EXCLUSIVO PARA ASSINANTES
Foto do(a) coluna

Cultura, comportamento, noite e gente em São Paulo

Selo do grupo editorial Record mira em diversidade nos romances para jovens adultos

A editora-executiva, Rafaella Machado, diz que quer contar histórias de amor entre mulheres, pessoas trans, PCD, gordas e cristãs em seus lançamentos

PUBLICIDADE

Foto do author Marcela Paes
Por Marcela Paes
Atualização:

“Pessoas gordas merecem protagonizar histórias de amor, pessoas PCD, pessoas trans…”. A frase de Rafaella Machado resume bem o que a editora-executiva busca implementar no comando do selo Verus, do grupo editorial Record.

Rafaella Machado, do grupo Record, segura retrato de seu pai, Sergio da Cruz Machado Foto: Carolina Fernandes

PUBLICIDADE

Depois de aumentar em sete vezes as vendas do Galera Record, Rafaella aposta na diversidade de protagonismo nos romances para jovens adultos, um dos nichos que mais cresce no mercado editorial de livros. O gênero, muitas vezes esnobado pela crítica, é, para Rafaella, uma paixão. “O segmento que mais forma leitores não é a literatura premiada, mas a de entretenimento. A que fala com as massas”, diz.

Parte da terceira geração da família que fundou a editora, a jovem conta que, hoje, “olhar para fora” da indústria do livro é uma de suas estratégias para alavancar o setor. Leia abaixo a entrevista com Rafaella:

Histórias com protagonistas mais diversos são uma exigência do público nos dias de hoje?

Sem dúvida nenhuma. Focar na diversidade é ampliar seus leitores. Pessoas gordas merecem protagonizar histórias de amor, pessoas PCD, pessoas trans, etc. Existem tantas histórias de amor que nunca foram contadas, estamos dando um foco para elas. A literatura reflete o momento histórico em que vivemos, e é um momento de ampliar pontos de vista, de pluralizar espaços culturais e narrativas múltiplas.

Publicidade

Muitos livros no nicho ‘young adult’ ganham fama no TikTok e Youtube, com booktubers falando sobre as obras. Diria que eles são uma parte importante nesse mercado?

Eu penso que o papel do editor mudou muito nos últimos dez anos. Antes, éramos o filtro que decidia o que seria lançado. Hoje, somos uma ponte que aproxima as histórias de seus leitores. Isso passa, sem dúvida alguma, pela construção de comunidades de leitores, e os booktokers e influenciadores literários são parte indispensável deste ecossistema. Com a migração das vendas para o online, é através das redes e dos diálogos com outros leitores que as pessoas conhecem novas obras, discutem livros favoritos, trocam fanarts, constroem e fortalecem laços entre si e com os livros e seus autores.

Você foi responsável por aumentar as vendas do Galera Record, outro selo da editora. Qual foi a sua estratégia?

Foram várias. Olhar para fora da indústria do livro é a principal. Como outras indústrias de entretenimento mudaram nos últimos tempos e como se comunicam com a nova geração que está aí. Quais pautas, quais sonhos e quais dores são importantes para eles? Eu não tenho um conjunto de respostas prontas, mas considero importante fazer as perguntas certas e ter a humildade para ouvir os leitores. Trazer eles para perto de forma sincera. Construir um catálogo junto com eles, em vez de apenas para eles. Isso foi o que tornou a Galera Record o maior selo jovem do país, aumentando em sete vezes seu faturamento. Agora, meu novo desafio é fazer isso com os romances na Verus, mirando para a geração um pouco mais velha que a geração Z, ou seja, os millenials, da qual me incluo.

Muitos autores trabalham no nicho de romances para jovens adultos. Como escolher quem lançar? Na sua opinião, o que faz uma obra desse tipo se destacar entre as outras?

Publicidade

A história sempre faz a obra se destacar. Nenhum autor é igual. Alguns focam muito na trama, outros na voz do protagonista. Alguns livros são incríveis pela ambientação, outros pelo diálogo. Tem autores que são verdadeiros superstars e bombam nas redes, e tem autores que são mais reservados, mas igualmente talentosos. Meu papel como editora é encontrar essas vozes e ajudar cada uma delas a falar mais alto e descobrir seu leitor. Brinco que cada autor meu precisa de uma Rafaella diferente. Para alguns, eu sou a editora que vai canetar o texto até ele ficar tinindo. Para outros, eu vou ajudar a bolar a estratégia de marketing que fará o lançamento se destacar. O legal de trabalhar com livros é que cada dia é diferente, porque cada livro é único. É difícil porque não existe um roteiro para o sucesso, mas justamente por não ter uma receita pronta, é um trabalho instigante, desafiador e muito necessário. O segmento que mais forma leitores não é a literatura premiada, mas a de entretenimento. A que fala com as massas. E essa é a minha paixão. Publicar o que vai ser talvez o primeiro livro na estante de um novo leitor.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.