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Vila Olímpia, onde ladrão atirou contra mulher, tem clima de medo: ‘Virou a rua do assalto’

Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam que região teve 10% de aumento nos roubos em comparação com os cinco primeiros meses do ano passado; pasta afirma que intensificou policiamento

Foto do author Ítalo Lo Re
Por Ítalo Lo Re
Atualização:

Moradores da Vila Olímpia, na zona sul de São Paulo, relatam insegurança diante do aumento de roubos na região ao longo do último ano. No domingo passado, 2, um homem suspeito de tentativa de assalto disparou contra uma mulher que o filmava a partir da janela de um prédio da Rua Dr. Fadlo Haidar. Não houve feridos, mas o caso chamou a atenção para ocorrências, sobretudo nessa via.

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“Virou a rua do assalto”, diz a aposentada Conceição Ferreira, de 60 anos, moradora de um prédio vizinho. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) apontam que o 15.º Distrito Policial (Itaim Bibi), que atende casos na região, registrou 885 roubos nos cinco primeiros meses deste ano, alta de 10,1% na comparação com o mesmo período do ano passado (804). Já os furtos subiram 64,9% – foram de 1,5 mil para 2,4 mil.

“Não é só na Fadlo Haidar que tem acontecido, é na região como um todo”, diz a presidente do Conseg Itaim Bibi, Luzia Fernandes. Segundo ela, a alta tem sido puxada pela atuação dos “falsos entregadores”, que fingem trabalhar para aplicativos de comida para não levantar suspeitas e miram principalmente os celulares, seja para vender ou para fazer transferências via Pix. Os alvos são pedestres e motoristas desatentos.

Moradores da Vila Olímpia relatam insegurança diante do aumento de roubos na região Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

O aumento dos casos observado na região é bem maior do que a média na cidade. Quando se leva em conta toda a capital paulista, foram 57,9 mil registros de roubo nos cinco primeiros meses deste ano, queda de 1% ante o mesmo período do ano passado (58,5 mil). Ao mesmo tempo, foram 101,9 mil furtos no mesmo recorte deste ano, alta de 8,5% ante o ano passado (93,9 mil), segundo a secretaria.

O Conseg Itaim Bibi marcou uma reunião para discutir, durante a noite desta terça-feira, 4, possíveis medidas com moradores e com representantes das forças de segurança que atendem a região. “Um dos focos é na instalação de mais câmeras”, diz Luzia. Ela também reforçou a importância de a população registar boletins de ocorrência para ajudar a Polícia Militar a designar melhor o efetivo. “Muita gente não registra.”

‘Roubos ocorrem a qualquer hora do dia’, diz moradora

Segundo o zelador Tiago Oliveira, de 36 anos, os moradores da Vila Olímpia têm ficado com medo diante da recorrência dos casos. “É muito roubo por aqui, praticamente todos os dias a gente fica sabendo de algum”, diz ele, que trabalha no prédio onde a mulher estava quando foi alvo de um disparo de arma de fogo no por volta de 15h30 do último domingo.

Como mostrou o Estadão, o disparo ocorreu enquanto uma mulher filmava um motoqueiro que abordava um outro homem na rua. A partir de uma janela, ela gritava palavras como “babaca” e “chama a polícia”. Em seguida, é possível ver o suspeito apontando a arma em direção a ela e ouvir um estampido. O tiro acertou o concreto de uma das sacadas do terceiro andar.

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A mulher que gravou o vídeo ainda não tinha ido até o 15.º DP prestar depoimento até o começo da tarde desta terça. Já o homem que foi abordado na rua registrou boletim de ocorrência por tentativa de roubo. A polícia afirmou que o pedestre, que tem por volta de 35 anos, foi abordado logo após desembarcar de um carro de aplicativo. O suspeito desistiu de levar o celular dele após a confusão.

Os moradores afirmam que essa foi a primeira vez, no período recente, em que ocorreu um disparo de arma de fogo na rua. Os assaltos, por outro lado, não são novidade. “Esses casos começaram a ganhar força de um ano para cá. Antes, aconteciam mais à noite, mas agora os roubos ocorrem a qualquer hora do dia”, diz uma moradora, de 39 anos, que não quis se identificar. Ela conta ter sido assaltada por lá há pouco mais de um ano ao sair com o namorado. “Um grupo de seis motoqueiros nos abordou. Levaram nossos celulares.”

Moradores instalaram faixa na rua diante da recorrência dos assaltos

Diante da recorrência dos casos, moradores da rua instalaram uma faixa entre postes dizendo que a rua é monitorada por câmeras e chegaram a enviar um ofício para a Secretaria de Segurança Pública, por meio de uma deputada estadual, solicitando reforço do policiamento na região. Eles relatam, porém, que nenhuma das medidas parece ter surtido efeito, e que os roubos continuam a acontecer dia após dia.

A hipótese principal dos moradores e pessoas que trabalham na região é que a rua é visada pela proximidade com vias movimentadas, como as avenidas Santo Amaro e Brigadeiro Faria Lima, o que facilitaria a fuga. Outro ponto é que, por conta da Rua Dr. Fadlo Haidar ser de mão dupla, isso permite que os criminosos passem em um sentido mapeando o ambiente e voltem logo em outro para anunciar o assalto. Os vídeos dos assaltos, normalmente captados por câmeras dos próprios prédios, são compartilhados em grupos de WhatsApp da vizinhança.

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Porteiro em um prédio na região há dez meses, Eduardo Ramos, de 48 anos, diz que estava dentro do prédio onde trabalha quando ocorreu o disparo no último domingo. “Pensei que fossem fogos de artifício por conta de jogo de futebol”, diz. Por conta dos casos recorrentes de assalto, ele relata apreensão para ir para o ponto de ônibus, a algumas quadras dali, após o fim do expediente. “Coloco tudo na mochila, não mexo no celular na rua. Se quiserem, que levem a mochila inteira.”

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública disse que “as forças de segurança estão empenhadas em combater todas as modalidades criminosas, incluindo na Rua Doutor Fadlo Haidar”. “O 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM/M) intensificou o policiamento na área, enquanto o 15º Distrito Policial (Itaim Bibi) realiza trabalhos de inteligência, resultando no esclarecimento de cinco roubos e furtos ocorridos no bairro somente em maio”, afirmou.

A pasta disse que as imagens do caso do último domingo estão sob análise do 15.º DP, que realiza diligências em busca de outros elementos que ajudem na identificação do autor, e que o ofício enviado por moradores em março foi recebido e está sendo analisado. “Desde janeiro até maio, foram retiradas das ruas da zona oeste de São Paulo um total de 16 armas de fogo”, disse. “Além disso, o número de infratores presos/apreendidos em flagrante aumentou em 25,2%, enquanto as detenções por mandado apresentaram um aumento de 31,3%.”

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