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É falso vídeo em que Bolsonaro aparece pedindo para pessoas comprarem livro

Conteúdo usa inteligência artificial para imitar voz do ex-presidente e sobrepor áudio de vídeo em que ele afirmava que iria processar o presidente Lula

Por Clarissa Pacheco
Atualização:

O que estão compartilhando: vídeo em que Jair Bolsonaro divulga um livro e pede que pessoas o comprem antes que o Supremo Tribunal Federal proíba a venda da obra. O conteúdo também afirma que recentemente o STF e o PT tentaram bloquear doações recebidas pelo ex-presidente.

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O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. O conteúdo usa um vídeo de Bolsonaro gravado em maio de 2023, em que ele afirmou que processaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por culpá-lo por “300 milhões” de mortes em decorrência da covid-19 no Brasil e por afirmar que Bolsonaro tinha uma mansão nos Estados Unidos. Ele não faz nenhuma menção ao STF ou à venda de um livro na gravação.

Em outras ocasiões, posts nas redes sociais viralizaram com links para venda de livros sobre Jair Bolsonaro ou supostamente escritos por ele. No ano passado, o ex-presidente usou o X para afirmar que não havia colaborado para a divulgação de outros dois livros e que, se um dia decidisse lançar uma obra, faria a divulgação pelas suas redes sociais.

Leitores do Estadão Verifica pediram a checagem deste conteúdo pelo WhatsApp, no número (11) 97683-7490. O conteúdo também foi parar em postagens no Instagram.

Vídeo usa IA para imitar voz de Bolsonaro em vídeo que tenta vender livros. Foto: Reprodução/Instagram Foto: Reprodução/Instagram

Saiba mais: O post investigado usa a inteligência artificial para imitar a voz de Jair Bolsonaro e sobrepor o áudio adulterado ao original em um vídeo postado pelo ex-presidente no X em 12 de maio de 2023. Na ocasião, ele disse que ingressaria com duas ações contra o presidente Lula na semana seguinte. Uma pelo fato de o petista ter dito que ele era culpado por “300 milhões” de mortes na pandemia no Brasil. A outra, por ter dito que ele era dono de uma mansão avaliada em US$ 8 milhões nos Estados Unidos, no nome do ex-ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid.

A declaração de Lula foi feita no dia 11 de maio de 2023, em Salvador (BA), durante a cerimônia de lançamento da Lei Paulo Gustavo. Apesar de ter falado que 700 milhões de pessoas morreram pela covid e de afirmar que 300 milhões tinham sido “por culpa de um governo negacionista”, o número estava inflacionado. Na época, o Brasil tinha 700 mil mortes, e não 700 milhões.

O que Bolsonaro já falou sobre livros

O vídeo também engana ao afirmar que o livro “A Verdade Bloqueada” é um dos mais procurados e que corre risco de ter as vendas bloqueadas pelo Supremo Tribunal Federal. Em nota, o STF informou que não encontrou nenhum pedido, nem decisão neste sentido.

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O conteúdo leva a uma página onde apoiadores do ex-presidente são direcionados a comprar um livro que, na realidade, se chama “Jair Bolsonaro – A Resposta do Sitema” (sic). Em sua capa há os nomes de Miguel Esteves e Vinícius Neto. Ele custa R$ 29,14.

No ano passado, o ex-presidente mencionou, em suas redes sociais, dois livros que prometiam revelar “a verdade” ou uma “história nunca contada”. Reforçou que não tinha participação em nenhum deles e que “vários pontos do livro” não condizem com a verdade dos fatos”.

R$ 17 milhões no pix

Bolsonaro recebeu R$ 17,1 milhões em suas contas por meio de transferências bancárias realizadas por pix entre os dias 1º de janeiro e 4 de julho de 2023. A informação foi registrada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que também apontou que esse valor foi movimentado através de 769 mil transações feitas para a conta do ex-presidente efetuadas em seis meses de janeiro a julho deste ano. Naquele ano, ele solicitou o dinheiro dos apoiadores para bancar multas e processos judiciais. O STF atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e determinou à Polícia Federal que investigue as doações. Veículos de comunicação noticiaram que a PF poderia solicitar o bloqueio do montante em caso de suspeitas de crimes financeiros (CNN, UOL, IstoÉ). Isso não ocorreu até a publicação desta checagem.

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