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Revolução de 1932 e 9 de Julho: Visita a bunker, circuito de trem, itens de guerra e mais passeios

A memória do conflito está presente em logradouros da capital paulista. Edifícios históricos testemunharam a marcha dos confrontos. Veja lista de atrações

Foto do author José Maria Tomazela
Por José Maria Tomazela
Atualização:

Paulistanos e visitantes interessados em conhecer mais a fundo a história da Revolução de 32, que completa 91 anos no dia 9 de julho, têm à sua disposição alguns monumentos e um rico acervo em museus e memoriais de São Paulo. A memória do conflito está presente em logradouros da capital paulista, como as avenidas, a 23 de maio, data do conflito que resultou na morte de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (MMDC), e a 9 de Julho, dia da eclosão da revolta. Edifícios históricos da capital testemunharam a marcha dos confrontos entre os paulistas e os federais.

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Desde 1997, o 9 de Julho, que neste ano cai no domingo, é celebrado com um feriado estadual. Na capital, no interior paulista e em algumas cidades do sul de Minas Gerais há passeios ferroviários, pedaladas e outros eventos que rememoram a saga dos paulistas.

Os corpos de Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Américo Antonio Camargo de Andrade, mortos na Barão de Piratininga, esquina com a Praça da República, estão sepultados no Obelisco do Ibirapuera, o principal monumento da Revolução. Ali também foi enterrado o corpo de Orlando de Oliveira Alvarenga, ferido no confronto e que faleceu dias depois.

O prédio da Faculdade de Direito, no Largo de São Francisco, é o marco inicial do movimento, pois sediou o comício que resultou no confronto. A faculdade abrigou também o comando da sociedade secreta do movimento contra Getúlio Vargas, denominada MMDC. O Edifício Paula Souza, de 1896, na Praça Fernando Prestes, sediou no passado a Escola Politécnica que teve papel crucial no desenvolvimento e produção de armas e equipamentos bélicos usados pelos paulistas na revolução.

A Galeria Jorge Mancini preserva e expõe importante acervo da Revolução de 32, na região central da capital Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Outra memória arquitetônica do período, o conjunto da Santa Casa de Misericórdia, datado de 1884, remete à campanha “Ouro para o Bem de São Paulo” que arrecadou peças desse metal para manter as tropas nas frentes de combate.

Senhoras da sociedade paulistana e do interior se desfizeram de suas alianças de casamento em adesão à causa. Com o fim do conflito, sobrou recurso para erguer o Edifício Ouro para o Bem de São Paulo, no Largo da Misericórdia. O prédio tem 13 andares, o mesmo número de listras da bandeira paulista, e forma ondulada, como uma bandeira ao vento.

O prédio da Estação da Luz (1867) foi tomado no início do conflito e usado para embarque e desembarque das tropas que lutavam no interior. Já a Estação Júlio Prestes ainda estava em obras, em 1932, mas a área das plataformas foi usada para o embarque de soldados que seguiam para o fronte pela Estrada de Ferro Sorocabana. O Aeroporto Campo de Marte, no bairro Santana, ocupado pelos revoltosos, virou base da aviação constitucionalista.

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No feriado do dia 9, em Mogi Mirim, interior de São Paulo, acontece o passeio turístico da Revolução de 32, com direito a uma visita ao bunker, um abrigo subterrâneo usado pelos constitucionalistas para guardar munição durante os combates Foto: Ricardo Lima/Estadão

Museus e memoriais de São Paulo com acervos da Revolução

  • Obelisco e Mausoléu de 32

O Obelisco e Mausoléu dos Heróis de 32, tombado pelo patrimônio histórico estadual e municipal, abriga os corpos de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (MMDC) e de 713 ex-combatentes. O interior, em forma de cruz, apresenta painéis feitos com pastilhas de mosaico veneziano representando o nascimento, o sacrifício e a ressurreição de Jesus Cristo.

Há ainda 800 urnas funerárias com restos mortais de constitucionalistas trasladados para o local e três capelas. Entre elas, a de Guilherme de Almeida - frases do ‘poeta da Revolução’ estão grafadas nas paredes, e de Ibrahim de Almeida Nobre, o tribuno de 32. Com 72 metros de altura, o Obelisco do Ibirapuera é o maior monumento paulistano. Inaugurado em 9 de julho de 1955, foi projetado pelo escultor ítalo-brasileiro Galileo Ugo Emendabili e construído pelo engenheiro alemão Ulrich Edler.

Onde fica: Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Parque Ibirapuera – Vila Mariana – São Paulo – capital

Horário: terça a domingo, das 10 às 16 horas.

Entrada gratuita.

Fone: 11-3105.8541.

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  • Museu da Santa Casa

A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, até hoje, um dos principais hospitais do estado, participou ativamente da Revolução de 32. Em 20 de agosto, com o recuo das tropas em combate, o Hospital Central se viu em meio ao conflito, atendendo os soldados feridos. Os registros indicam o atendimento a 1.273 combatentes.

O Museu da Santa Casa guarda mais de quatro séculos de história e tem 12 salas expositivas distribuídas em dois pisos. A Sala da Revolução Constitucionalista de 1932 preserva objetos do movimento, como binóculos e capacetes, além de livros e documentos, incluindo livros com o registro das doações de alianças e peças para a campanha do Ouro para o Bem de São Paulo.

Onde fica: Rua Dr. Cesário Mota Júnior, 112, Vila Buarque – São Paulo.

Horário: segunda a sexta, das 9 às 16 h.

No dia 8/7, véspera do feriado, o funcionamento será normal.

Entrada gratuita.

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Tel.: 2176.7025 ramal 5008

Grupos podem agendar visita, inclusive aos sábados, por fone ou pelo e-mail museu@santacasasp.org.br

  • Galeria Mancini
Na galeria, a trajetória da guerra paulista é contada por meio de fotos, quadros, material de propaganda militar, uniformes, moedas, medalhas e peças de artilharia Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A Galeria Jorge Mancini preserva e expõe importante acervo da Revolução de 32, na região central da capital, na sede da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo. Falecido em 1993, Jorge foi um dos seis irmãos da família Mancini que se incorporaram voluntariamente ao Exército Constitucionalista. Na galeria, a trajetória da guerra paulista é contada por meio de fotos, quadros, material de propaganda militar, uniformes, moedas, medalhas e peças de artilharia.

Falecido em 1993, Jorge foi um dos seis irmãos da família Mancini que se incorporaram voluntariamente ao Exército Constitucionalista. Na galeria, a trajetória da guerra paulista é contada por meio de fotos, quadros, material de propaganda militar Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Onde fica: Rua Venceslau Brás, 206 – 1.o andar – Sé – São Paulo – SP.

Horário: segunda a sexta, das 8h30 às 1h30

Entrada gratuita.

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Grupos que precisam de monitoria podem agendar pelo fone: 11-3293.9584. A Galeria estará aberta para monitoria e atendimento ao público neste domingo, 9, das 9 às 16 horas.

  • Memorial de 32

O museu, também conhecido como Centro de Estudos Celestino Bourroul, funciona no prédio do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e expõe 256 peças da Revolução, com fuzis, armas, matracas, bombas, fardas constitucionalistas, bandeiras e medalhas, além de mais de 4 mil documentos históricos. O acervo foi doado ao museu pela família de José Celestino Bourroul, colecionador e estudioso do movimento.

Onde fica: Rua Benjamin Constant, 158 – 4.o andar – Sé – São Paulo.

Horário: de segunda a quinta, das 12 às 18h.

Entrada gratuita.

Tel.: 11-3104.5050

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Data tem passeios a pé, de bike ou de trem pelo interior

  • Passeio da Revolução

No feriado do dia 9, em Mogi Mirim, interior de São Paulo, acontece o passeio turístico da Revolução de 32, com direito a uma visita ao bunker, um abrigo subterrâneo usado pelos constitucionalistas para guardar munição durante os combates.

Passeio em Mogi leva visitante a bunker usado na revolução Foto: Ricardo Lima/Estadão

O passeio guiado percorre também outros pontos da cidade onde as tropas paulistas e federais – a cidade foi tomada pelo exército de Getúlio – se aquartelaram. O passeio é gratuito, mas com número limitado de ingressos, que precisa ser reservado com antecedência no Centro Cultural. Há opção de almoço no final da excursão.

O passeio é gratuito, mas com número limitado de ingressos, que precisa ser reservado com antecedência no Centro Cultural Foto: Ricardo Lima/Estadão

Saída: Centro Cultural, Av. Santo Antonio, 430, centro – Mogi Mirim SP.

Informações tel.: 19-3804.1078.

  • Pedal da Revolução

Quem se dispuser a ir um pouco mais longe pode participar do Pedal da Revolução de 32, em Jacutinga, na divisa de Minas Gerais com São Paulo. Os ciclistas vão percorrer 30 km por um roteiro que passa pelo palco das batalhas entre paulistas e federais, podendo visitar trincheiras, fazendas usadas como quartel das tropas, igrejas, estações ferroviárias e sítios históricos. A pedalada encerra também o Festival das Malhas, uma tradição da cidade mineira. Não há limite de inscritos e o passeio é gratuito.

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Concentração às 7 horas, no Centro de Eventos do Lago Municipal de Jacutinga (MG), com saída às 8 horas. Inscrições pelo link https://forms.gle/j7b9LxsSvmbf3rCC9

  • Trem da Serra da Mantiqueira

Enquanto não fica pronta a linha do Trem da Revolução, que vai de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, até o Túnel da Mantiqueira, onde foram travadas cruentas batalhas em 32, a opção é fazer um passeio no Trem da Serra da Mantiqueira, do outro lado da divisa.

Operado pela Regional Sul da ABPF, o trem parte da estação central de Passa Quatro (MG), no km 34 da ferrovia Minas & Rio, e segue até a estação Coronel Fulgêncio, no km 24, no alto da serra e na boca mineira do túnel. O passeio leva duas horas e as comissárias de bordo dão informações sobre os combates e as disputas pelo túnel estratégico, onde muitos soldados morreram.

Funciona todos os fins de semana. Aos sábados, com partidas às 10 e às 14h30; aos domingos, partida às 10 horas. É preciso fazer reserva.

Durante o mês de julho, tarifa promocional de R$ 85.

Local: Rua Arlindo Luz, 270, centro, Passa Quatro (MG)

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Informações: www.tremdaserradamantiqueira.com.br

Tel.: 35-3371.2167/35-99146.9901

  • Maria Fumaça Campinas-Jaguariúna

A locomotiva a vapor Maria-Fumaça fará viagens especiais pela antiga ferrovia Mogiana partindo da estação de Jaguariúna, na véspera e no feriado de 9 de Julho. No percurso de 48 km até Campinas, a velha Maria-Fumaça tem a ajuda de duas locomotivas a diesel, também históricas.

O percurso é o mesmo percorrido pelas tropas paulistas durante os combates de 32 em trens puxados por locomotivas a vapor. O trem blindado dos paulistas passou dezenas de vezes por esses trilhos durante os combates.

O trem passa por cinco estações. Durante a revolução da estação de Jaguary, hoje Jaguariúna, foi transformada em posto de distribuição de munição e ponto de resistência para conter o avanço das tropas legalistas em direção a Campinas e São Paulo.

Local: Estação Maria Fumaça, Novo Jaguari, Jaguariúna, SP.

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Horários: 8 e 9/7, às 10h, 13h e 14h30.

Tarifas: Meio percurso R$ 120, percurso total R$ 160.

Informações: 19-3207.3637/19-99580.7144.

  • Trem republicano Itu-Salto

O passeio de trem entre as cidades paulistas é uma verdadeira imersão na história do fim do Império e início da República, especialmente da Convenção Republicana de 1873, mas traz também reminiscências da Revolução de 32.

Na época, cerca de 300 jovens ituanos se juntaram para formar o 3º Batalhão de Caçadores Voluntários Paulistas e combater as tropas getulistas. O Museu Republicano de Itu guarda e expõe importante acervo sobre a revolução. Os trilhos percorridos pelo trem turístico foram usados para o deslocamento de tropas.

O trem realiza duas viagens de Itu para Salto (9 e 14 h) e duas de Salto para Itu (11 e 16 h). Funciona também aos sábados, domingos e feriados. São quatro vagões turísticos e um vagão boutique. O visitante pode incluir um tour pelas atrações locais, dispondo ainda de opções gastronômicas. As tarifas para adultos variam de R$ 105 a R$ 249, dependendo da opção e incluindo refeições.

Locais:

Estação de Itu: Praça Gaspar Ricardo, 50.

Estação de Salto: Praça Álvaro Guião, 112.

Contato: 11- 4013.1319/41- 98433.0546.

contato@tremrepublicano.com.br

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