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‘Câmeras corporais têm que se adequar ao que a gente precisa’, diz secretário de Segurança de SP

Guilherme Derrite defende uso do equipamento no combate à logística do crime organizado

Foto do author Caio Possati
Por Caio Possati

O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou que as câmeras corporais acopladas nas fardas de policiais militares precisam ser funcionais, garantir proteção aos policiais e à sociedade, além de se adequar às demandas de segurança das cidades paulistas.

As declarações nesta quarta-feira, 24, ocorrem dois dias depois de o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciar que pretende avaliar a ampliação do uso dos equipamentos. Antes, no início do mês, o governador chegou a afirmar que a “efetividade” das câmeras para a segurança do cidadão era “nenhuma”.

Gestão Tarcísio estuda a possibilidade de ampliar uso da câmera corporal em PMs do Estado, por meio do programa Muralha Paulista Foto: Taba Benedicto/Estadão

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Derrite afirmou agora que as câmeras corporais deverão ser adquiridas como parte de investimentos em tecnologias que a secretaria deve fazer para combater o crime no Estado. “A gente pretende fazer com que as câmeras tragam funcionalidade e protejam o policial e a sociedade” disse o secretário. “Então, certamente vai fazer parte do nosso programa de investimento em segurança pública e em tecnologia”, afirmou.

O programa Muralha Paulista, que prevê a construção de uma rede que interliga dados colhidos de câmeras e radares em diferentes cidades, foi citado pelo secretário. O sistema já funciona em forma de teste em algumas cidades desde o ano passado, mas ainda será anunciado oficialmente pela atual gestão.

“A câmera corporal é uma discussão que é um grão de areia em um deserto de oportunidades que serão oferecidas para combater o crime organizado, a logística criminal, as rodovias, os principais acessos de entrada e saída das cidades, que nós traremos no Muralha Paulista”, disse.

Estudos e especialistas em Segurança Pública afirmam que o uso de câmeras corporais é eficiente. Pesquisa do Centro de Ciência Aplicada em Segurança Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que os equipamentos reduziram em 57% o número de mortes decorrentes de ações policiais em relação a unidades policiais onde, até aquele momento, não havia a implantação da tecnologia.

Para Derrite, porém, as câmeras precisam ser usadas de forma que se adequem a outras demandas da segurança do Estado. “As câmeras corporais têm que se adequar ao que a gente precisa: combater a logística do crime organizado”, afirmou. “De repente, ter um sensor para captar placas de carros roubados, estruturas que, se estiverem dentro das nossas premissas, podem ser aproveitadas”, completou.

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As câmeras corporais foram adquiridas no Estado de São Paulo como parte do programa Olho Vivo, implementado nas gestões anteriores com ex-governadores João Doria e Rodrigo Garcia.

Conforme mostrou o Estadão, cerca de 52% dos policiais do Estado já têm acesso aos dispositivos, que já fazem parte da rotina de batalhões da capital e da Grande São Paulo, cidades do litoral (Santos e Guarujá), e do interior paulista, como Campinas, Sumaré e São José dos Campos. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o programa Olho Vivo vai continuar em vigência em 2024.

Atualmente, a Polícia Militar conta com 10.125 bodycams — como também são chamados os equipamentos — à disposição de seus batalhões. A quantidade dos dispositivos cresceu em 2022 (estava em 2.500), mas congelou durante a gestão Tarcísio e se manteve no mesmo patamar atual desde o ano passado.

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Na última sexta, 19, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), grupo da sociedade civil vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, aprovou uma resolução que recomenda o uso dos equipamentos por agentes de segurança.

Derrite admitiu que ainda não conversou com Mário Sarrubbo, procurador-geral de Justiça de São Paulo, indicado para assumir o cargo de Secretário Nacional de Segurança Pública, sobre aumento de investimento na segurança de São Paulo e no uso de câmeras corporais. “Se o governo federal quiser destinar recursos para potencializar o Muralha Paulista serão muito bem-vindos.”

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