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Presidente do Conselho de Administração do Bradesco

Opinião|Crescimento econômico e Plano Real

O sucesso do Real prova que o diálogo e a negociação entre os Poderes podem criar as condições necessárias para uma visão orientada ao crescimento

Foto do author Luiz Carlos Trabuco Cappi

Ao completar 30 anos de seu lançamento, percebemos que o Plano Real mantém lições pertinentes e capazes de sustentar o surgimento de um novo projeto, agora voltado ao crescimento econômico. Bem-sucedido, o Real foi resultado de um consenso entre a sociedade, a classe política, o governo e os agentes econômicos, pela necessidade de debelar uma inflação que atingia taxas estratosféricas.

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O IBGE divulgou, há duas semanas, os números do PIB de 2023. As previsões iniciais de um crescimento anêmico, de 0,8%, foram superadas pelo resultado final de 2,9%. A surpresa positiva ressalta ainda mais a oportunidade que o Brasil tem de trabalhar para avançar na sua taxa de PIB potencial.

São dois fatos separados pelo tempo e importância histórica, mas estão sincronizados por um sentimento de urgência. Assim como no Plano Real, podemos agora construir um acordo com a mesma amplitude política e econômica em favor do desenvolvimento sustentável e duradouro.

O gradualismo, o diálogo e a negociação entre os Poderes podem criar as condições para uma visão orientada ao crescimento, sem populismos de curto prazo. O sistema de metas de inflação, o câmbio flutuante e a responsabilidade fiscal são pilares robustos e dão sustentação ao equilíbrio macroeconômico brasileiro.

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A capacidade de crescer do Brasil é evidente. Mesmo com as dificuldades do cenário global, somos uma das dez economias que mais cresceram no mundo no ano passado. Há mais dados relevantes. O total de ocupados bateu 100 milhões de pessoas e a massa salarial aumentou. A balança comercial superou US$ 98 bilhões. A bolsa de valores bateu recordes de alta. A reforma tributária, que estava sendo debatida há décadas, foi aprovada.

O setor agropecuário foi o propulsor do PIB, crescendo 15,1%. O clima e os preços internacionais das commodities explicam esse crescimento, mas o maior responsável foi o dinamismo do empresariado do setor e o apoio do governo, com destaque para a Embrapa.

O Real foi resultado de um consenso entre a sociedade, a classe política, o governo e os agentes econômicos, pela necessidade de debelar uma inflação que atingia taxas estratosféricas. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O desenvolvimento de um país é feito degrau a degrau. No ano que passou, o Brasil saltou vários. Respeitadas as diferenças políticas de cada tempo, é possível o País avançar, 30 anos depois do Plano Real, na construção de um novo consenso. Foi o que se viu, no ano passado, com o sucesso da agenda de reformas no Congresso.

Os indicadores mostram que o esforço é recompensado. O amplo diálogo em torno de projetos virtuosos é o único caminho para criar uma agenda positiva para o Brasil.

Opinião por Luiz Carlos Trabuco Cappi

Presidente do Conselho de Administração do Bradesco

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