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‘Lacta e Bis nasceram no Brasil, mas queremos levar para outros países’, diz CEO da Mondelez

Executivo diz que o grupo está investindo R$ 1 bilhão em suas duas fábricas no País para aumentar a produção; empresa fez parceria com o clube de futebol São Paulo para dar nome ao estádio que agora se chama MorumBis

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Por Márcia De Chiara
Atualização:
Foto: TABA BENEDICTO/ ESTADAO
Entrevista comMariano LozanoPresidente da Mondelez para América Latina

Há dois anos na presidência da Mondelez para América Latina, depois de 18 anos à frente da Danone, Mariano Lozano está animado com o potencial de mercado da região e também com a parceria firmada com o São Paulo Futebol Clube. O estádio do Morumbi, agora MorumBis, vai carregar por três anos em seu nome uma das marcas mais importantes da companhia no País.

Na última quinta-feira, 29, em visita ao Brasil e antes da inauguração oficial do Morumbis, Lozano conversou com o Estadão. Ele falou do potencial da operação da América Latina como o motor de crescimento da companhia, superando a média global do grupo, como já foi em 2023. Também deixou escapar planos de longo prazo.

No biênio 2023/ 2024, o grupo está investindo R$ 1 bilhão em suas duas fábricas no País. A maior fatia será na unidade de Vitória de Santo Antão (PE), para aumentar em 50% a capacidade de produção de Bis, Sonho de Valsa e Ouro Branco.

Segundo Lozano, o investimento no aumento da capacidade é para atender o mercado local, mas, no futuro, provavelmente outros países da América Latina. “Marcas como Lacta ou Bis nasceram no Brasil e a gente está tentando levar esse modelo de negócio para outros países.”

Ele lembrou também que o negócio de patrocinar o Morumbi por três anos, cuja cifra de R$ 75 milhões ele não confirma, eleva a marca Bis para outro patamar por conta dos eventos importantes que o estádio sedia. “Se pegarmos o exemplo do futebol, continuamos jogando o jogo em outra liga. Você pode competir no torneio local, depois na copa Libertadores (da América) e na Premier League.” A seguir, os principais trechos da entrevista.

Mariano Lozano, presidente da Mondelez para América Latina, diz que acordo com São Paulo Futebol Clube para assinar o nome do estádio fez a marca Bis mudar de patamar Foto: TABA BENEDICTO/ ESTADAO

Quais são os planos da Mondelez para América Latina?

O plano para América Latina é ser o motor do crescimento da companhia.

Como foi o desempenho da América Latina no ano passado?

A companhia inteira cresceu 14,7% (com receitas líquidas de US$ 36,6 bilhões) e os mercados emergentes cresceram 39%. Se descontarmos a inflação da Argentina, a América Latina cresceu 18,7%. A Europa cresceu 12,6% e a América do Norte, 14,4%. Em 2020, a participação da América Latina era por volta de 10% da receita, hoje está mais próximo de 15%. O foco da América Latina é trazer crescimento sustentável, rentável e acima da média da companhia.

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Por quê?

Porque nos mercados emergentes há mais oportunidades do que nos mercados desenvolvidos, tanto na América Latina como na região Ásia Pacífico, Oriente Médio e África. Tem um portfólio que mistura marcas globais (Milka, Oreo, Toblerone), mas também de marcas locais (Bis e Lacta, no Brasil). Crescimento para nós é maior investimento em nossas marcas. Se a gente cresceu mais de 30% na América Latina, investimos 40% a mais em nossas marcas, em marketing, no comercial. Ainda há uma oportunidade na América Latina de continuar aumentando a distribuição no varejo, especialmente no pequeno varejo. Há na América Latina 3,4 milhões de pontos de venda e estamos presentes em 2,4 milhões. Quando combinarmos investimentos nas marcas globais, em marcas locais, melhoramos a distribuição e investimos em fábricas, enxergamos um crescimento ainda maior do que a média da companhia.

Esse crescimento será só orgânico?

Também somos bem ativos para ver se há algum negócio que complementa o nosso na geografia, no canal, no portfólio com alguma marca ou traga algum diferencial que a gente não tenha. Se tiver um preço justo, a gente conversa.

Qual o orçamento para ir às compras este ano?

Não temos orçamento. Metade do crescimento virá por aquisições. Temos uma virada para concentrarmos 80% do nosso negócio na América Latina em chocolate, biscoito e snacks assados, porque são as categorias que estão crescendo mais. Em categorias relevantes ou em mercados que sejam prioritários, se houver um negócio complementar e que esteja num preço justo, a gente conversa.

Qual a importância do Brasil?

O Brasil tem hoje por volta de um terço do total (da receita) da América Latina, entre 33% e 35%. Em novembro de 2022, fizemos uma aquisição no México, compramos o negócio de balas do Grupo Bimbo. Com isso, mais que dobrou o tamanho do México. Historicamente, o Brasil representava quase a metade da operação na América Latina. Mas isso não quer dizer que o Brasil perdeu importância ou despencou, porque continuamos crescendo. Hoje tanto o Brasil como o México estão entre as cinco maiores unidades de negócio da companhia, são muito relevantes para a Mondelez.

Fábrica da Mondelez em Curitiba Foto: Modelez/Divulgação

Quanto será investido na América Latina?

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Se olharmos o Brasil, entre 2023 e 2024, estamos colocando R$ 1 bilhão nas fábricas. O investimento maior é na fábrica de Vitória de Santo Antão (PE) para aumentar em 50% a capacidade de Bis, Sonho de Valsa e Ouro Branco. Estamos incrementando em 20% a capacidade de produção de chocolates na fábrica de Curitiba (PR). Curitiba é a maior fábrica de chocolates da Mondelez do mundo. Produz chocolate, biscoito, suco em pó. Vitória de Santo Antão é a terceira maior fábrica do mundo do Grupo em complexidade e ainda estamos investindo para acompanhar o crescimento. Do total produzido nessas duas fábricas, normalmente exportamos 10%, principalmente para mercados da América Latina.

A Mondelez tem muitas marcas, no Brasil são 25. Como é administrar esse grande número?

Temos um portfólio (de marcas) importante porque atuamos em várias categorias. Hoje as maiores marcas para nós são Lacta, Oreo, Club Social, Tang, Trident e Bis. Mais de 80% do negócio está nessas marcas.

E as outras marcas, há intenção de vendê-las?

Não. Temos de ter um portfólio de marcas que investimos mais e marcas que mantemos. É um portfólio forte, com uma boa combinação de marcas fortes locais e também alavancando a experiência de marcas fortes globais. Oreo é uma marca que ainda tem oportunidade no Brasil. Marcas como Lacta ou Bis nasceram no Brasil e a gente está tentando levar esse modelo de negócio para outros países. Estamos investindo também em Vitória de Santo Antão (PE) em capacidade para poder produzir para outros países da América Latina. Outros países da América Latina poderiam estar interessados nessa plataforma de produto.

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Para quando seria isso e para quais países?

Primeiro tem de investir, produzir e continuar no Brasil. Hoje é muito importante para Bis continuarmos investindo para podermos crescer ainda mais a marca.

Bis ganhou os holofotes depois de batizar o estádio do São Paulo Futebol Club?

Bis é uma marca muito importante, a terceira no portfólio do Brasil. Lacta é a maior marca.

Qual o balanço inicial do acordo para renomear o estádio do Morumbi para Morumbis? Qual foi a cifra paga ao São Paulo Futebol Clube?

É uma parceria de três anos e não revelamos valores. O começo foi muito bom. Dez dias atrás iniciamos a publicidade. O filme (comunicando a troca de nome do estádio) foi ao ar nas redes sociais no dia 20 de fevereiro e foram mais de 40 milhões de visualizações, com uma grande quantidade de comentários positivos. Acho que a pegada de colocar um “S” a mais no Morumbi (que agora se chama Morumbis) foi uma sacada bem importante. Se pegarmos o exemplo do futebol, continuamos jogando o jogo em outra liga. Você pode competir no torneio local, depois na copa Libertadores (da América) e na Premier League. O estádio do Morumbi tem muitos eventos importantes. A parceria, para nós, é como jogar em outra liga e levar o Bis (a marca) para outro patamar.

Como a empresa está tratando a questão da saudabilidade dos produtos que fábrica?

Somos uma companhia de snack e snack tem um componente de indulgência e tem um componente de alimentação. Temos de ter um leque de opções para o consumidor: de embalagens maiores e menores, glúten free, zero açúcar. Por outro lado, produzimos o nosso produto com ingredientes certos. A marca Lacta tem o compromisso de até 2025 usar só o cacau que seja fornecido 100% por produtores locais certificados no nosso programa Cocoa Life. O programa acompanha as boas práticas de agricultura de 1.800 produtores de cacau. Começamos em 2022 e estamos bem avançados para cumprir a meta.

Qual é a perspectiva de vendas para o mercado de consumo brasileiro em 2024, diante do recuo da inflação?

Já recuperamos o patamar de consumo que a gente tinha antes da pandemia. Acreditamos que vamos continuar crescendo duplo dígito a receita em 2024. Em 2023 tivemos duplo dígito de crescimento no Brasil (não revelamos quanto), puxado por uma fatia de preço e mix e não tanto volume. Daqui para frente será mais volume. Estamos presentes em 92% dos lares brasileiros com alguma marca relevante da Mondelez. O Brasil tem 1,2 milhão de pontos de venda, incluindo 400 mil bares. Estamos presentes em 800 mil pontos de venda. Temos ainda oportunidade de continuar crescendo o número de pontos de venda, mas tem muito mais oportunidade de vendermos mais produtos nos pontos de venda onde já estamos. Hoje vendemos entre 11 ou 12 referências de produtos em cada ponto de venda e poderíamos vender mais.

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