Enfraquecimento do Hamas dentro de Gaza amplia fragilidade do cessar-fogo com Israel

Uma nova onda de violência no domingo mostrou o quão árduo será o caminho para um acordo mais amplo em Gaza entre o grupo terrorista Hamas e o governo do premiê israelense, Binyamin Netanyahu

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Por David M. Halbfinger (The New York Times)

Reféns da faixa de Gaza retornam a Israel e reencontram familiares

Libertação é parte do acordo de cessar-fogo entre o governo israelense e o grupo terrorista Hamas, mediado pelos Estados Unidos. Crédito: Zangauker Family Handout/IRF/AP

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Dez dias após o início do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, o sombrio reconhecimento da fragilidade da trégua e da necessidade de uma intervenção externa para garanti-la substituiu o alívio provocado pela libertação dos reféns e a volta da entrada de ajuda humanitária em Gaza em larga escala.

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Uma nova onda de violência no domingo mostrou o quão árduo será o caminho para um acordo mais amplo em Gaza entre o grupo terrorista Hamas e o governo do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, que se acusam mutuamente de violar a trégua.

Dois soldados israelenses foram mortos e outro ficou ferido quando militantes palestinos lançaram um míssil antitanque contra um veículo militar, informou o Exército israelense. O ataque ocorreu em Rafah, no sul de Gaza, no lado leste da linha de cessar-fogo, controlado por Israel, que o classificou como uma flagrante violação dos termos do acordo. Autoridades do Hamas foram rápidas em repudiar o ataque.

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Homens armados do Hamas em caminhonetes escoltam ônibus que transportam prisioneiros palestinos libertados em 13 de outubro Foto: Jehad Alshrafi/AP

Israel respondeu rapidamente, com um bombardeio punitivo contra o que descreveu como instalações do Hamas. Autoridades ligadas ao grupo disseram que 44 palestinos foram mortos em todo o território no domingo. Israel afirmou que estava cortando o fornecimento de ajuda humanitária ao território devastado por tempo indeterminado, mas depois amenizou a situação, afirmando que as entregas de ajuda seriam suspensas apenas até o fim do bombardeio. (Na tarde de segunda-feira, o fluxo de ajuda voltou ao normal, segundo agências de ajuda humanitária.)

Bezalel Smotrich, membro de extrema direita da coalizão governista de Netanyahu, exigiu a retomada imediata e sem prazo determinado da ofensiva israelense contra o Hamas. “Guerra!”, escreveu ele em uma publicação de uma palavra no X.

Mas a curta, embora intensa, resposta militar israelense e a retirada da ameaça de interromper o fluxo de ajuda para Gaza sugeriram a influência restritiva de autoridades americanas, disseram analistas.

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Afinal, tanto Jared Kushner quanto Steve Witkoff, um dos principais enviados do presidente Trump ao Oriente Médio, chegaram a Israel na segunda-feira para tentar levar adiante o plano de paz, disse uma porta-voz da Embaixada dos EUA. E Netanyahu disse que o vice-presidente J.D. Vance chegará a Israel na terça-feira para uma visita em nome do presidente Trump.

“Vance não virá para comandar conjuntamente os ataques israelenses contra o Hamas”, disse Shira Efron, analista israelense da RAND, sobre o vice-presidente.

Até mesmo os aliados de direita de Netanyahu o acusaram de ceder à pressão do governo Trump, e não pela primeira vez. “Chega de ceder”, escreveu Itamar Ben-Gvir, um ministro de extrema direita, no X.

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A violência de domingo foi a onda mais pesada de ataques israelenses contra Gaza desde que o frágil cessar-fogo foi estabelecido, mas outros ataques também romperam a calmaria

“Os israelenses estão realmente indignados com a morte de dois soldados, mas não é como se não tivesse havido mortes de civis em Gaza na semana passada”, disse Efron. “Ambos os lados têm pretextos para argumentar que o cessar-fogo foi violado. O que mantém a negociação em andamento é o poder exercido por Trump e pelos mediadores.”

A pressão não está sendo aplicada apenas ao governo israelense. Depois que o Hamas entregou os corpos de apenas quatro reféns na última segunda-feira — dos 28 que se acredita ainda estarem em Gaza — mediadores do Egito, Catar e Turquia repassaram informações de inteligência israelenses sobre o paradeiro de alguns dos outros, incitando o grupo militante a recuperar mais, segundo autoridades americanas. Até domingo, o Hamas havia entregue os restos mortais de 12 reféns dos 28 mortos no território palestino.

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À medida que o Hamas se distanciava do ataque em Rafah, a ala militar do grupo reafirmou seu “total comprometimento” em colocar o cessar-fogo em vigor, chegando a divulgar que havia perdido contato com seus combatentes em Rafah em março e que não sabia se algum deles ainda estava vivo.

Essa admissão foi um dos vários aspectos da troca de golpes de domingo que expôs a fragilidade do cessar-fogo: se o Hamas for de fato incapaz de controlar uma de suas unidades de combate, poderá não conseguir impor integralmente sua parte do cessar-fogo, tornando menos provável que Israel se retire totalmente.

O retorno de todos os reféns vivos também liberou o Exército israelense para retaliar contra o Hamas com mais força, quando e onde quiser, sem mais medo de prejudicar seus próprios cidadãos, disse Tamir Hayman, ex-chefe da inteligência militar israelense que agora lidera o Instituto de Estudos de Segurança Nacional em Tel-Aviv.

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Embora a violência no domingo parecesse ter sido uma única rodada contida, vários analistas disseram esperar que mais rodadas desse tipo se seguiriam.

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É o chefe da sucursal de Jerusalém do NYT, liderando a cobertura de Israel, Gaza e Cisjordânia. Também ocupou o cargo de 2017 a 2021. Foi editor de Política do NYT de 2021 a 2025