Trecho do 'Jornal Nacional' é manipulado para colocar Bolsonaro na liderança da pesquisa Ipec

Vídeo que circula no WhatsApp foi alterado, invertendo a posição dos dois candidatos; imagens e áudio foram editados

PUBLICIDADE

Por Luiz Araújo
Atualização:

É falso o vídeo que circula nas redes sociais em que os apresentadores do Jornal Nacional, Renata Vasconcelos e William Bonner, mostram o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) à frente na pesquisa Ipec divulgada no último dia 5. O conteúdo alterou as imagens e o áudio que foram ao ar originalmente na TV Globo, dando a entender que o candidato à reeleição está com 51% das intenções de voto, ante 43% do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A edição trocou as informações verdadeiras dos dois candidatos. No programa original, disponível no Globoplay, a apresentadora Renata Vasconcelos informa que a primeira pesquisa Ipec sobre o segundo turno das eleições presidenciais mostraram vantagem de Lula sobre Bolsonaro: 51% contra 43%. Dessa forma, os porcentuais são iguais, mas foram invertidos entre os candidatos no vídeo falso.

 

PUBLICIDADE

Logo no início é possível perceber uma alteração na voz da jornalista Renata Vasconcellos quando os números da pesquisa são anunciados. O mesmo ocorre quando o âncora William Bonner informa os dados da pesquisa considerando apenas os votos válidos, momento em que novamente as informações são invertidas, dando vantagem de 10 pontos porcentuais para Bolsonaro: 55% contra 45%. Na pesquisa original, Lula tinha 55% ante 45% do atual presidente.

Leitores pediram a checagem por WhatsApp, (11) 97683-7490. O vídeo foi publicado originalmente na Kwai, rede social de edição e compartilhamento de vídeos curtos. Além das alterações dos áudios, com edições nas falas dos jornalistas, as imagens dos gráficos também foram adulteradas, trocando as fotos dos candidatos para indicar a falsa vantagem de Bolsonaro.

Em setembro, o Estadão Verifica desmentiu um vídeo que se valeu do mesmo truque de inverter a posição dos candidatos no JN.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.