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Cultura, comportamento, noite e gente em São Paulo

‘Sentir-se enganada é muito pior do que a traição em si’, afirma Deborah Secco

Atriz reflete sobre não monogamia, carnaval e diz que não malha há nove anos

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Por Paula Bonelli
Atualização:

Deborah Secco, 44, está se tornando uma voz em defesa das relações abertas. Casada há nove anos com o cineasta Hugo Moura, eles decidiram recentemente que podem ficar com outras pessoas. Deborah não se sente inferiorizada com o novo formato, tampouco sofre de ciúmes, diz que prefere desse modo e com cartas claras sobre a mesa. Ao mesmo tempo, a atriz encarna a personagem Lara na novela das seis da Rede Globo, Elas por Elas. A mocinha acredita no amor romântico e na trama foi traída várias vezes pelo par amoroso. “Eu percebi desde sempre que a monogamia não funciona na sociedade. É difícil ambas as partes serem fiéis. As relações não são monogâmicas, elas só são ditas assim”, afirmou à repórter Paula Bonelli.

Deborah Secco Foto: Nico Rocha


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Como tem sido desde que declarou publicamente que não tem mais uma relação monogâmica com o seu marido?

É surpreendente porque a estrutura social está toda organizada em cima de relações monogâmicas. Acredito que o relacionamento tem que passar por novos pactos e combinados diariamente. O que fazia sentido para mim há 10 anos, hoje não faz mais porque não sou a mesma pessoa. O casal precisa estar no auge da sua plenitude — ter muito afeto, muita confiança e parceria — para abrir a relação. Às vezes estamos num momento mais desconectado por falta de tempo e aí a gente fecha.

Quando percebeu que a monogamia não funcionava para você?

Percebi desde sempre que a monogamia não funciona na sociedade. É difícil ambas as partes serem fiéis. As relações não são monogâmicas, elas só são ditas assim.

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Você vê a traição ocorrendo na mesma proporção entre homens e mulheres?

Acho que para o homem muito mais. Ultimamente, nós mulheres entendemos que pode ser assim para gente também. O desejo e o interesse pelo outro é suscetível ao ser humano, independente do sexo. Antes havia menos mulheres trabalhando fora. Os homens tinham mais acesso a novas pessoas. Mas isso vem mudando e foi se abrindo também uma não monogamia para o lado da mulher. Quando se está convivendo com pessoas é inevitável que você vá cruzar com alguém interessante, e pode ocorrer um encantamento...

A traição é algo danoso?

A mentira é sim. Sentir-se enganado, desrespeitado, isso é muito pior do que a traição em si, pelo menos para mim, eu não tenho muito ciúmes. A pessoa estar com alguém não me agride, o que me ofende é a mentira, estar comigo, mas está pensando na outra, essa falta de cumplicidade. Nesses casos, parece que estou vivendo uma mentira, perdendo meu tempo ali.

A história de Lara, a sua personagem na novela Elas por Elas, dialoga com esse seu momento?

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A Lara é o clichê do romantismo, mas na verdade vem de uma relação completamente falida e frustrada. Ela jogou a vida inteira fora com um cara que teve nove amantes nos últimos anos e que para ela era o príncipe encantado, o melhor marido do mundo. Talvez a Lara não tenha feito todas as reflexões que eu, Débora, fiz. A gente é treinado a se mostrar perfeito para o outro.

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Você vai desfilar na diretoria da Salgueiro na Sapucaí hoje, como se sente na avenida?

Eu amo carnaval, me fantasiar. O Carnaval talvez seja a data mais importante do País. O Brasil precisa muito desse respiro, o brasileiro precisa muito ser feliz. Esse ano eu não desfilo como destaque. Venho na diretoria da escola porque não tenho tempo de ir até os ensaios e de prestigiar a escola como ela merece. Acho que todo mundo que se predispõe a ir desfilando mesmo tem que estar presente na quadra e se dedicar e saber sambar.

Foi depois da série “Confissões de Adolescente”, que você foi se tornando essa mulher estonteante?

As minhas personagens fizeram com que eu fosse olhada dessa forma e acabei virando essa mulher que não sinto que sou. Tenho uma beleza bem normal e uma genética privilegiada dentro do padrão estético que se intitulou bonito. O que me tornou mais linda é que tenho confiança de ser quem eu sou. Parei de malhar há nove anos, nunca mais consegui voltar. Achei que fiquei mais molinha. A perna não tão definida e tudo bem.

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Nos filmes Boa Sorte e Bruna Surfistinha, além de atriz, você entrou como produtora. Por quê?

Comecei a entender que não precisava depender de convites de terceiros, que podia ser dona um pouco da minha própria história e carreira. Quero produzir mais filmes que me interessem. Hoje, produzo minhas publicidades, minha vida digital. Tenho cada vez mais vontade de apresentar, a minha experiência no “Tá na Copa” foi muito legal, me diverti.

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