Dia desses escutei uma atriz dizendo “Hoje eu te amo” ao marido com quem é casada há anos, em suas redes sociais. Eu, que estava em uma fase ótima com o meu marido, julguei. Não julguei em voz alta, mas dentro de mim. Pensei que não se diz algo assim a quem se ama, afinal, ou se ama ou não se ama.
Essa semana, lembrei desse episódio, da atriz e do meu próprio julgamento, e percebi que é quase inacreditável que, na minha idade, ainda me perca no amor. Quando estou bem com Fernando, meu marido, esqueço tudo que passou. Qualquer crise parece algo do passado, distante e irreal, e os planos que fazemos juntos parecem mais sólidos do que qualquer possível discussão. Todo o pragmatismo que tenho na minha vida profissional se dissipa na vida romântica. Sou dessas mulheres que se apaixonam e, com a paixão, esquecem tudo.
Por muito tempo, achei que seria difícil ter um relacionamento estável, pois acreditava que a paixão precisava ser constante. Mas descobri que posso me apaixonar por trabalhos, por projetos, por lugares no mundo, e até pelo mesmo homem, várias vezes – no caso, meu marido, há quase vinte anos.
Mas essa semana, entre paixões, Fernando começou a cair no limbo da vida ordinária. Esse lugar onde o dia a dia transforma príncipes em homens comuns, onde as vidas extraordinárias de Instagram se tornam tardes solitárias de domingo, ao lado de alguém satisfeito entre jogos de basquete e futebol.
Entendo profundamente o Mick Jagger se casar aos 81 anos! Entendo Ana Maria Braga, casando aos 76, completamente apaixonada. Preciso desse estado de maravilhamento, de surpresas, de carinhos. Detesto brigas, e talvez deteste ainda mais a sensação de não ser o centro da vida dele, ou, pelo menos, a prioridade.
Assim que me vejo como algo ordinário, me afasto, e a vida vai perdendo o brilho. Então entendo, na alma, a frase da atriz, de quem agora revelo o nome, Maria Flor: “Hoje não te amo”. Porque, como ela mesma disse, o amor é a construção da relação e, para mim, essa construção constante é o que mantém a magia viva.






