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Capital paulista estuda criar empréstimo de 50 mil bicicletas

Projeto de lei que deverá ser enviado à Câmara prevê que serviço seja por concessão; objetivo é atender à demanda das ciclovias

Por Caio do Valle
Atualização:

SÃO PAULO - A cidade de São Paulo pode ganhar um sistema público de compartilhamento de bicicletas, à maneira do que existe em outras metrópoles, entre as quais Barcelona, na Espanha. O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, disse nesta sexta-feira, 20, que a Prefeitura planeja enviar à Câmara Municipal um projeto de lei autorizando a concessão desse serviço à iniciativa privada. Segundo o dirigente, ao menos 50 mil magrelas deverão ser oferecidas à população, que só precisaria do Bilhete Único para utilizá-las.

Hoje em dia, a capital paulista conta com redes particulares de aluguel de bicicletas como o Bike Sampa, gerenciada pelo Itaú, Samba e Serttel, com cerca de 1,5 mil equipamentos, e o CicloSampa, da Bradesco Seguros, com 129. No futuro modelo, as diretrizes para a instalação dos equipamentos e a distribuição dos pontos de estacionamento das bicicletas passará a ser premissa do próprio poder público. A intenção é espalhar o serviço por toda a cidade, e não apenas em áreas centrais, como nos dois sistemas em operação.

Ciclovia de 1,7 quilômetro foi inaugurada na Avenida Escola Politécnica em 20 de junho, na zona oeste de São Paulo Foto: Daniel Teixeira/Estadão

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Outro diferencial é que o serviço deverá ser debitado do próprio Bilhete Único. No Bike Sampa, o cartão de transportes pode até ser usado em parte das estações, mas precisa estar vinculado a um número de cartão de crédito, por meio de um cadastro prévio feito no site da rede. Por meio da concessão, a ideia é que a oferta de magrelas se torne complementar à ampliação da malha cicloviária na capital paulista, prevista para ultrapassar 400 km até o final de 2015. 

Tatto acredita que o projeto, ainda em gestação na Secretaria Municipal dos Transportes, seja encaminhado ao Legislativo no segundo semestre deste ano. A iniciativa, segundo ele, é do próprio prefeito Fernando Haddad (PT). Outras pastas, como a de Desenvolvimento Urbano e a do Verde e do Meio Ambiente, ainda precisam avaliar a questão. Depois, o material segue para a Secretaria Municipal de Governo, de onde será despachado para os vereadores. 

“Fizemos um levantamento que a necessidade de você atender a cidade toda precisaria de pelo menos 50 mil bicicletas”, afirmou Tatto. Ele não soube informar, no entanto, se a concessão iria concorrer com os serviços atuais de empréstimo de bikes. “Eventualmente, esse tipo de credenciamento precário (do Bike Sampa e do CicloSampa) deixaria de existir. Agora, nada impede o Itaú de fazer parte da concessão, ou o Bradesco, o Safra... vários bancos. É uma concorrência saudável.”

Repercussão. O diretor de participação da ONG Ciclocidade, Daniel Guth, defende que os atuais modelos do Itaú e da Bradesco Seguros são “equivocados”. “Porque hoje é um termo de cooperação via Lei Cidade Limpa. O que deve ser feito é, em primeiro lugar, integrar o sistema ao plano de mobilidade da cidade. Também tem de ter um instrumento que garanta as diretrizes públicas e não as de interesse da marca. Entendo que uma licitação para um modelo unificado e integrado ao Bilhete Único seja o ideal.”

A arquiteta e cicloativista Renata Falzoni classificou a ideia de “excelente”. “Se você soma essa intenção de facilitar o acesso da população ao uso da bicicleta sem o ônus de ter de ficar cuidando dela a uma estrutura cicloviária aumenta muito as viagens de curta distância feitas fora do carro.” Para ela, o poder público precisa justamente estimular que esses pequenos deslocamentos feitos de carro - para ir comprar pão na padaria, ou levar o filho na escola, por exemplo - passem para a bicicleta. “Em São Paulo, só 0,5% das viagens são feitas de bicicleta, contra 7% em Londres e quase 40% em Copenhagen. Para dar o salto, tem de ter uma estrutura segregada de ciclovias e a Prefeitura começou a focar nisso.”

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O secretário Jilmar Tatto atacou as gestões anteriores, que investiram relativamente pouco na construção de ciclovias, fazendo com que a cidade chegasse a 2014 com cerca de 60 km de canaletas só para bikes, ante 750 km em Berlim e 359 km em Bogotá. “O problema na cidade de São Paulo é decisão política. Você teve prefeitos que tiveram medinho de fazer esse tipo de coisa. O prefeito Haddad não está tendo medo de fazer faixas exclusivas nem ciclovias.”

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