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Mudanças climáticas podem desestabilizar economia e sistema financeiro da Europa, diz BCE

Segundo pesquisa, bancos estão expostos às mudanças climáticas porque cerca de 75% dos empréstimos da zona do euro são para empresas dependentes de pelo menos um serviço ecossistêmico

Por Caroline Aragaki

A degradação da natureza e as mudanças climáticas podem desestabilizar a economia da Europa e o sistema financeiro, segundo resultados preliminares de uma pesquisa do Banco Central Europeu (BCE). A informação consta em artigo do dirigente da instituição Frank Elderson.

“Se a degradação da natureza continuar, as atividades econômicas dependentes dos serviços ecossistêmicos serão afetadas por questões como interrupções na cadeia de suprimentos que afetam os preços e, por fim, a inflação. Além disso, a redução do volume de negócios pode resultar em inadimplência e, consequentemente, em perdas para as instituições que emprestam a essas empresas. Isso pode levar a preocupações com a estabilidade financeira”, afirma Elderson.

Segundo ele, os bancos estão claramente expostos às mudanças climáticas. Isso porque cerca de 75% dos empréstimos bancários da zona do euro são para empresas altamente dependentes de pelo menos um serviço ecossistêmico, como alimentos, água potável, madeira e minerais; proteção contra riscos naturais; ou absorção e armazenamento de carbono pela vegetação.

Levantamento do BCE envolve mais de 4,2 milhões de empresas Foto: Ralph Orlowski/Reuters

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Além disso, a possibilidade de escassez de produtos naturais pode levar a choques de oferta para a indústria farmacêutica ou a destinos menos atrativos para o turismo. “Na minha opinião, se não considerarmos o clima, o ambiente, a biodiversidade e os aspectos relacionados com a natureza, estaríamos falhando no cumprimento do nosso mandato”, diz o dirigente do BCE, em entrevista publicada no site da autarquia.

O levantamento do BCE envolve mais de 4,2 milhões de empresas, que somam cerca de 4,2 trilhões de euros (R$ 22,06 trilhões, na cotação atual) em empréstimos corporativos, e deve ser detalhado ainda em 2023.

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