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Vídeo do general Heleno sobre ameaça a candidato é de 2018 e falava sobre Bolsonaro, não Tarcísio

Em outubro de 2018, o general Heleno justificou ausência de Bolsonaro em debate com Fernando Haddad na TV Globo por conta de ameaça de atentado; vídeo voltou a circular no ultimo dia 15, alegando que ameaças seriam contra o candidato Tarcísio de Freitas, ao governo de São Paulo

Por Clarissa Pacheco
Atualização:

É falso que o general Augusto Heleno, atual ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), tenha alertado sobre atentado terrorista contra o candidato ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Desde as primeiras horas da manhã do último sábado, 15, circula no Twitter um vídeo em que Heleno afirma que a ausência de um candidato a debates - cujo nome não é citado - não tem relação com medo de debater com Fernando Haddad (PT), e sim com uma ameaça de atentado terrorista com participação de uma organização criminosa. O vídeo é de 2018 e o candidato supostamente ameaçado era Jair Bolsonaro (PL), e não Tarcísio.

 Foto: Estadão

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A fala de Heleno foi amplamente noticiada pela imprensa brasileira em 25 de outubro de 2018 (Estadão, UOL, Reuters, Terra, Exame, Estado de Minas) às vésperas da disputa do segundo turno das eleições presidenciais e mais de um mês após Bolsonaro ser esfaqueado em um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Primeiro, se espalhou um vídeo em que Heleno fala de pé, em Brasília, sobre ameaças de atentado contra Bolsonaro. Ao fundo, é possível ver pessoas comendo em uma mesa.

Na ocasião, dia 24 de outubro de 2018, ocorria um almoço com representantes da Confederação Nacional do Transporte (CNT), no qual o militar era um dos convidados. Ele explicava a recusa de Bolsonaro em participar do debate na TV Globo no dia 26 de outubro daquele ano, a dois dias da votação para o segundo turno de 2018. O vídeo tem pouco menos de um minuto, e o general diz:

"[...] E inclusive com a recomendação de que toda vez que fosse sair de casa, fizesse um vasculhamento (sic) no entorno da casa dele e jamais saísse de casa com hora marcada. Então, o comparecimento ao debate, que muita gente tá vinculando a um medo dele sair ou de debater com o [Fernando] Haddad, não se trata disso. Ele está realmente ameaçado. E não é um mero tiro de snipper, é um atentado terrorista aonde (sic) tem uma organização criminosa, que eu não vou citar o nome por motivos óbvios, envolvida. Isso comprovado por mensagens, por escutas telefônicas. Então, isto é absolutamente verídico. A saída dele em qualquer horário com hora marcada e problemática".

No dia 25 de outubro de 2018, o Estadão publicou que o próprio general Augusto Heleno confirmou a autenticidade do vídeo, apesar de ter sido gravado sem o conhecimento dele. O jornal apurou junto a dados da inteligência do governo federal que existiam, de fato, ameaças contra Bolsonaro, e que as informações haviam sido repassadas à segurança do candidato há mais de uma semana para que a vigilância sobre ele fosse reforçada.

Tiros em ato de campanha

Candidato bolsonarista ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas também decidiu cancelar participações em diversos debates no segundo turno. O adversário na corrida ao governo de São Paulo é o mesmo enfrentado por Bolsonaro em 2018: o petista Fernando Haddad. O vídeo com o suposto alerta do general Augusto Heleno contra uma ameaça de atentado a Tarcísio ganhou força nesta segunda-feira, 17, depois que o candidato bolsonarista precisou sair às pressas de um ato de campanha em Paraisópolis (SP) por conta de um tiroteio na comunidade. Nas redes sociais, Tarcísio escreveu que ele e a equipe foram "atacados por criminosos", mas que todos estão bem. Segundo ele, "um bandido foi baleado".

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Apesar da postagem de Tarcísio, a polícia ainda não sabe o motivo do tiroteio, nem o alvo da ação. O Estadão publicou que o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, foi até o local para buscar entender o que aconteceu, enquanto um integrante da cúpula da Polícia Militar disse acreditar que a hipótese de atentado está praticamente descartada e que a principal explicação até o momento seria que o tiroteio foi uma disputa entre traficantes da região.

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