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Primavera Sound: 4 shows impecáveis e 1 decepção do festival na Argentina, que adianta edição de SP

Uma semana antes dos shows em Interlagos, saiba como é o grande show do The Cure, além de acertos de Carly Rae Jepsen, Beck e DOMi & JD Beck. Mas Pet Shop Boys frustram expectativa... Leia análise e veja vídeos

Por Amanda Cavalcanti
Atualização:

Seguindo a tradição iniciada no ano passado, em 2023 o Primavera Sound aconteceu na capital argentina de Buenos Aires em meio a um pacote latino que inclui São Paulo.

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O festival catalão, que chegará à sua 22ª edição em Barcelona no ano que vem, fez sua estreia na América Latina em 2022 (ele também acontece em Bogotá, na Colômbia) e neste ano sofreu significativas mudanças: apesar de uma diminuição considerável no lineup, que perdeu cerca de metade de suas atrações, o festival parece esperar um inchaço de público e mudou de casa em ambas as cidades.

Em São Paulo, ele deixou o Sambódromo do Anhembi para ir ao Autódromo de Interlagos, casa de outros megafestivais como o Lollapalooza Brasil e o The Town. Em Buenos Aires, o evento foi movido para o Parque Sarmiento, por onde passaram cerca de 55 mil pessoas por dia neste sábado (25) e domingo (26). No Brasil, ele acontece no sábado (2) e domingo (3).

A versão brasileira e a argentina contam com algumas diferenças na escalação – a maior delas sendo a falta dos britânicos Blur em São Paulo. Mas a maior parte do restante das apresentações também acontecerá no Autódromo no fim de semana que vem, então o Estadão escolheu os quatro melhores shows – e um que você pode passar.

Quatro shows imperdíveis

The Cure se apresenta no Primavera Sound em Buenos Aires, Argentina Foto: Mazza/PrimaveraSoundBuenosAires/Divulgação

The Cure

A ópera de duas horas e meia do The Cure, que os britânicos apresentaram no Brasil há dez anos, continua soando tão bonita quanto da última vez.

O grupo não lança um disco de inéditas desde 2008, quando soltaram seu décimo terceiro álbum, 4:13 Dream. Mas isso não impediu que o sexteto, que já passou a marca dos quarenta anos de banda, trouxesse algumas novidades para a mesa. Faixas como Alone e And Nothing Is Forever, que serão partes do novo disco do grupo a ser lançado em 2024, figuraram no setlist de quase trinta músicas.

Mas os momentos mais emocionantes, tanto pela performance da banda quanto pela reação do público, seguem sendo os de grandes hits como Pictures of You e Close to Me. A voz de Robert Smith que, do alto de seus 64 anos, soa como se ele ainda tivesse 20, parecia ser acompanhada por cada um na plateia de 55 mil pessoas que foram ao primeiro dia de Primavera Sound em Buenos Aires.

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Também pelo show fica claro o grande trunfo do The Cure: escrever canções de amor como poucos fizeram desde então – destaque para Lovesong e, é claro, a clássica Friday I’m In Love.

Carly Rae Jepsen se apresenta no Primavera Sound em Buenos Aires, Argentina Foto: Mora Alarcon/PrimaveraSoundBuenosAires/Divulgação

Carly Rae Jepsen

A loirinha – não essa que você está pensando – encantou o público no palco Primavera com seu pop açucarado.

Com um show que acompanhou o pôr do sol, Carly Rae apresentou um setlist inspirado majoritariamente na dupla de álbuns lançados por ela em 2022 e 2023, respectivamente – The Loneliest Time e The Loveliest Time.

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A falta de hits durante grande parte do show pop foi um pouco desconcertante, mas a cantora conseguiu dar a volta por cima com Call Me Maybe, lançada em 2012 e, até agora, sua maior aparição no mainstream. O público acompanhou com vigor a performance animada da canadense, que conquistou um dos maiores coros do festival com a canção.

A banda, formada por guitarra, baixo, bateria e backing vocals, também mostrou sintonia e formou bons arranjos para as faixas oitentistas de Carly Rae. Um show que – assim como o som de Carly Rae – é simples e sem grandes fórmulas, conquista com o carisma e a doçura.

black midi

Com a capa de seu último álbum Hellfire ao fundo, e dispostos em fileira sobre o palco, o quarteto black midi faz um show dinâmico e virtuoso de rock.

A banda começou em 2017 em Londres e faz parte de um novo movimento do rock inglês que, ao lado de bandas como Squid e Black Country New Road, resgata vertentes mais abstratas e experimentais como o pós-punk e o krautrock.

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No primeiro dia de Primavera, sob um sol ainda pesado das cinco da tarde, a banda apresentou seus longos temas para uma plateia que já se amontoava em frente aos palcos principais para assistir ao The Cure naquela noite. Os guitarristas Geordie Greep e Cameron Picton, que se revezam nos vocais, fazem uso da variedade dentro das músicas da banda – às vezes mais lentas, às vezes mais rápidas, às vezes quietas e às vezes barulhentas – para animar o público.

Os riffs quebrados do quarteto podem parecer esquisitos para quem está acostumado aos excessos do rock de arena, mas vale à pena abrir a mente para o som complexo do black midi.

Beck

Ao contrário dos headliners mais jovens do ano passado, como Charli XCX, e Travis Scott, os artistas com longas carreiras roubaram a cena no lineup do Primavera Sound Buenos Aires 2023. Além de The Cure e Blur, o americano Beck, ativo desde 1993, também foi uma das principais apresentações.

A impressão poderia ser a de que a seleção dos artistas estava um pouco ultrapassada, mas o cantor e compositor foi um dos que provou que um lugar no palco de um grande festival ainda é seu por direito e fez um showzão que agitou a cheia plateia do segundo dia de Primavera, que já aguardava por Pet Shop Boys e Blur.

Beck tem um som dinâmico e excêntrico, que mistura seu habitual rock alternativo com folk e hip hop, dando um dinamismo e energia extra à sua performance no palco. Acompanhado por sua banda, e com a participação especial de Damon Albarn do Blur na faixa The Valley of Pagans, que gravou com o Gorillaz, o cantor apresentou novos e velhos hits – e, claro, fez o público todo cantar com a famosa Loser.

Um show decepcionante

Pet Shop Boys se apresenta no Primavera Sound em Buenos Aires, Argentina Foto: Mora Alarcon/PrimaveraSoundBuenosAires/Divulgação

Pet Shop Boys

Penúltima apresentação dos palcos principais no domingo de Primavera Sound Buenos Aires, a performance do Pet Shop Boys me lembrou em partes o show do Underworld no C6 Festival em São Paulo, em maio de 2023. Ambos são, afinal, duos britânicos que fizeram sua carreira no pop eletrônico e contam com apenas um sintetizador e um vocal para suas apresentações ao vivo.

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A diferença, no entanto, para a envolvente apresentação do Underworld foi a empolgação da dupla e a qualidade no som. A segunda pode ser culpada talvez na organização do Primavera Sound, e não nos artistas, mas de qualquer forma a falta de volume e de força nos graves e batidas foi prejudicial para os britânicos.

A quantidade de hits oitentistas não foi o bastante para segurar a apresentação da dupla, que encontrou um público morno e sem força para dançar até as faixas mais famosas como como West End Girls e Always On My Mind. O show parecia bem ensaiado, com efeitos de luz e cenário, mas o Pet Shop Boys falhou em traduzir suas extravagâncias para uma apresentação que se comunicasse com a plateia.

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