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Casacor 2023: Mostra de decoração exalta autocuidado e introspecção na Avenida Paulista

Veja dicas que você pode aproveitar em casa; exposição começa na terça, 30, no Conjunto Nacional, em São Paulo

Foto do author Ana Lourenço
Por Ana Lourenço

Se em uma mostra imersiva ou um museu comum, o visitante passeia entre quadros e projeções, na Casacor, a arte toma a forma de decoração. Quadros, sofás, tapetes e diversos estilos decorativos são explorados por 99 arquitetos, paisagistas e designer de interiores que participam da 36ª edição da mostra.

Neste ano, a mostra leva o tema de “Corpo & Morada”, exaltando o autocuidado e a introspecção da casa. A temática, foi uma consequência da pandemia, que mudou com as estruturas antigas e soou o alerta para o fato que o mundo continua clamando por cura, afeto, cuidado e atenção.

Casa do Ser: O projeto parte das recentes discussões sobre os diferentes corpos ocupando diferentes espaços de maneira democrática. Foto: Ana Lourenço/Estadão

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“Quando falamos de corpo, não estamos apenas nos referindo ao corpo físico, mas sim algo no sentido de sermos todos um, de sermos todos humanos e a partir disso, olhar para os problemas delicados que dividimos: a cidade, a vida comunitária, a casa, o corpo, a alma e o espírito”, esclarece Lívia Pedreira, que assina a curadoria da Casacor ao lado de Pedro Ariel Santana e Cristina Ferraz.

O espaço toma conta de 11 mil m² da parte superior do Conjunto Nacional, na Paulista, um tamanho um pouco maior que o MASP (atualmente com 10.485 m²), e conta com 74 ambientes, divididos entre banheiros, quartos, lofts, lounges, salas e escritórios. Em cada um deles, um convite para o visitante viver mais no estilo “Slow Living”, uma proposta de vida mais leve, sem ambientes pré-montados, mas sim que expressem exatamente o que aquele morador quer dizer.

O intuito, conforme os curadores explicam, é criar uma fusão entre o corpo do sujeito e a própria morada. “Pensei e me inspirei muito no abraço e como ele fez falta durante a reclusão social. Ele me remete a essas curvas, à fluidez das formas orgânicas do corpo e da casa. É algo que vai te abraçando e te envolvendo”, conta a arquiteta Cilene Lupi. Assim vemos muitas curvas e formas orgânicas, integração de ambientes e maneiras de tornar o ambiente aconchegante com tapete e almofadas.

“Curvas causam sensação de fluidez, calma e sensação de continuidade no ambiente”, conta Cilene Lupi. Foto: Rafael Renzo

Os tons terrosos também ganham espaço na decoração da casa pela referência à terra e à natureza, assim como os objetos de afeto pessoal. Seja uma antiga máquina de escrever, quinquilharias que remetem a uma época boa ou simplesmente algo vintage que fale com o morador. “Existe uma tendência de busca por prazer para deixar cada vez mais perto essas memórias de família, do lugar que a gente veio. Um cobogó, um relógio de família, um piano, tudo isso tem um significado afetivo grande e, de uma certa forma, autorizam novamente as pessoas a usarem esses objetos e incorporarem em sua casa”, explica Lívia.

Por isso mesmo, é indicado fazer o passeio com tempo. Não só pela quantidade de ambientes, mas também pela diversidade presente em cada um. Algo que pode servir de inspiração desde os maximalistas, até os amantes da frase “menos é mais”.

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Bem-estar

Muito além da estética da casa, o que transforma um espaço em moradia é através dos chamados “alimentos da alma”. Arte, cultura, vivência. De acordo com o manifesto do tema escolhido, a casa passa a ser vista como lugar de subjetividade, de permanência e de conhecimento. Para isso nada melhor do que elementos que causem introspecção.

Pela primeira vez, a Casacor conta com uma galeria de arte, feita com curadoria de Cesar Prestes, que traz um olhar interessante para as obras, mas também serve como higienização mental para o visitante depois de tantas decorações. Outro espaço que serve para dar essa pausa é a Floresta de Bolso, de Ricardo Cardim. Nela, o visitante se encontra no meio de um bosque, apesar de estar dentro das estruturas do Conjunto Nacional.

Érica Salgueiro criou um ambiente com a premissa do morador se reconectar consigo mesmo, trazendo o conceito da palavra ‘solitude’. Foto: Renato Navarro

“Fazemos um convite para que a gente busque um paisagismo sustentável, seja em sacadas menores, hortinhas, ou um verdadeiro banho de floresta”, diz Lívia. “Eu espero que as pessoas que venham nos visitar tenham um pouco de atenção para esse convite que fizemos de ser atento, de contar histórias que possam fazer sentido para elas e elas se inspirarem para ter uma vida mais confortável e trazer um impacto menos nocivo ao planeta.”

Casa para todos

Ao andar por dentro de cada um dos ambientes, acontece quase que intuitivamente o toque.O desejo de tocar no tecido da cortina ou da manta, entender a sobreposição dos tapetes e até descobrir o material dos objetos artísticos é gigante. Muitos deles são objetos que conhecemos: trapos reaproveitados, papelão, palha. O que também leva o visitante a perceber a importância da sustentabilidade. Um tijolo pode dar um ótimo artefato na parede ou uma antiga garrafa de azeite se transformar em um vaso.

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Essa foi a premissa seguida pela arquiteta e ativista Ester Carro para o ambiente Motirõ. “Temos que pensar de que forma ajudar, como contribuir, como reutilizar materiais que já foram utilizados nos ambientes dentro de casa”, indaga ela que usa uma espécie de lona para fazer o jardim vertical e borras de café como tinta. O seu espaço, que alude o trabalho em conjunto na língua tupi-guarani, é o primeiro voltado para moradia social na Casacor.

“Ao mesmo tempo que eu fiz uma releitura de soluções que os moradores de favelas encontram, como reaproveitamento de água, eu também fiz uma releitura dos principais problemas, como o pouco espaço. Ter um ambiente na Casacor é trazer um olhar educativo, mais sensível, com novas possibilidades. É mostrar como um desenho, um layout bem pensado pode mudar a estrutura de uma casa”, diz ela.

Outro ambiente que propõe uma nova visão de casa é o espaço Casa do Ser, assinado pelo escritório ARQTAB e do arquiteto Maycon Fogliene. Com a tecnologia, automatização e seguindo a premissa do Design Universal, que sustenta a ideia de projetar coisas que possam ser usadas pelo maior número de pessoas possível, eles montaram uma casa segura para pessoas com deficiência visual, auditiva e física.

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A ideia é promover a casa como um espaço onde a pessoa pode ser quem ela é, com suas limitações e possibilidades”, conta a arquiteta Audrey Carolini. “Falar sobre diversidade na arquitetura é dar voz e pensar a democratização dos espaços, é ter o ser humano como figura central do processo de criação do ambiente construído e pensar de pessoa para pessoa”, complementa a arquiteta Thamires Mendes.

6 inspirações da Casacor 2023 que você pode levar para a sua casa

Abra as portas para o verde

Às vezes não existe a possibilidade de ter um jardim vertical ou uma horta variada na varanda de casa, mas sempre cabe espaço para uma plantinha. Levar o verde para dentro de casa pode contribuir com a melhora da qualidade do ar, concentração e até redução de níveis de estresse. Experimente colocar pequenas mudas nas escrivaninhas ou mesas e, se possível, espécies maiores em vasos espalhados pela casa.

Use e abuse da criatividade

Um tijolo pode se transformar em divisor de ambientes ou até uma decoração de parede. Já uma garrafa antiga, pode ser perfeita como vaso. Essa é uma ótima forma de olhar para os seus objetos a fim de reformá-los e fazer com que eles ainda façam sentido para você, assim como uma proposta de ‘mãos à obra’ em família.

Crie afeto

Faça com que elementos que contam uma história tenham espaço na sua casa e alegrem o seu dia a dia. Pode ser o antigo relógio da sua avó, o primeiro livro que você ganhou um desenho do seu filho. Eternizar essas lembranças vai fazer com que a sua casa te receba com aconchego.

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Galeria de artes

Selecione suas melhores artes, frases e fotos pessoais. Que tal fazer uma ‘Gallery Wall’ com eles? Lembre-se somente de fazer com que os elementos conversem entre si. Por eles serem pensados em conjunto, é preciso que a moldura seja uniforme também. Mas a organização é livre: pode ser milimetricamente posicionada ou mais despojada, com quadros de diferentes tamanhos e formatos.

Deixe fluir

Faça com que a sua casa tenha movimento. Camas, sofás e espelhos com formas orgânicas estão em alta em diversos ambientes da Casacor. Aqui vale também retirar as barreiras de cada ambiente, mudando o sofá de lugar e criando mais espaço na sua sala. Na hora da divisão, opte apenas por cobogós ou biombos entreabertos que permite que exista uma conexão.

Esbanje personalidade

A casa é sua. Por isso mesmo, tem que estar de acordo com os seus padrões de beleza.Aqui vale misturar estilos de piso, fazer uma sobreposição de tapetes, colocar uma decoração divertida que tenha a sua cara ou fazer uma arte de parede ou cerâmica pessoal. Algo que pode ser único e exale o seu estilo.

36ª edição Casacor: Corpo & Morada

De 30 de maio a 6 de agosto

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Av. Paulista, 2073 - Conjunto Nacional

De ter. a sáb., das 12h às 22h. Dom. e feriados das 11h às 21h

Ingressos a partir de R$ 51. Há opções de passaporte (com acesso livre à Casacor em todos os dias e horários de visitação) por R$ 600 ou visita guiada por R$ 160 (terças, quartas e quintas-feiras às 17h).

www.appcasacor.com.br

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