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Cultura, comportamento, noite e gente em São Paulo

Modelo e influenciadora com Síndrome de Down quebra tabus na moda e nas redes

Majú de Araújo participa de campanha para conscientizar que todos devem correr atrás de seus sonhos

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Por Sofia Patsch

Maria Julia de Araújo é um exemplo de como a sociedade está caminhando – a passos lentos, mas caminhando – para ser mais inclusiva. Aos 20 anos, Majú – como é conhecida – é a primeira modelo e influenciadora brasileira com Síndrome de Down a desfilar na Milão Fashion Week e na SPFW e uma referência global na luta pela representatividade.

Majú de Araújo em um de seus trabalhos como modelo profissional  Foto: Glauber Bassi

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Para celebrar o Dia Internacional da Síndrome de Down – comemorado dia 21 deste mês – a modelo participa de exposição de fotos e mensagens de conscientização e inclusão expostas em shoppings do Rio de Janeiro e de São Paulo. Confira a seguir.

Como surgiu a vontade de ser modelo?

É um sonho que vem desde criança. Mas foi em 2018 que as coisas começaram a acontecer. Nesse ano fui diagnosticada com uma meningite bacteriana e fiquei em coma. No meio do coma acordei e conversei com minha mãe sobre meu sonho de ser modelo. Isso acabou se tornando realidade depois de algumas semanas que me recuperei. No momento em que recebi alta fui estudar e investir na carreira, o que me deu a oportunidade de, no ano seguinte me formar e fazer a minha estreia em uma semana de moda, que foi a Brasil Eco Fashion Week.

Quais foram as maiores dificuldades e desafios que encontrou para chegar onde se encontra hoje?

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Por muito tempo e ainda hoje sofro com preconceitos por ser uma pessoa com Síndrome de Down, mas sempre entendi que tenho que ter orgulho da minha identidade. Ser uma pessoa com deficiência por si só já é muito desafiador, independente da carreira que escolhemos. Além dos preconceitos, também tive muitas dificuldades financeiras nesse processo. Outra dificuldade está relacionada a minha aparência física. As modelos de passarela são muito altas e bem mais magras do que eu, o que gera alguns problemas no ajuste das roupas. Mas de forma geral, estamos caminhando para uma indústria mais inclusiva e de representatividade. Sinto que as marcas estão mais abertas a aprender e acolher a diversidade.

Quem é sua rede de apoio?

Tenho pessoas muito especiais e importantes na minha vida, que são meus pais e irmãs. Se hoje alcancei lugares em que nunca imaginaram que eu estaria, é em parte por conta de todo o apoio delas, que sempre me motivam, me mostram que nada é impossível e estão sempre ao meu lado. Mas a rede de apoio não se limita só a nossa casa, ela se expande para as pessoas que me apoiam diariamente, seja através de novas oportunidades, nas parcerias incríveis ou nas redes sociais.

Além de você, conhece outras modelos com síndrome de down no mercado?

No Brasil sou a única modelo profissional, ainda! Nosso objetivo é mudar isso. No mundo a fora conheço algumas, ainda é um número baixo, mas importante para começarmos algo transformador no mercado da moda e da beleza.

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Dia 21 de março é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down. Vai participar de alguma ação de conscientização?

Em parceria com os Shoppings da Multiplan, iremos fazer a divulgação de alguns totens digitais com imagens e mensagens pelos shoppings do Rio e de São Paulo, com o intuito de demonstrar a importância de apoiarmos os sonhos de todos. Nosso objetivo é provocar um olhar mais atento para a importância da inclusão e de aprendermos com as nossas diferenças. Queremos que as pessoas enxerguem nossa presença na sociedade com mais naturalidade, com disposição para aprender sobre acessibilidade e com a consciência de que todos merecemos uma oportunidade de serem quem desejam ser./SOFIA PATSCH

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