Petrobras toma calote e suspende serviço de suporte e apoio em refinaria privatizada, diz sindicato

Estatal confirmou interrupção devido a descumprimento de obrigações contratuais; segundo sindicato, calote é de cerca de R$ 140 milhões

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Por Denise Luna
Atualização:

RIO - A Petrobras suspendeu serviços de suporte administrativo e de apoio técnico a uma refinaria privatizada conhecida como SIX, no Paraná, após a dona do local, a Forbes Resources Brazil Holding, descumprir obrigações contratuais.

A informação foi confirmada pela estatal após ter sido divulgada pela Federação Única dos Petroleiros (Fup). Os funcionários da petroleira foram comunicados da suspensão dos serviços no local.

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A companhia informou em nota que “a prestação de serviços pela Petrobras seguirá suspensa até que se chegue a uma solução de comum acordo, com base nas tratativas que seguirão entre as partes”.

“A Petrobras reforça que, mesmo neste período de suspensão dos serviços administrativos e de apoio direto à operação, continuará adotando todas as medidas sob sua responsabilidade para garantir a máxima segurança das pessoas e das instalações na qual atua em São Mateus do Sul”, disse a estatal em documento ao qual o Estadão/Broadcast teve acesso.

Informação foi divulgada primeiramente pela Federação Única dos Petroleiros Foto: Marcos de Paula / Estadão

Segundo o coordenador-geral da Fup, Deyvid Bacelar, “é mais um escândalo que ocorre na SIX”, onde a Petrobras estava prestando serviços para a Forbes e “não estava sendo paga”. “O que demonstra a incapacidade financeira e operacional desse grupo que comprou a refinaria do Paraná na bacia das almas”, disse Bacelar em nota.

Segundo ele, o calote dado pela empresa canadense é estimado em cerca de R$ 140 milhões, o que levou a Petrobras a suspender as atividades do contrato, cujo valor não foi confirmado pela estatal.

A SIX foi privatizada em novembro de 2022, ao apagar das luzes do governo Bolsonaro. A unidade foi comprada pelo grupo canadense Forbes & Manhattan (F&M). Pelo contrato, a Petrobras seguiria administrando a unidade até que a nova empresa constituída (Paraná Xisto) pudesse operar sozinha. Enquanto isso, a Petrobras seria remunerada pelo trabalho, o que não ocorreu.

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De acordo com o advogado Angelo Remédio, da Advocacia Garcez, “esse cenário de quebra de contrato do grupo canadense é mais uma base para agir juridicamente e reverter essa privatização”, afirmou em nota da Fup.

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