso por suposta interferência no segundo turno das eleições de 2022; ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal não aparece na lista de aprovados na segunda etapa do exame da Ordem

Foto do author Gabriel de Sousa
Por Gabriel de Sousa

BRASÍLIA – O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi liberado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para fazer a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas foi reprovado na segunda fase do exame. Ele está preso na sede da Polícia Federal (PF), em Brasília, desde agosto do ano passado por suposta interferência no segundo turno das eleições de 2022.

Ex-diretor da PRF Silvinei Vasques reprovou na segunda fase do exame da OAB Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Graduado em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, Silvinei buscou ter a carteira de advogado pela OAB do Distrito Federal ao participar do exame da entidade em novembro. O ex-diretor da PRF no governo de Jair Bolsonaro (PL) realizou os exames dentro de uma cela na sede da PF.

No dia 7 de dezembro, Silvinei foi aprovado na primeira fase, que consistia em uma prova de múltipla escolha. Mas ele não conseguiu passar pela segunda etapa do exame, em que os candidatos realizaram uma avaliação discursiva. O nome do ex-diretor da PRF não aparece na lista preliminar dos aprovados, divulgada pela OAB nesta quinta-feira, 15.

Silvinei foi preso por suposta interferência nas eleições de 2022

Em agosto do ano passado, Silvinei foi preso em Florianópolis, no bojo da Operação Constituição Cidadã, da PF, após ordem de Moraes.

De acordo com a PF, Silvinei e outros agentes da PRF supostamente utilizaram a máquina pública para interferir no segundo turno das eleições. Uma das provas coletadas pelos investigadores foi o indício de direcionamento de recursos por parte de membros da corporação para dificultar o trânsito de eleitores nordestinos no dia do pleito.

Em junho do ano passado, ele prestou depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro e negou ter usado o seu cargo para beneficiar Jair Bolsonaro. Tentando blindar o ex-chefe do Executivo, Silvinei disse que a ação da corporação foi mais intensa no Nordeste porque a estrutura da PRF é maior na região. Em outubro, o colegiado, em relatório final, pediu o indiciamento dele.

Às vésperas do segundo turno, o ex-diretor da PRF usou as redes sociais para pedir votos para Bolsonaro. Ele publicou uma foto da bandeira do Brasil e escreveu: “Vote 22, Bolsonaro presidente”.

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Logo após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas, Silvinei se aposentou, aos 47 anos, diante das investigações sobre a atuação dele no comando da PRF durante as eleições.

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