'Brasil tem total capacidade de sediar o Mundial de 2029', diz presidente da CBF
Samir Xaud esteve presente na final do Mundial de Clubes entre PSG e Chelsea.
Eu realmente não entendo lhufas de futebol.
Ainda bem.
Profissão mais fácil que existe é a minha. Se falar o óbvio, e era natural que o PSG ganhasse a primeira Copa de Clubes nos EUA, teria dado a lógica. Se acontecer algo inusitado como o primeiro tempo histórico de Chelsea 3 x 0 PSG, futebol não tem lógica. Mesmo.
Não estivesse gripado (o que me impediu de comentar pelo rádio a decisão em Nova Jersey), eu teria passado em todas as bancas de jornal para evitar que as pessoas lessem minha coluna deste domingo no Estadão. Quando eu falo o tempo todo do Paris, desde as chegadas de Neymar e Mbappé, e só cito o Chelsea para dizer que o PSG era o grande favorito...
Pois é...

Talvez eu fosse mais vaiado em Stamford Bridge do que Donald Trump quando mostrado durante a bela execução de “Star Spangled Banner”.
Mas quem podia imaginar algo parecido (em campo...) com o que se viu desde os 10 minutos iniciais? Quase 65% de posse de bola inglesa, oito atletas do Chelsea no campo de ataque marcando a saída francesa. Com 7min, belíssima jogada de letra de João Pedro, e Cole Palmer mandou a bola que raspou um zagueiro e lambeu a trave de Donnarumma. Um dos não-gols mais gols que já vi. Na partida menos partida do time de Luis Enrique.
Vários erros técnicos pouco usais do Paris foram dando ainda mais campo e bola ao time de Londres. Mas uma bela sacada de Dembélé, que vinha pegar a bola atrás e pela esquerda para achar Kvara às costas do limitado Gusto, só não abriu o placar por Doué exagerar na solidariedade em vez de chegar finalizando... Mais dois minutos, aos 17, Doué resolveu arriscar de canhota, para complicada defesa de Sánchez.
A pressão sufocante como o calor bárbaro de Nova Jersey era mais amena. O pressing inicial do Chelsea perdeu força. Maresca repaginou seu time em um 5-3-2 sem a bola com Pedro Neto de olho em Hakimi.
O jogo era mais igual quando Palmer desequilibrou de vez. Em erro inusitado de Nuno Mendes, Gusto fez grande lance para bela finalização de Cole, aos 21min33s.
Aos 29min22s, quase um replay ao vivo de Palmer. Outro golaço. Outra infelicidade do PSG. Dembélé foi travado na frente, Nuno Mendes estava perdido, Beraldo passou longe, nem Vitinha conseguiu acompanhar o 10 inglês.
O PSG parecia ter os talentos sugados. Tipo o primeiro filme do “Space Jam”. Candidataço a craque da temporada, Dembélé deu enfiada ridícula aos 41 para ninguém. Aos 42min28s, a bela enfiada de Palmer a João Pedro fez 3 a 0, na quarta chance inglesa.
Na volta do segundo tempo, aquela saída inexplicável do PSG de dar um bico para a lateral. O que podia era dar um bico no primeiro tempo impossível e impensável.
Com 2 minutos, o PSG voltou mais vivo, arriscando mais contra o fraco goleiro Sánchez. Mas, aos 6, ele fez mais um milagre em tiro à queima-luvas de Sánchez. O Chelsea se fechava no 5-3-2, com Pedro Neto baixando na linha de defesa para dar um pé a Cucurella na contenção a Hakimi e Doué. Enzo Fernández um tanto mais à frente, com James e Caicedo na volância, e Palmer por dentro e pela direita, e João Pedro brilhando com inteligência mais à frente.
Aos 12, Barcola x Kvara. Para ver como não funcionava tecnicamente o PSG. Vitinha arriscou de longe, aos 13, e de novo baixou o Cech em Sánchez. Ou naquela fase única de Mendy, em 2021. Outro goleiro limitado que operou milagres pelo Chelsea.
Andrey Santos x Enzo, baleado, aos 19. O Chelsea ainda mais fechado. Vitinha isolou cruzamento a seguir... O efeito Space Jam seguia no MetLife com o Paris de modo inusitado. E não apenas pela excelência do Chelsea com e sem a bola.
Aos 22, Delap x JP que, em três jogos, já fez mais do que muita gente pelo clube londrino. E, no primeiro lance, o substituto quase fez um golaço, bem defendido por Donnarumma.
João Pedro que estava em férias, e desde 19 de abril não jogava, desde o último jogo pelo Brighton. Chegou no começo de julho, no meio do torneio, e fez ainda mais história pelo Chelsea de Maresca (que chegou do Leicester em 30 de junho de 2024)
Depois do longa e necessário cooling break (como foi o intervalo de 23 minutos), Zaire-Emery pelo esgotado Fabián Ruiz, Mayulu x Doué, Gonçalo Ramos x Hakimi. Dembélé abriu pela direita, mas a zaga inglesa seguiu bem fechada.
Nkunku x Pedro Neto, Dewsburry-Hall (para fazer a lateral-esquerda) x James. E nada mudou. Só não foi ampliado o placar na falha de Beraldo, que Donnarumma evitou o gol de Delap, aos 34. Barcola teve bom lance, aos 35. Mas de novo deu na mesma. Ou aquilo que não rolou com o PSG no domingo esquecível.
O jogo foi tão bizarro que até vermelho para João Neves por puxão na hileia amazônica capilar de Cucurella rolou... Domingo estranho.
Como disse Reece James na véspera, o melhor time do mundo foi triturado pelo “melhor time do domingo”. O campeão da primeira e enorme e inesquecível Copa do Mundo de Clubes.








