Instituto Não Aceito Corrupção pede afastamento de Juscelino Filho; congressistas também pressionam

Entidade afirma que condutas reveladas pelo Estadão evidenciam desrespeito a princípios constitucionais e exigem o afastamento do ministro das Comunicações.

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Por Vinícius Valfré , Tácio Lorran , Julia Affonso e Daniel Weterman
Atualização:

BRASÍLIA - Os indícios de mau uso dos recursos públicos e as condutas do ministro das Comunicações, Juscelino Filho, ferem princípios constitucionais e motivam seu imediato afastamento cautelar para investigações. A avaliação é do Instituto Não Aceito Corrupção, em nota pública divulgada nesta quinta-feira, 2, após reportagens publicadas pelo Estadão. No Congresso, membros da oposição e até da base do governo também pedem explicações e afastamento do ministro.

Com base na série de revelações feitas pelo jornal, a entidade considera que Juscelino Filho violou o Código de Ética da Administração Pública e cometeu crimes. “Tais comportamentos exigem investigação, pois, tal como descritos, agridem os princípios constitucionais da moralidade, da legalidade, da impessoalidade e da prevalência do interesse público, em violação ao Código de Ética da Administração Pública, à Lei de Improbidade Administrativa e ao Código Penal”, diz a nota.

O ministro das Comunicações utilizou jato da FAB e recebeu diárias do governo para ir a evento de cavalos Foto: Reprodução ABQM

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O Não Aceita Corrupção afirma que o afastamento do ministro das funções é necessário. “Impõe-se, assim, o imediato afastamento cautelar do ministro de suas funções, para completa apuração, preservadas assim a ética e a moralidade administrativas”, complementa o comunicado.

A nota pública da entidade cita o uso de avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e diárias pagas pelo governo ao ministro para que ele fosse a São Paulo se dedicar principalmente a eventos relacionados a cavalos de raça, negócio de sua predileção pessoal. Apesar de ter informado uma viagem de trabalho de 4 dias, as agendas ministeriais se resumiram a duas horas e meia de reuniões em dois dias.

O instituto também cita a reportagem que mostrou que um patrimônio de ao menos R$ 2 milhões em cavalos de raça foi omitido da Justiça Eleitoral e a publicação que revelou que o ministro enviou, quando deputado, R$ 5 milhões do orçamento secreto para pavimentar uma estrada que corta fazenda dele e da família no interior do Maranhão.

Reações

No Congresso, as reações se dão tanto na oposição quanto na base do governo. Deputados do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentaram na Câmara um requerimento de convocação do ministro para que ele esclareça o uso da FAB.

Base do governo de Lula, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) protocolou requerimentos de informações ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e ao próprio ministro das Comunicações para explicarem o voo da FAB e as agendas particulares do político em São Paulo. “O ministro [Juscelino] precisa fazer bom uso da estrutura que lhe é disponível, mas de maneira nenhuma pode servir para objetivos que extrapolem a sua questão profissinal, o papel que ele cumpre”, afirmou a parlamentar.

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Já o deputado Chico Alencar (PSOL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral para ser informado de possíveis crimes eleitorais que Juscelino Filho está respondendo. O Estadão revelou que o ministro das Comunicações omitiu, nas eleições do ano passado, mais de R$ 2 milhões em cavalos de raça. Além disso, Juscelino apresentou dados falsos ao TSE em uma tentativa de comprovar gastos de voos de helicópteros durante a campanha. “É inaceitável que um ministro das Comunicações de um governo que quer ter compromissos ético e republicano não se comunique para explicar as graves denúncias que pesam contra ele. Também não é razoável que esse silêncio permaneça ou que apenas devolver diárias sejam vistos como solução da questão. É preciso mais informações”, afirmou Alencar.

O presidente Lula pressionava o ministro para que ele desse explicações. A situação de Juscelino provocou constrangimento no Palácio do Planalto e Lula chegou a ordenar que os demais ministros não comentem o assunto em público.

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