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Furor com inteligência artificial nos EUA leva bolsa americana à maior alta em quatro décadas

Expectativa é de que avanços no setor de tecnologia se prolongue pelos próximos meses

Foto do author Aline Bronzati
Por Aline Bronzati (Broadcast)
Atualização:

Nova York, 06/07/2023 - De segundo escalão ao assunto de primeira ordem em Wall Street e no mundo. O boom de apostas em torno do setor de inteligência artificial (IA) após o advento do ‘ChatGPT’ levou a Nasdaq, bolsa que concentra os grandes nomes da tecnologia, ao melhor desempenho semestral desde a década de 1980. Tamanho furor permitiu à Nvidia, fabricante de chips para IA e para jogos, entrar para o seleto grupo de companhias que valem US$ 1 trilhão (R$ 4,8 trilhões), e ganhar musculatura para a corrida que este setor deve vivenciar na próxima década, e que tem competidores de peso como Microsoft, Google, Samsung e outros.

A expectativa de operadores em Wall Street é de que o momento ‘bull market’, ou seja, de alta, no setor de tecnologia não só se estenda, mas seja ainda mais forte nos próximos meses, catapultado pelas expectativas em torno da revolução que a IA pode fazer em diferentes segmentos - e a monetização disso. No primeiro semestre, o Nasdaq acumulou ganhos de 32%, no melhor início do ano da história em quatro décadas.

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“O ChatGPT e a IA levarão a uma revolução de produtividade, apoiando os lucros da empresa agora e no futuro”, projeta Mark Haefele, diretor de investimentos do UBS Wealth Management, braço de grandes fortunas do banco suíço, com US$ 5 trilhões sob gestão.

Tanto é que o próprio S&P 500, que reúne as maiores empresas listadas dos EUA, também foi ‘contaminado’ pelo ‘efeito ChatGPT e IA Generativa”. O índice acumulou ganhos de 15,9% no primeiro semestre, o melhor desempenho para o período desde 2019. Se excluído o furor da inteligência artificial, tal desempenho cairia para apenas um dígito, segundo cálculos de operadores em Wall Street.

Inteligências artificiais generativas como o ChatGPT foram destaques no setor de tecnologia no primeiro semestre de 2023 Foto: Gerd Altman / Pixabay / Banco de Imagens

Apesar do temor quanto aos efeitos em diferentes aspectos, dentre eles, no mercado de trabalho, a leitura é de que a AI é uma tecnologia transformadora e com potencial de monetização em diferentes segmentos. Fundada em abril de 1993, em Santa Clara, nos Estados Unidos, a Nvidia é um exemplo de poder transformação. A empresa entrou no seleto time das companhias trilionárias porque os chips que fabrica são líderes no processamento dos cálculos complexos, base do uso da inteligência artificial.

O salto da fabricante de chips de Santa Clara desencadeou uma busca desenfreada por investidores, analistas e operadores para a ‘próxima Nvidia’. Estimativas do braço global de grandes fortunas do UBS sugerem que o mercado de AI Generativa vai dar um salto de menos de US$ 1 bilhão para US$ 3 bilhões nos próximos três anos.

Depois de lamentar não ter entrado nas ações da empresa antes, o time de tech do Itaú BBA dedicou os últimos meses a estudar o setor de IA. “Desde o início de dezembro, quando a OpenAI lançou seu ‘aplicativo matador’ ChatGPT, os investidores estão com pressa para entender as consequências dessa nova ferramenta”, dizem os analistas do banco, Thiago Alves Kapulskis, Cristian Faria e Gabriela Moraes, em relatório recente.

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Segundo eles, quem colhe os primeiros louros sempre que uma nova tecnologia se torna popular geralmente está no nível da infraestrutura como, por exemplo, fabricantes de semicondutores e hardware. O problema, explicam, é que nos últimos 15 anos ou mais, esses setores tiveram baixo desempenho quando comparados com software e internet, ficando mais esquecidos ou pouco explorados pelo universo de analistas.

Para além da Nvidia, o boom da AI acendeu os holofotes para empresas com algum espectro de relação com o segmento. Um dos exemplos é a americana AMD, que recentemente revelou planos de um chip, avançando no terreno da concorrente. Para o Itaú, na linha de frente, estão ainda empresas como a TSMC, de Taiwan, a Samsung, dentre outras.

Em Wall Street, o nome visto como o mais bem posicionado para triunfar com o boom da IA é o da gigante Microsoft. No ano, suas ações acumulam ganhos de mais de 40% na Nasdaq, garantindo com folga o segundo lugar em maior valor de mercado, com US$ 2,5 trilhões, atrás somente da Apple, que acaba de cruzar a fronteira dos US$ 3 trilhões.

“A Microsoft está na pole position quando a corrida da inteligência artificial Generativa começar”, escreveu o Morgan Stanley, em relatório intitulado ‘O próximo US$ 1 trilhão - Estruturas para monetizar a IA”. O banco americano elencou a gigante como a sua principal escolha em empresas de grande capitalização no segmento de software e elevou o preço-alvo de US$ 335 para US$ 415. Atualmente, as ações da Microsoft são negociadas em torno de US$ 340, o que abre um potencial de mais de 20% de alta no próximo ano.

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Com tantas modas que vão e vem no universo dos investimentos, a principal pergunta que surge é se o entusiasmo pela IA gerada se justifica na própria tecnologia, diz a diretora de investimentos da UBS Global Wealth Management para a região da Ásia Pacífico, Min Lan Tan. “A resposta é curta: sim”. “É uma tecnologia fundamental, transformadora que agora está provando que tem aplicações comerciais no mundo real”, acrescenta.

No entanto, como qualquer investimento, há riscos. O mais significativo no horizonte é o geopolítico, alerta o Itaú. A conturbada relação diplomática entre os EUA e a China é o principal exemplo. ‘The Wall Street Journal’ revelou nesta semana que a administração do democrata Joe Biden considera novas restrições às exportações de chips de IA para a China em resposta à última ofensiva do país asiático na guerra dos semicondutores.

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