Publicidade

Mercado desconfia da venda da Eletrobrás e ações caem

Moreira Franco assume ministério nesta terça-feira e para mostrar que quer vender já nomeou secretário que é a favor da privatização

As ações da Eletrobrás caíram nesta segunda-feira, 9, pelo segundo dia consecutivo, num sinal que o mercado desconfia dos rumos do programa de privatização, apesar das afirmações do futuro ministro de Minas e Energia, Wellington Moreira Franco, que nada mudará.

A saída do ex-secretário executivo da pasta Paulo Pedrosa, um nome da preferência do setor, ocorrida na sexta-feira, ainda alimenta temores sobre o rumo das políticas da pasta. Eles foram reforçados nesta segunda pelo pedido de demissão do presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Luiz Barroso.

Moreira Franco assume ministério nesta terça-feira e para mostrar que quer vender já nomeou secretário que é a favor da privatização Foto: André Dusek/Estadão

PUBLICIDADE

No esforço de mostrar que haverá continuidade, Moreira Franco disse ao Estado que escolheu Márcio Félix, atual secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis, para ser seu secretário executivo. Ele integrava a equipe do ex-ministro Fernando Coelho Filho e tem uma atuação bem avaliada pelo setor.

+ TUDO SOBRE ELETROBRÁS NO 'ESTADÃO'

A informação, dada no início da tarde, não evitou que as ações da estatal terminassem o dia em queda. Os papéis com direito a voto tiveram redução de 9,56%, para R$ 18,36, enquanto as ações preferenciais perderam 6,74%, para R$ 22,01. Na última sexta-feira, as ações ordinárias já tinham tido queda de 9,17% e as preferenciais, de R$ 8,17%. Segundo analistas, há preocupação com as dificuldades que o governo vem enfrentando no processo.

As regras para a privatização ainda dependem de aprovação do Congresso Nacional, onde até a base governista reluta em discutir o assunto. Além disso, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Benjamin Zymler levantou dúvidas quanto à constitucionalidade da operação. Já o projeto de lei sobre a reforma no marco regulatório, que também contém temas que dão suporte à privatização, sequer saiu da Casa Civil.

Executivos do setor elétrico estão preocupados com o futuro da agenda setorial. O receio é que, com baixas de nomes técnicos, seja formado um time "mais político". Um executivo que pediu anonimato se disse frustrado pelo fato de não ter sido adotada, no Minas e Energia, a sucessão por técnicos da pasta como ocorreu, por exemplo, na Fazenda e no Planejamento, onde os secretários executivos assumiram o comando dos ministérios.

Publicidade

Para se contrapor a essas avaliações, Moreira Franco disse ontem que a privatização da Eletrobrás foi viabilizada pela atuação do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que ele comanda. O PPI coordena as privatizações e concessões do governo de Michel Temer. A dúvida do mercado é se, mesmo com essas credenciais, ele comprará brigas políticas para seguir com o programa. 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.