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Prévia industrial indica desaceleração na China

Por CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE e PEQUIM

Depois de resultados piores que o esperado em abril, a China continuou a desacelerar em maio, com nova retração na atividade industrial, numa indicação de que a expansão do PIB no segundo trimestre será inferior aos 8,1% de janeiro a março.O índice que mede a atividade industrial caiu além da expectativa dos analistas e atingiu o menor nível em cinco meses. Divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas, o Índice de Compra de Gerentes (PMI, na sigla em inglês) recuou para 50,4 pontos no mês passado, uma retração acentuada em relação aos 53,3 pontos de abril. Apesar da queda, o resultado ficou ligeiramente acima dos 50 pontos que separam o território de expansão da contração industrial. O PMI oficial cobre principalmente grandes empresas, a maioria das quais são estatais.Indicador calculado pelo HSBC também teve queda em maio e atingiu 48,7 pontos, no sétimo mês consecutivo abaixo dos 50, o que indica retração. O PMI do HSBC é focado em empresas privadas, que enfrentem mais dificuldades de obtenção de crédito que as estatais. Em abril, o índice havia sido de 49,3.As autoridades chinesas tomaram um susto com os dados econômicos de abril, que mostraram queda mais acentuada que o esperado da atividade industrial, da geração de eletricidade, dos empréstimos bancários, das transações imobiliárias e do comércio exterior, reforçando os temores de "pouso forçado" da segunda maior economia do mundo.Na semana retrasada, o governo chinês anunciou que adotaria medidas para "estabilizar o crescimento". A mais importante delas é a aceleração na aprovação de projetos de infraestrutura, o que já está em prática. Várias obras ganharam sinal verde nos últimos dias, incluindo quatro aeroportos.Outra medida é a concessão de 36 bilhões de yuans (R$ 11,5 bilhões) em subsídios neste ano para a compra de carros e eletrodomésticos que consomem pouca energia. O governo também pretende aumentar a participação do capital privado em setores hoje controlados pelo Estados, mas as regras para tanto ainda não foram detalhadas.A economia chinesa sofre com a retração na demanda de seus principais mercados de exportação, Europa e Estados Unidos, e a perda de fôlego dos fatores domésticos que sustentaram a expansão nos últimos três anos.

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