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Boituva: Liminar do TJ manda reabrir centro de paraquedismo

Local no interior paulista foi fechado após morte de quatro paraquedistas em acidentes

Foto do author José Maria Tomazela
Por José Maria Tomazela
Atualização:

SOROCABA - Uma liminar concedida nesta quarta-feira, 3, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) autorizou a reabertura do Centro Nacional de Paraquedismo (CNP), em Boituva, interior de São Paulo. O complexo turístico, um dos maiores do mundo em quantidade de saltos, estava fechado desde 22 de julho, por decisão da Justiça. A suspensão das atividades foi pedida pela Polícia Civil após o registro de quatro mortes de paraquedistas em acidentes este ano. Na última delas, o aluno de uma escola de paraquedismo morreu após cair sobre o telhado de uma casa.

Após quatro mortes em 2022, centro de paraquedismo em Boituva está com asatividades suspensas. Foto: Taba Benedicto/Estadão

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A liminar foi dada em mandado de segurança impetrado pelo Clube Escola WOW Paraquedismo, da qual a vítima, o empresário Andrius Jamaico Pantaleão, era aluno. Conforme o advogado Martim de Almeida Sampaio, a decisão acabou beneficiando as outras escolas instaladas no centro. "O tribunal acatou nosso argumento de que o funcionamento da escola não atrapalha as investigações policiais e que a medida (de suspender as atividades) foi desproporcional, pois tolheu a liberdade de trabalhar", disse.

A proibição judicial, revogada pelo TJ-SP, incluía os voos e lançamentos de paraquedistas sobre a área urbana - o CNP é separado da cidade apenas pela Rodovia Castelo Branco. A suspensão do paraquedismo afetou também 12 escolas que ministravam cursos e seis empresas de balonismo, deixando cerca de 800 pessoas sem trabalho. Prejudicou ainda o comércio da cidade, que recebia até cinco mil turistas por fim de semana.

O relator do processo, desembargador Alex Zilenovski, entendeu que o funcionamento das atividades não prejudica a investigação policial sobre a morte do estudante, uma vez que a perícia já foi feita. No caso da escola, Zilenovski lembrou que o acidente com o aluno foi um caso único, não representando uma conduta reiterada de risco. "Não há notícias de outras fatalidades como a que se investiga e a prova pericial - até o momento - não acena para conduta da impetrante (escola) que pudesse indicar reiteradas violações ao dever do cuidado", escreveu.

De acordo com o presidente do CNP e da Associação dos Paraquedistas de Boituva, Marcelo Costa, a reabertura acontece às 9 horas desta quinta-feira, 3. "Os operadores, instrutores, pilotos, paraquedistas e funcionários estão sendo avisados e voltam a trabalhar de forma imediata. Esperamos um final de semana bastante movimentado, depois dessas duas semanas de paralisação", disse. Ele afirmou que o centro adota todas as medidas de segurança e está entre os que menos registram acidentes fatais no mundo. "Em conjunto com as autoridades municipais e com a Confederação Brasileira de Paraquedismo, estamos sempre revisando as normas de segurança para reduzir as possibilidades de acontecerem acidentes", disse.

O centro de paraquedismo funciona em Boituva há 50 anos, mas poucas vezes se viu uma sequência tão grande de acidentes fatais como a deste ano. Antes da morte do aluno, no dia 19 de julho, os paraquedistas André Luiz Warwar, de 53 anos, e Wilson José Romão Júnior, de 38, morreram em acidente com o avião que os levava para o salto, no dia 11 de maio. A aeronave sofreu pane e, ao tentar um pouso forçado, capotou. Outras dez pessoas ficaram feridas. No dia 24 de abril, a paraquedista e sargento do Exército Bruna Ploner morreu após cair quando tentava uma manobra com um paraquedas de alta performance.

A Polícia Civil de Boituva informou que ainda não foi notificada da decisão do TJ-SP, mas lembrou que a liminar é uma decisão provisória e o caso ainda será avaliado pela Câmara competente do tribunal.

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