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IPCA-15 acelera em fevereiro e fica em 0,76%, segundo o IBGE

De acordo com o instituto, alta da inflação foi puxada principalmente pelos custos mais altos com educação

Por Daniela Amorim (Broadcast) e Daniel Tozzi Mendes
Atualização:

Os reajustes das mensalidades escolares no início do ano letivo pressionaram a prévia da inflação oficial no País em fevereiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) acelerou de 0,55% em janeiro a 0,76% neste mês, taxa mais elevada desde abril do ano passado, informou nesta sexta-feira, 24, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O economista Felipe Rodrigo de Oliveira, da gestora de recursos MAG Investimentos, projeta que o IPCA no encerramento de fevereiro fique próximo de 0,85%, devido aos aumentos acima do esperado em educação e à persistência da inflação de serviços. Ele calcula que o índice de difusão de serviços, que mede a proporção de itens pesquisados com aumentos de preços, passou de 56,9% em janeiro para 80% no IPCA-15 de fevereiro, “o que mostra que a inflação desse setor não vai ceder tão rápido neste ano”, afirmou Oliveira.

“Isso também mostra o tamanho do desafio que o Banco Central tem pela frente, de trazer a inflação para o centro da meta”, acrescentou o economista da MAG Investimentos.

Oito dos nove grupos de produtos e serviços que integram o IPCA-15 registraram altas de preços em fevereiro. O único com redução foi Vestuário, -0,05%.

Gastos com educação puxaram o IPCA-15 de fevereiro.  Foto: Tiago Queiroz/Estadão

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Os gastos das famílias brasileiras com Educação passaram tiveram uma elevação de 6,41% em fevereiro, respondendo por quase metade da inflação do mês. Os cursos regulares aumentaram 7,64%, devido aos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. Houve elevação nos gastos com o ensino médio (10,29%), ensino fundamental (10,04%), pré-escola (9,58%), creche (7,28%), ensino superior (5,33%), curso técnico (4,50%) e pós-graduação (3,47%).

Os custos de Habitação também subiram (0,63%), puxados pelo encarecimento do aluguel residencial, condomínio, taxa de água e esgoto, gás encanado e energia elétrica. Já os preços de alimentos (0,39%) e transportes (0,08%) subiram menos.

A queda de 9,45% nos preços das passagens aéreas desacelerou o ritmo de alta de transportes em fevereiro. Todos os combustíveis também recuaram: etanol (-1,65%), gás veicular (-1,59%), óleo diesel (-0,59%) e gasolina (-0,04%). Na direção oposta, emplacamento e licença subiram 1,62%, incorporando a fração mensal do IPVA de 2023. Houve aumentos também nos ônibus urbanos, trem e táxi.

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Em alimentação, foram registrados aumentos na cenoura, hortaliças e verduras, leite longa vida, arroz e frutas. Por outro lado, houve redução nos preços da cebola (-19,11%), tomate (-4,56%), frango em pedaços (-1,98%) e carnes (-0,87%).

Na avaliação da economista Tatiana Nogueira, da XP Investimentos, o resultado do IPCA-15 de fevereiro mostra viés de alta para o custo da alimentação no domicílio, mas os combustíveis surpreenderam negativamente. A XP Investimentos projeta que a inflação fechada de fevereiro seja de 0,70%. Para 2023, a corretora manteve a projeção de IPCA de 5,70%, quase 1 ponto porcentual acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que tem como limite superior de tolerância uma alta de 4,75%.

Para o economista Fabio Romão, da LCA Consultores, as altas esperadas nos custos de Educação e de Saúde sinalizam que o IPCA suba 0,77% em fevereiro, encerrando o ano de 2023 em 5,7%.

O IPCA-15 acumulado em 12 meses desacelerou de 5,87% em janeiro para 5,63% em fevereiro.

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