ENVIADO ESPECIAL A JACARTA - Além de se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deve se encontrar na Malásia, em Kuala Lumpur, com lideranças da China e do Vietnã, e pode receber também representantes do Camboja e do Timor-Leste. Esses países fizeram pedidos de reuniões bilaterais com Lula durante sua passagem pela 47ª Cúpula da ASEAN, a Associação de Nações do Sudeste Asiático. Os pedidos estão sob avaliação do Palácio do Planalto.
Outro líder que deve se encontrar com Lula é o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que também estará na Malásia. Membro do Brics, ele preside o G-20 neste ano e prepara a Cúpula de Johannesburgo, no fim de novembro, sob ataques de Trump. Ramaphosa esteve em Jacarta um dias antes de Lula.
O presidente Lula deve se reunir com Trump no fim do domingo, conforme informações de bastidores da diplomacia brasileira. Um dos horários possíveis é às 18h. Até o momento, o encontro para discutir a relação entre os presidentes e a maior crise diplomática em dois séculos entre Brasil e Estados Unidos ainda não foi oficializado, mas há interesse de ambos os lados.
As burocracias de governo dos dois países trabalham para que o encontro ocorra preferencialmente no Centro de Convenções de Kuala Lumpur (KLCC), onde será realizada a reunião de cúpula da ASEAN, a fim de facilitar deslocamentos e otimizar o tempo entre os presidentes. A prioridade é que Lula e Trump se reúnam a sós ou com poucos assessores diretos, para terem uma conversa privada dedicada a temas políticos que os opõem.

Se houver tempo, haverá uma reunião ampliada. Uma das incertezas é sobre quem acompanhará Trump em seu giro pela Ásia — um nome dado como certo é o do secretário de Estado, Marco Rubio, mas podem vir outros integrantes do primeiro escalão americano. Assim, em eventual encontro ampliado, devem ser abertos espaços para que mais assessores e ministros de Lula participem da conversa de forma correspondente.
Até o momento, a presença mais certa é a do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O horário, o local e o formato do encontro, assim como a eventual exposição à imprensa, estão sendo discutidos e seguem pendentes de confirmação oficial pelos dois governos.
A programação de Lula também previa que ele recebesse, no domingo, dia 26, em Kuala Lumpur, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. Assim como o Brasil, a Índia foi o país mais afetado pelo “tarifaço” de Trump, com uma sobretaxa de 50%.
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Modi, no entanto, cancelou sua participação presencial na ASEAN, alegando compromissos com festivais indianos de viés religioso doméstico, o Diwali. Ele disse que fará uma participação apenas virtual, o que abriu espaço na agenda do presidente Lula.
Em Nova Délhi, especula-se que haveria uma indisposição de Modi em justamente encontrar-se com Trump, que vem pressionando o país e sobretaxou exportações indianas com sanções secundárias de 25%, por causa do comércio de óleo diesel com a Rússia.
Conforme integrantes do governo, o presidente Lula deve se reunir com o primeiro-ministro da China, Li Qiang, e também com o primeiro-ministro do Vietnã, Phạm Minh Chính.
Entre os demais pedidos recebidos pela Presidência da República estão os de líderes do Camboja (o primeiro-ministro Hun Manet vai liderar a delegação) e do Timor-Leste, país com o qual o Brasil mantém laços históricos e culturais pela língua portuguesa, além de cooperação técnica nas áreas de educação e desenvolvimento em sua reconstrução.
A cúpula vai formalizar a adesão do Timor-Leste à ASEAN como 11º membro. Devem estar presentes o presidente José Ramos-Horta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão.





