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Joel Jota se defende de críticas após COB anunciá-lo como mentor em Paris: ‘Não vou para nadar’

Ex-nadador e ‘treinador mental’ diz que foi convidado pelo trabalho como influenciador digital, elogia Bruno Fratus e Joanna Maranhão e explica autodefinição como ‘um dos nadadores mais rápidos do mundo’; ‘Estadão’ apurou que nadador não foi convocado para seleção

Foto do author Leonardo Catto
Foto do author Rodrigo Sampaio
Foto do author Felipe Rosa Mendes
Por Leonardo Catto , Rodrigo Sampaio e Felipe Rosa Mendes
Atualização:

O empresário Joel Jota se defendeu após ser acusado de mentir sobre a sua carreira na natação. O assunto repercutiu após o Comitê Olímpico do Brasil (COB) anunciar o ex-nadador como padrinho e mentor do Time Brasil para os Jogos Olímpicos de Paris-2024. Outros atletas apontaram como mentiras trechos do site de Jota, que atua como “treinador mental” e com performance esportiva. Ao Estadão, o ex-atleta rebateu as críticas e falou sobre sua carreira.

A reportagem do Estadão apurou que Joel Jota nunca foi convocado para defender a seleção brasileira de natação. Ele conquistou medalhas e esteve em torneios em que bastava o pagamento de taxas de inscrição para participar, sem a necessidade de alcançar determinado índice. Compõem a seleção nadadores que obtiveram marcas suficientes para se classificar para torneios de maior relevância - como Campeonato Mundial ou Jogos Olímpicos - ou que foram chamados pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

O empresário Joel Moraes Santos Junior vende palestras, cursos, e mentorias que prometem aumentar produtividade e motivação. Foto: Divulgação/Joel Jota

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“O COB veio atrás de mim por conta de tudo aquilo que fiz na minha carreira após a natação. Eu não estou indo para nadar. Eu estou indo porque eu sou uma pessoa que tem rede social grande, que posso mostrar os valores olímpicos. Vou dar uma levantada na motivação. Não vou fazer nenhum papel de treinador, não vou fazer nenhum papel de psicólogo”, disse sobre o motivo de ter sido chamado como padrinho e mentor.

As críticas foram levantadas principalmente por Joanna Maranhão, finalista olímpica em Atenas-2004 no 400m medley, e Bruno Fratus, medalha de bronze nos Jogos de Tóquio nos 50 metros livre. Nas redes sociais, eles reiteraram um incômodo da comunidade esportiva por Joel se vender como ex-integrante da seleção brasileira de natação e ser campeão brasileiro.

“Eu já fui para a Copa do Mundo de natação como nadador e é uma convocação de seleção brasileira. Você não vai achar em nenhum lugar eu dizendo: ‘Eu fui para Olimpíada’”, defende Jota. “Tem seleção brasileira de Copa do Mundo, de categoria juvenil. Imagina eu palestrando para 10 mil pessoas e falar: ‘Então, gente, deixa eu falar uma coisa para vocês. Eu fui seleção brasileira na categoria...’ Não importa. Fui seleção, atleta, fui campeão. Sou escritor, dou um overview. E vivi uma vida regrada e disciplinada no esporte”, conclui.

A Copa do Mundo que Joel Jota se refere é um torneio da World Aquatics, entidade reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) responsável pelos desportos aquáticos. Ele afirma que atuou representando o Brasil nas edições de 2005, em Durban, na África do Sul, e em 2006, em Belo Horizonte, o que é confirmado no site da CBDA, que também aponta 64 medalhas de ouro para o ex-nadador, incluindo torneios regionais, juvenis e juniores.

Eu não estou indo lá para nadar. Não vou fazer nenhum papel de psicólogo

Joel Jota, padrinho e mentor do Time Brasil em Paris-2024

Apesar da organização da World Aquatics, o torneio tem nível técnico menor do que o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, competição de maior prestígio, junto aos Jogos Olímpicos. Em contato com a reportagem do Estadão, uma fonte da CBDA explicou que Joel Jota nunca foi convocado ou fez parte da seleção brasileira de natação. Ele disputou duas etapas da Copa do Mundo, cuja maioria das etapas são de piscina curta (25 metros), ou seja, com menor status no universo da modalidade.

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Joel Jota (o segundo da esquerda para direita) com demais atletas que representaram o Brasil na Copa do Mundo de Natação na África do Sul, em 2005. Foto: Divulgação/Joe

Na época em que Jota competiu, nos anos 2000, a Copa do Mundo podia ter até dez etapas por ano — atualmente tem no máximo três. Para participar era necessário apenas pagar a inscrição, que era feita pela CBDA. Assim, não era necessário fazer parte da seleção para competir no torneio, tampouco ter índice olímpico ou técnico para se classificar.

Cabe destacar, ainda, que Jota disputou provas de 50 metros borboleta, prova que não está no programa olímpico. A fonte da CBDA também explicou para o Estadão que as Copas do Mundo têm nível técnico mais baixo, com menor apelo, não sendo parâmetro para grandes competições, como o Mundial de Natação, disputado em piscina longa (50 metros).

Jota elogia Fratus e Joana e espera divulgar atletas em Paris

A autodefinição de Joel Jota como “um dos nadadores mais rápidos do mundo” foi criticada por Fratus e Joana. A frase constava no site, junto da apresentação do empresário. Ele explica que se colocava assim “por uma questão subjetiva”. “Já fui sétimo na Copa do Mundo, sou um dos melhores do mundo do que eu faço. E aí a pessoa opinou. ‘Nem eu que sou medalhista falo desse jeito’. Essa é a sua opinião. O jeito que eu uso os meus feitos é para promover o meu trabalho”, justificou Jota.

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A frase foi removida do site do empresário. “Já que doeu o jeito que eu falo sobre as minhas conquistas, que é a minha opinião sobre mim, eu não vou mais falar desse jeito para você, mas eu vou continuar falando desse jeito para mim, porque eu acredito. Eu fui um dos melhores do mundo no que eu fiz”, argumenta.

Joel Jota acredita que atletas como Fratus e Joana, por exemplo, deveriam promover a si da mesma forma. “Para mim, o Fratus é o cara. Ele deveria falar desse jeito. A Joana é um fenômeno desde pequena. Para mim, ela é um exemplo. É uma referência como resultado e resiliência esportiva. Se depender de mim, eu vou falar deles. O Brasil tem que referenciá-los”, elogiou.

Rodrygo contratou Joel Jota como "treinador mental" em 2022. Foto: Reprodução

O empresário ficará 20 dias com o COB em Paris. Ele aponta que não receberá cachê e terá os custos de passagem, estadia e alimentação cobertos pela entidade. A ideia, segundo ele, é divulgar atletas nas suas redes e em seu podcast e incentivar patrocinadores. “Eu conheço muitos empresários, então eu vou ser um interlocutor entre o povo que eu atinjo, as empresas e a opinião pública. Minha expectativa é muito mais do que a medalha”, diz.

Além de Jota, o programa de madrinhas e padrinhos do COB tem Zico, Murilo Rosa, Fernanda Tavares, Larissa Manoela, Pedro Scooby, Sabrina Sato, Hugo Gloss, Wesley Safadão e Casimiro Miguel. A intenção do COB é “engajar a torcida e ajudar a promover o esporte olímpico e os atletas nacionais”.

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Jota ficou mais conhecido após a carreira como nadador, quando passou a atuar como influenciador digital, acumulando mais de 5 milhões de seguidores no Instagram. Ele começou a trabalhar como coach esportivo em 2013 e já ministrou cursos para o pai de Neymar, o que o levou a ser coordenador do Instituto Neymar Jr entre 2014 e 2021.

No meio do futebol, Joel Jota também atuou com o atacante Rodrygo, do Real Madrid e da seleção brasileira, com “treinamentos mentais” em 2022. Antes, ele trabalhou com o ex-jogador Gilberto Silva. No ano passado, o Santos contou com palestras de Jota para incentivar o elenco que vivia má fase e tentava fugir do rebaixamento.