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Foto de projeção em Nova York pedindo a prisão de Lula é montagem

Registro original mostra que imagem em fachada de edifício dizia 'o mundo precisa do Lula', em inglês

Por Gabriela Meireles
Atualização:

Uma fotografia que viralizou nas redes sociais foi alterada digitalmente para parecer que a frase "The world needs Lula in jail" ("O mundo precisa do Lula na cadeia", em tradução livre) foi projetada no edifício Chrysler, em Nova York (EUA). Registros mostram que a frase original dizia somente "O mundo precisa do Lula". Comparando as duas versões, é possível identificar manipulação na que pede a prisão do petista.

 

Para fazer essa checagem, o Estadão Verifica usou a ampliação de imagens da ferramenta gratuita InVid. Ela permite identificar possíveis edições que foram realizadas em vídeos e imagens.

Imagem original (esq.) e imagem editada (dir.). Foto: Reprodução

É possível perceber na ampliação da imagem original (esquerda), que as letras estão alinhadas com as janelas do edifício Chrysler:

Screenshots de imagens ampliadas pelo InVID  

Entretanto, na imagem manipulada (direita), a projeção do trecho "in jail" (traduzido por "na cadeia") sobre o prédio mostra janelas tortas e desalinhadas:

Screenshots de imagens ampliadas pelo InVID  

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A imagem manipulada começou a circular no Twitter a partir de 1º de novembro. Entretanto, a busca reversa no Google (veja aqui como fazer) mostra que o vídeo e a foto originais, sem a menção à prisão, são de 29 de outubro.

Projeção foi registrada em vídeo

O registro original é anterior ao segundo turno das eleições e foi publicada na conta no Twitter do portal ClimaInfo. O Estadão Verifica entrou em contato para solicitar informações sobre a origem da imagem. Por mensagem direta no Instagram, o portal informou que a projeção foi feita no dia 28 de outubro no prédio da Chrysler, por cerca de meia hora.

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Os responsáveis pela projeção pediram para não ser identificados para se evitar retaliações, mas a página do ClimaInfo repudiou a manipulação da foto. "A projeção foi uma iniciativa conjunta de ativistas brasileiros, norte-americanos e ingleses, que entenderam a repercussão global da eleição brasileira e, como sabem que seriam afetados pelo resultado, mas não poderiam votar, quiseram dar seu recado."


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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