Cracolândia: Tarcísio quer levar usuários de drogas para o Bom Retiro; veja onde

Segundo o governador, dependentes químicos ficariam mais próximos do Complexo Prates, equipamento da Prefeitura que já atende a população em situação de rua

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Por Gonçalo Junior
Atualização:

O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou nesta terça-feira, 18, que pretende levar a concentração de dependentes químicos da Cracolândia para a região do Bom Retiro, na região central.

Ali, segundo o governador, os usuários de drogas ficariam mais próximos do Complexo Prates, equipamento da Prefeitura de São Paulo que atende a população em situação de rua e também dependentes químicos, como o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps), além de uma unidade da Assistência Médica Ambulatorial (AMA).

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“A gente quer levar essas pessoas para o Complexo Prates. Lá, eu tenho uma AMA, lá tenho um Caps e consigo deixá-los um pouco mais afastados da área residencial e da área comercial. Vamos ver se a estratégia vai dar certo. Vai dar certo? Não sei. Vamos tentar esse movimento agora para oferecer assistência imediata, sem tanto transtorno para a cidade”, afirmou o governador.

O plano foi anunciado durante o lançamento do programa UniversalizaSP, no Palácio dos Bandeirantes. A iniciativa vai oferecer assistência técnica aos municípios para regionalizar os serviços de água e esgoto da Sabesp.

Movimentação de usuários de drogas na Rua dos Gusmões na região central de São Paulo Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Na semana passada, os poderes municipal e estadual já haviam feito uma primeira tentativa de remover o fluxo do centro. Relatos de líderes sociais e profissionais de saúde apontam que a Polícia Militar, a Polícia Civil e a GCM conduziram o fluxo da Rua dos Gusmões até a ponte Orestes Quércia, na Marginal do Tietê, em um caminho de cerca de três quilômetros. No final da operação, os usuários fugiram do local e retornaram ao centro.

Tarcísio reafirmou que a intenção do deslocamento é facilitar o atendimento dos usuários de drogas. O Complexo Prates tem um núcleo para a população de rua, três centros de acolhimento, um Caps e uma unidade da AMA numa área de 11 mil metros quadrados. Internamente, a gestão Ricardo Nunes (MDB) vê dificuldades em fixar os usuários de drogas em um só ponto.

“Temos uma estratégia de colocar essas pessoas um pouco mais distante das áreas residenciais e comerciais, em uma área em que a gente tenha equipamentos e possa prestar atendimento mais próximo. Não adianta tentar fazer abordagem sem estar próximo dessas pessoas.”, disse.

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Tarcísio de Freitas durante o lançamento do Programa Universaliza SP, no Palácio dos Bandeirantes Foto: Marcelo S. Camargo/Governo do Estado de SP

O espalhamento dos dependentes químicos tem sido uma questão incômoda para os poderes municipal e estadual desde o ano passado, quando uma ação policial expulsou dependentes químicos e traficantes da praça Princesa Isabel, nos Campos Elísios. O chamado “fluxo” permaneceu na praça por cerca de três meses após dispersão do entorno da praça Júlio Prestes, endereço da Cracolândia por mais de três décadas.

Em relação ao tráfico de drogas, o governador afirmou que as operações policiais vão continuar. “Em breve, vamos instalar mais uma companhia da Polícia Militar no centro. Em fevereiro do ano que vem, teremos um batalhão instalado lá, vamos aumentar brutalmente o efetivo e vamos trabalhar com monitoramento”, afirmou.

O governador citou como exemplo bem-sucedido as ações na Praça da Sé. Em uma ação controversa, a Subprefeitura da Sé colocou gradis móveis para “promover a segurança na região e proteger os jardins e locais que recebem intervenções de zeladoria”. Pessoas em situação de rua passaram a ocupar outros locais como o Páteo do Colégio e os baixios dos viadutos do Minhocão e Glicério. Mas não retornaram à Praça da Sé.

“A gente liberou a Praça da Sé e não deixou mais a turma voltar e assim vamos tentar fazer com a rua dos Protestantes, com a rua dos Gusmões, ir avançando, levando o pessoal para lá para oferecer o melhor tratamento”, disse Tarcísio. O governador voltou a afirmar que não há um cronograma definido. “Se você me perguntar qual é a solução, eu não tenho. Se me perguntar qual é o cronograma para resolver, eu não tenho. Vamos fazer o melhor possível.”

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