Ministro omite que verba para oposição era cota de Alcolumbre, diz senador

Humberto Costa rebate declaração de Rogério Marinho, que disse que petista teria sido contemplado com recursos do orçamento secreto

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Por Breno Pires
2 min de leitura

BRASÍLIA - O senador Humberto Costa (PT-PE) rebateu neste domingo, 9, declaração do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, de que foi contemplado com indicação de recursos do orçamento secreto criado pelo presidente Jair Bolsonaro para aumentar sua base no Congresso. 

Após o termo “tratoraço” figurar como o assunto mais comentado no Brasil no Twitter, uma alusão ao esquema que incluir a compra de tratores acima do preço de referência do governo, o ministro usou o microblog para negar o esquema de toma lá, dá cá. 

No Twitter, Marinho disse que o petista indicou R$ 12 milhões para obras e compras de máquinas em Pernambuco. Ao Estadão, o petista disse que o ministro omitiu que a verba foi um pedido do então presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), um aliado do governo Jair Bolsonaro.

O senador Humberto Costa Foto: Andre Dusek/ Estadão

“Uma robusta evidência de que o presidente Jair Bolsonaro terceirizou o orçamento é o fato de que o ministro do Desenvolvimento Regional desconhece quem está por trás da indicação que aprovou”, disse Costa.

Em sua conta na rede social, Rogério Marinho reconheceu que as indicações de uso dos recursos das chamadas emendas RP9 (uma nova modalidade de emenda criada no governo Bolsonaro) foram feitas pelos parlamentares, mas disse que é falsa a afirmação de que o governo criou um orçamento secreto. Para exemplificar, ele citou o caso de Humberto Costa. Numa planilha secreta do ministério, obtida pelo Estadão, a indicação referida pelo ministro consta como de autoria de: “Davi Alcolumbre/Humberto Costa”.

À reportagem, o senador pernambucano relatou que foi procurado por Alcolumbre, aliado do Palácio do Planalto, que ofereceu a possibilidade de indicar verbas públicas do governo. “Houve da parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uma pergunta a nós da bancada do PT se nós tínhamos interesse de ter algum tipo de emenda além das parlamentares, aquelas impositivas. E nós dissemos que aceitávamos”, contou. “Agora não saiu nada, nenhum recurso. E não foi em troca de nada.” 

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Como revelou o Estadão, Bolsonaro vetou a tentativa do Congresso de impor os recursos de emendas RP9 por considerar que isso “contraria o interesse público” e estimula o “personalismo”. Esse veto está em vigor até hoje. O presidente passou a ignorar seu próprio ato, contudo, quando se aproximou do Centrão para tentar eleger Arthur Lira (Progressistas-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para os comandos da Câmara e do Senado, respectivamente, em dezembro do ano passado. 

Um dos principais aliados do governo no Senado, Alcolumbre buscava num primeiro momento apoio para sua tentativa de se reeleger ao comando do Senado. Quando o Supremo Tribunal Federal (STF) negou essa possibilidade, ele então negociou com senadores da oposição o voto em Pacheco. Foi nessa circunstância que o demista arranjou dinheiro do orçamento secreto para Costa e também para os oposicionistas Rogério Carvalho (PT-SE), Acir Gurgacz (PDT-RO) e Weverton Rocha (PDT-MA). Na época, houve estranhamento sobre o motivo de a oposição ter defendido o candidato de Bolsonaro.