Agências da ONU alertam para crescimento no número de mortes de crianças por desnutrição em Gaza

Pelo menos 90% das crianças menores de cinco anos em Gaza sofrem de uma ou mais doenças infecciosas, de acordo com um relatório da Unicef

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Por Redação
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GENEBRA -Agências da ONU alertaram na segunda-feira, 19, para o risco de uma explosão de mortes de crianças na Faixa de Gaza em virtude da falta de alimentos, crescente desnutrição e rápida propagação de doenças.

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Mais de quatro meses após o início da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, estas agências alertaram que os alimentos e a água potável são extremamente escassos no território palestino e quase todas as crianças sofrem de doenças infecciosas.

“A Faixa de Gaza está prestes a assistir a uma explosão no número de mortes infantis evitáveis, o que poderá exacerbar o nível já insustentável de mortes infantis em Gaza”, disse Ted Chaiban, vice-chefe de ação humanitária da Unicef.

Crianças palestinas resgatam livros religiosos de uma mesquita destruída por um bombardeio israelense em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza  Foto: Yousef Masoud / AP

Pelo menos 90% das crianças menores de cinco anos em Gaza sofrem de uma ou mais doenças infecciosas, de acordo com um relatório da Unicef, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Programa Alimentar Mundial (PMA).

Nas duas semanas anteriores a este relatório, 70% deles sofreram de diarreia, o que é 23 vezes mais do que o período equivalente em 2022.

“A fome e a doença são uma combinação mortal”, disse Mike Ryan, gestor de situações de emergência da OMS, em um comunicado.

Desnutrição

De acordo com a avaliação da ONU, mais de 15% das crianças com menos de dois anos de idade sofrem de “desnutrição aguda” no norte de Gaza, onde a ajuda humanitária não consegue chegar em abundância. No sul do enclave palestino, a percentagem é de 5%, segundo dados recolhidos em janeiro.

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“Este declínio da situação alimentar da população em três meses não tem precedentes no mundo”, afirmaram estas agências da ONU.

Crianças palestinas que foram deslocadas junto com as suas famílias brincam em abrigos na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza  Foto: Mohammed Saber / EFE

A guerra no enclave palestino começou no dia 7 de outubro do ano passado, quando terroristas do Hamas invadiram o território israelense, mataram 1.200 pessoas e sequestraram 240. A ação é considerada o pior ataque contra judeus desde o Holocausto e o pior ataque terrorista da história de Israel. Depois dos atos terroristas do Hamas, Tel-Aviv iniciou uma operação na Faixa de Gaza, com bombardeios aéreos e invasão terrestre, que resultaram na morte de mais de 28 mil palestinos, segundo o ministério da Saúde de Gaza, que é controlado pelo grupo terrorista Hamas.

Ramadã

Em meio a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, anunciou uma decisão que pode escalar ainda mais as tensões. Durante o Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos. que começa no dia 10 de março, Israel deve impor medidas de segurança na Mesquita Al-Aqsa.

A mesquita é um dos lugares mais sagrados para os muçulmanos e está em um complexo que também tem uma importância religiosa para os judeus. As regras de circulação dentro do local são questionadas por muçulmanos há anos. O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que faz parte da extrema direita do país, já declarou que queria aumentar o número de judeus que podem entrar no complexo.

O grupo terrorista Hamas afirmou que os palestinos devem ignorar esta decisão e viajar para a mesquita independente do controle de circulação./ com AFP

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