Café filtrado ou espresso: qual o melhor para saúde?

Investigamos ainda o limite de consumo, se o tipo de grão faz diferença e o jeito certo de guardar para preservar as propriedades benéficas

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Por Thaís Manarini
Atualização:

“O café é considerado um alimento funcional e consumi-lo diariamente é um hábito saudável”, garante a nutricionista Mônica Pinto, da Associação Brasileira de Café. De acordo com ela, além da famosa cafeína, a bebida contém minerais, vitaminas, diterpenos e ácidos clorogênicos. Não precisa decorar os nomes complexos, basta saber que esse combo é considerado responsável por diversos benefícios à saúde.

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Quem faz coro e defende o costume de tomar café é o cardiologista Luiz Antonio Machado César, diretor da Unidade de Coronariopatia Crônica do InCor (SP), integrante de um grupo que estuda os efeitos da bebida na instituição. Segundo ele, várias substâncias presentes no grão funcionam como antioxidantes naturais – elementos que protegem as nossas células.

“De acordo com estudos observacionais, que acompanham milhares de indivíduos por anos, claramente quem toma café tem redução no risco de infarto”, conta Machado César.

Mônica lembra que o British Medical Journal, importante revista científica de medicina, publicou estudo que analisou mais de 200 revisões sobre os impactos do café na saúde e relacionou a bebida à proteção contra numerosos tipos de câncer e distúrbios neurológicos, metabólicos e hepáticos. O hábito, no fim das contas, diminuiu a possibilidade de morte em geral. A nutricionista observa que, segundo o trabalho, “beber de três a quatro xícaras por dia fornece os maiores benefícios à saúde”.

O filtro do café retém substâncias oleosas e, por isso, sempre foi considerado mais vantajoso em termos de impacto no colesterol.  Foto: Tiago Queiroz/Estadão

“Não precisa ser uma xícara pequena. Pensando no café filtrado, que é o habitual por aqui, dá para tomar de 400 a 600 mililitros por dia”, defende o cardiologista.

Vale destacar que o hábito ainda é atrelado a uma menor probabilidade de desenvolver diabetes e ao aumento de disposição e resistência na hora de praticar esportes, observa Mônica.

Embora a quantidade máxima liberada de consumo de café seja elevada, a nutricionista frisa que cada indivíduo tem o seu próprio limite. “O excesso pode causar nervosismo, dores de cabeça, aumento de pressão, aceleração de batimentos cardíacos e uma série de transtornos”, relata.

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Mas, afinal, qual tipo de preparo traz mais benefícios?

Machado César diz que essa dúvida sempre é colocada à mesa. “Mas a maioria dos estudos não separa de que maneira o indivíduo toma café”, avisa.

Fora que muitos trabalhos são feitos fora do Brasil, e a maioria das populações da Europa que tomam um café que não é filtrado optam pelo tipo moka, feito na cafeteira italiana, ou aquele preparado na prensa francesa – ou seja, nem sempre o espresso faz parte das análises.

De qualquer forma, o que sempre se comentou sobre o café espresso é que, por não contar com um filtro, as substâncias oleosas presentes no grão (cafestol e kahweol) passariam para a bebida. Por isso, esse tipo de preparo costuma ser associado ao aumento do colesterol, se consumido em maiores quantidades. No café coado, tais substâncias ficariam retidas no filtro – seja de papel ou pano.

Porém, Machado César conta que, dentro do corpo, a história não é bem assim. “Em nossas amostras de pessoas que tomaram filtrado ou espresso, não vimos grandes diferenças”, aponta o pesquisador, citando trabalhos realizados no InCor. “O café espresso pode aumentar o colesterol? Até pode, mas é muito pouco”, completa.

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Outro detalhe: quando essa discreta elevação ocorre, vale tanto para a fração conhecida como ruim como aquela chamada de boa (LDL e HDL, respectivamente). “Então, não concordo que seja um mecanismo de eventual malefício do café espresso”, reforça o cardiologista.

Tipo de grão, como guardar o café e hábito de adoçar

A nutricionista da Abic informa que o café é uma bebida natural e saudável independentemente da espécie utilizada. Mas há riscos ao consumir produtos fraudados ou adulterados. “Por isso, fique atento e compre cafés certificados, ou seja, que passaram por análises laboratoriais para a garantia de segurança”.

Se houver a possibilidade de comprar o grão e moê-lo no momento do preparo, Machado César acredita que, em tese, isso pode preservar mais os antioxidantes naturais do alimento. Mas, segundo ele, não há estudos para confirmar as diferenças entre o pó obtido na hora e aquele comprado no mercado em termos de benefícios à saúde. Para Mônica, a vantagem é apenas sensorial.

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Até porque as empresas que vendem o café em pó costumam investir em tecnologia para que as embalagens preservem as propriedades do alimento. Ainda assim, um recado: depois de usar o café, ele tem que ser bem fechado e colocado na geladeira. “Para ter o menor contato possível com o ar”, justifica o cardiologista. Se houver interação com o oxigênio, lentamente os compostos protetores vão oxidando. Os aromas também se perdem.

Um ponto sempre polêmico diz respeito à adição de açúcar à xícara. Porém, Machado César acredita que, do ponto de vista de benefícios, isso não importa tanto. “As substâncias protetoras continuarão lá”, resume. Agora, se o indivíduo tem sobrepeso ou obesidade, aí é preciso olhar para essa questão com mais cautela.

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