Suplementação de vitaminas: saiba se você deve tomar

Doses extras devem ser ingeridas em casos específicos e, em excesso, podem ser prejudiciais ao organismo

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Por Ana Lourenço
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Responde Celso Cukier, nutrólogo do Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto Cohen de Ortopedia, Saúde e Esporte

Os suplementos nutricionais são, na verdade, uma complementação de dietas incompletas. Quando a gente cai no tema vitaminas, a gente está falando de substâncias orgânicas, necessárias em pequenas quantidades, e que são fundamentais para uma série de reações enzimáticas e também do sistema de varredura antioxidante do nosso organismo.

Desde uma época anterior, quando (o cientista) Linus Pauling (1901-1994) propunha o uso de grandes doses de vitamina C, com a teoria de que isso seria benéfico ao nosso organismo, principalmente pelas reações antioxidantes, surgiu o mito de que nós deveríamos obter artificialmente as vitaminas em doses maiores para que a nossa saúde fosse obtida. Isso é um mito.

Na realidade, pela própria definição de quantidades de nutrientes em mínimas proporções, elas (as vitaminas) podem ser absolutamente obtidas dentro de uma boa alimentação, contendo, principalmente uma variedade de produtos vegetais.

A suplementação vitamínica vai ficar reservada àquelas pessoas que não têm uma dieta adequada, que não têm capacidade de absorção - o que acontece, principalmente, em pacientes que retiraram ou perderam parte do sistema digestório em cirurgias do estômago, do intestino -, ou situações em que os pacientes acabam sendo submetidos à privação dietética. Caso o contrário, elas são obtidas dentro da nossa alimentação.

O suplementos vitamínicos existentes no mercado, principalmente aqueles considerados gerais (ou seja, que contêm todas as vitaminas), têm limitações em dosagens mínimas e máximas de forma que, as dosagens máximas geralmente não ultrapassam as recomendações dietéticas ou a Ingestão Diária Recomendada (IDR).

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A orientação médica é essencial antes de o paciente consumir suplementos vitamínicos Foto: Freepik

Até existem disponíveis alguns suplementos em doses maiores. Elas são artificialmente farmacológicas, e são reservados àqueles pacientes cuja deficiência clínica ou laboratorial foi evidenciada e recomendada tamanha dosagem. Isso ocorre, por exemplo, em pacientes com anemia por deficiência de ferro.

De uma forma geral, portanto, a gente não recomenda a suplementação geral e a recomendação médica para a suplementação é essencial para esses pacientes que tenham sinais de deficiência vitamínica. É preciso ter a recomendação de um profissional de saúde em busca de uma complementação dietética ou da solução de uma deficiência.

É importante salientar que as vitaminas em excesso também podem fazer mal. A gente observa isso em fases onde existem modismo de uma vitamina ou outra. No momento, a vitamina D é muito divulgada, administrada e pode levar, sim, à toxicidade.

Casos de grandes doses de vitamina A, por exemplo, em um tempo prolongado pode contribuir para cirrose hepática.

Divisão das vitaminas

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As vitaminas podem ser divididas em lipossolúveis, como a A, E, D e K e as hidrossolúveis, conhecidas como as vitaminas do complexo B mais a vitamina C. O que as diferenciam é a forma de absorção e de dispersão dessa molécula, então fica muito claro que as lipossolúveis são absorvidas em receptores que necessitam das gorduras para absorção de nutrientes - o que vai ocorrer na parte mais distal (parte mais afastada do tronco ou do ponto de origem) do nosso intestino delgado.

Já as hidrossolúveis são absorvidas numa porção mais anterior do nosso intestino. Após absorvidas, elas são distribuídas e vão ser utilizadas pelo organismo de acordo com a necessidade.

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