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Multidão, discursos, presenças e ataque ao STF: saiba como foi o ato de Bolsonaro na Paulista

Ex-presidente pediu anistia a presos do 8 de Janeiro, Malafaia disparou contra Moraes e Barroso, Michelle fez discurso religioso e governadores aliados marcaram presença em meio a investigações de golpe de Estado

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Foto do author Ricardo Corrêa
Por Ricardo Corrêa

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizaram um ato na tarde deste domingo, 25, na Avenida Paulista para uma defesa dele em meio às investigações sobre a articulação de um golpe de Estado. De cima do trio elétrico cercado por uma multidão, o ex-presidente, governadores, deputados e outros aliados saudaram os apoiadores e fizeram discursos que incluíram tom religioso, ataques ao STF, e até um pedido de anistia aos presos pelos atos golpistas de de Janeiro, este vocalizado pelo ex-presidente. Não apareceram cartazes e faixas contra o STF ou pedidos de intervenção militar como em outras ocasiões. Havia muitas bandeiras de Israel em meio aos apoiadores de verde e amarelo. Veja um resumo de tudo o que aconteceu no ato da Paulista.

Reunião com governadores antes do ato

Em esforço para mostrar unidade junto a nomes cotados para sucedê-lo em 2026 em razão de sua inelegibilidade, Bolsonaro se reuniu com três dos quatro governadores no ato e almoçou no Palácio dos Bandeirantes com o anfitrião Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo (Republicanos), Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina. Junto deles estava o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN). Ronaldo Caiado, governador de Goiás, apesar de não ter almoçado com Bolsonaro, também compareceu ao ato.

Governadores almoçam com Jair Bolsonaro antes de ato que acontece em meio à investigação de uma tentativa de golpe de Estado Foto: @rogeriosmarinho via X

Ricardo Nunes vai de verde e amarelo ao Bandeirantes e ao ato

Embora o MDB, seu partido, tenha feito gestões junto a ele para tentar convencê-lo a não ir ao ato, Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, acabou também comparecendo. Ele conta com o apoio de Bolsonaro na disputa em São Paulo e, por isso, não apenas esteve presente como também foi, de verde e amarelo ao Palácio dos Bandeirantes, onde cumprimentou o ex-presidente, e divulgou um vídeo feito por sua equipe de pré-campanha com o encontro.

Jair Bolsonaro cumprimenta Ricardo Nunes no Palácio dos Bandeirantes antes de ato na Paulista Foto: Reprodução/Assesssoria de Imprensa da pré-Campanha do Ricardo Nunes

Presenças de governadores, senadores e deputados

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Além dos governadores, do filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do organizador Silas Malafaia, também estiveram presentes a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), e os senadores Carlos Portinho (PL-RJ), Carlos Heinze (PP-RS), Marcos Pontes (PL-SP), Jorge Seif (PL-SC), Magno Malta (PL-ES), Rogério Marinho (PL-RN), Marcos Rogério (PL-RO), Marcos do Val (Podemos-ES), Cleitinho (Republicanos-MG) e Ciro Nogueira (PP-PI).

Entre os deputados, nomes como Carlos Jordy (PL-RJ), Carla Zambelli (PL-SP), Marcel van Hatten (Novo-RS), Gilvan da Federal (PL-ES), Alexandre Ramagem (PL-RJ), Nikolas Ferreira (PL-MG), Ricardo Salles (PL-SP), Gustavo Gayer (PL-GO), Marco Feliciano (PL-SP), Helio Lopes (PL-RJ), Delegado Eder Mauro (PL-PA), Alberto Fraga (PL-DF), André Fernandes (PL-CE), Sargento Fahur (PSD-PR) e Caroline de Toni (PL-SC).

Os ex-ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, e da Cidadania, João Roma (PL-BA), o deputado cassado Deltan Dallagnol (Novo-PR), o ex-deputado Major Vitor Hugo (PL-GO) e diversos deputados estaduais também estiveram presentes. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também foi ao evento, mas saiu antes da chegada de Bolsonaro, já que eles não podem se comunicar por decisão judicial.

Integrantes do Partido Novo, deputado federal Marcel Van Hattem, Marina Helena e Romeu Zema em ato na Paulista Foto: @marinahelenabr via X

Confusão para trio, bandeiras de Israel e discurso antivacina

No evento, enquanto a multidão alternava cantos religiosos com gritos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive pedindo seu impeachment, usando bandeiras de Israel e festejando cada discurso, houve registro de muitas pessoas passando mal e confusão no acesso ao trio das autoridades. Foi preciso que o organizador do ato, o pastor Silas Malafaia, pedisse que os seguranças autorizassem a passagem do deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), líder da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), e do influencer português Sérgio Tavares.

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No trio, Tavares, que alegou ter sido detido no aeroporto de Guarulhos ao chegar no país - segundo a PF por não ter visto de trabalho para cobrir as manifestações - acabou fazendo um discurso em que prometeu contar ao mundo sobre o que acontece no Brasil e disparou até contra a imunização, dizendo que não podem obrigar bebês a se vacinarem.

Manifestação convocada em meio à investigação da articulação de uma tentativa de golpe de Estado Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Discurso religioso de Michelle e de confiança de deputados e senador

Primeira a discursar no ato, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou do apelo religioso e reclamou de supostos “ataques e injustiças” sofridos por ela e sua família. Ela chamou os apoiadores que foram ao ato de “exército de Deus nas ruas” e fez muitas citações bíblicas.

“Desde 2017 estamos sofrendo porque exaltamos o nome do senhor no Brasil, porque o meu marido (o ex-presidente Jair Bolsonaro) foi escolhido e ele declarou que era ‘Deus acima de todos’”, declarou Michelle, que chorou no palco e diz que está vivendo “um dia de cada vez”.

Em linha semelhante, o senador Magno Malta afirmou que parece que eles estão “encurralados, de frente do mar. E atrás está faraó”, mas que eles lutarão. “(Bolsonaro,) o que sua família têm sofrido, de sandices, anarquia, fake news, narrativas. Presidente, nós estamos aqui para dizer. ‘Presidente, nós acreditamos, e estamos com você. Eu sou um senador da República. Eu conheço a lei. Eu conheço a Constituição. E nunca coloquei o galho dentro. Eu quero falar que o Brasil precisa restabelecer o seu estado democrático de direito. Esse país é um país que tem uma Constituição e precisa ser respeitada”, disse.

Michelle Bolsonaro discursa em manifestação convocada em meio à investigação da articulação de uma tentativa de golpe de Estado Foto: Taba Benedicto/Estadão

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Já o deputado federal Gustavo Gayer afirmou que os apoiadores de Bolsonaro “não vão parar”. “Mas sabemos que a vitória não vai vir fácil. A glória nunca é dada de bandeja. Só é dada pros corajosos, para os resilientes, pros verdadeiros, pros que acreditam”, afirmou, completando, sem citar nomes: “Nesse momento eles estão com medo, de portas fechadas, pensando se vão dar conta de parar essa força que está crescendo no coração do povo brasileiro.”

Nikolas Ferreira, também deputado federal, preferiu olhar um pouco mais para frente, sobre as chances de a direita vencer eleições futuras para a Presidência da República. “Talvez nós não veremos o Brasil prometido, mas os filhos dos nossos filhos verão um Brasil novamente verde e amarelo”, disse, para depois fazer uma referência a Lula e às eleições perdidas antes de chegar ao Poder pela primeira vez em 2002. “Nosso inimigo ficou 12 anos, persona non grata, tentando a Presidência da República, e ele conseguiu, depois de 12 anos. Nós não temos o direito de ter menos persistência do que o nosso inimigo. E isso daqui é resposta de que quando o nosso verdadeiro líder da nação chamado Jair Bolsonaro se levanta o povo também se levanta com ele.”

Tarcísio faz exaltação de governo Bolsonaro, a quem chama de “movimento”

Em seu discurso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, agradeceu ao ex-presidente e afirmou que eles sempre estarão juntos. “Bolsonaro não é mais um CPF, não é mais uma pessoa, ele representa um movimento de todos aqueles que aprenderam e descobriram que vale a pena brigar pela família, pela pátria e pela liberdade”, disse o governador. Ele também fez uma exaltação do governo de Jair Bolsonaro, ao discursar em nome dos demais governadores presentes.

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Tarcísio participa de manifestação convocada em meio à investigação da articulação de uma tentativa de golpe de Estado por Bolsonaro Foto: Taba Benedicto/Estadão

Silas Malafaia faz os ataques mais pesados ao STF

Organizador do ato, o pastor Silas Malafaia fez os ataques mais diretos ao STF, ao afirmar que se prenderem Bolsonaro será “para a destruição deles”. Ele apontou questionamentos à atuação do ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos contra o presidente que, entre outras coisas, investigam a tentativa de um golpe de Estado. Ele também fez ataques a Luís Roberto Barroso, presidente da Corte. E afirmou que não teme ser preso, mas que vergonha seria “fugir” no momento do que chamou de “a maior perseguição política da história”.

“Eu não desejo isso pra você (Bolsonaro), mas vou deixar aqui uma palavra: ‘Se eles te prenderem você vai sair de lá exaltado. Você vai sair de lá exaltado. Se eles te prenderem, não vai ser pra sua destruição, mas para a destruição deles. Você vai sair de lá exaltado’”, enfatizou.

Discurso de Bolsonaro foi pedido de anistia

Última a falar, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que sofre uma perseguição que se recrudesceu depois que deixou a presidência no fim de 2022 e pediu anistia a presos do 8 de Janeiro. Ele também negou ter articulado uma tentativa de golpe e minimizou as provas encontradas, como a minuta que a Polícia Federal diz que ele ajudou a redigir.

“Golpe é tanque na rua, é arma, é conspiração. Nada disso foi feito no Brasil. Por que continuam me acusando de golpe? Porque tem uma minuta de decreto de estado de defesa. Golpe usando a Constituição? Deixo claro que estado de sítio começa com presidente convocando conselho da República. Isso foi feito? não”, disse. “É o Parlamento quem decide se o presidente pode ou não editar decreto de estado de sitio. O da defesa é semelhante. Ou seja, agora querem entubar em todos os nós um golpe usando dispositivos da Constituição cuja palavra final quem dá é o parlamento.”

Bolsonaro discursa em manifestação convocada em meio à investigação da articulação de uma tentativa de golpe de Estado Foto: Taba Benedicto/Estadão

O ex-presidente também citou a derrota eleitoral para Lula dizendo que “aquela coisa que aconteceu em outubro de 2022″ deve ser considerada “página virada”. Contudo, voltou a lançar suspeitas sobre a vitória do petista. “Nós podemos até ver um time de futebol sem torcida ser campeão, mas não conseguimos entender como existe um presidente sem povo ao teu lado”, afirmou.

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