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França: agricultores intensificam protestos e pressionam o governo por ‘respostas rápidas’; entenda

Fazendeiros expressam descontentamento com o aumento de custos, regras ambientais europeias e outras dificuldades; mulher e filha morreram atropeladas durante protesto na terça-feira

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Por Redação

Os protestos dos agricultores na França se intensificaram nesta quarta-feira, 24, para buscar conseguir “respostas rápidas” do governo às suas exigências, um dia depois da morte de uma agricultora e de sua filha atropeladas em um bloqueio de estrada.

Os agricultores franceses protestam há dias contra o aumento dos custos da energia e com as regras ambientais europeias, e para exigir medidas que vão desde a simplificação administrativa até compensações mais rápidas em caso de catástrofes, entre outras.

Agricultores bloqueiam estrada durante protestos na França nesta quarta-feira, 24.  Foto: Jeff Pachoud/AFP

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“A determinação é total. Todos os departamentos tomarão medidas, com ações mais ou menos duradouras”, disse Arnaud Rousseau, líder do principal sindicato agrícola, FNSEA, à rádio Franceinfo.

O dirigente sindical confirmou que o objetivo é “obter respostas rápidas” do governo do presidente Emmanuel Macron e, para isso, apresentará na noite de quarta-feira uma lista com cerca de quarenta reivindicações.

Setor simbólico

Uso de pesticidas, normas ambientais europeias, preços dos combustíveis e acordos comerciais como o negociado entre a União Europeia e o Mercosul fazem parte da lista de críticas dos agricultores, que varia dependendo do sindicato. Mas todos partilham a mesma preocupação sobre o futuro de um setor simbólico da França, entre o desejo de produzir e exportar e a necessidade de reduzir o seu impacto na biodiversidade e no clima.

“O preço do combustível, todos os impostos e até mesmo em relação às gerações futuras... Eles não fazem você querer se acomodar”, disse à AFP Yoan Joannic, um agricultor de 20 anos, comovido com a morte da agricultora e sua filha.

Entre as ações dos protestantes estão o bloqueio de estradas em todo o país, o despejo de esterco em frente às prefeituras e o bloqueio de uma fábrica da Lactalis, número um mundial no setor de laticínios.

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A Lactalis “paga apenas 403 euros” por 1.000 litros de leite, enquanto seus rivais pagam 440 euros, lamentou Sylvain Délye, um criador de vacas de 50 anos do departamento de Orne (noroeste do país), onde ocorreu o bloqueio da fábrica.

Protestos são contra o aumento de custos, regras ambientais europeias e outras questões que os agricultores franceses consideram que atrapalham seu trabalho.  Foto: Guillaume Souvant/AFP

Perante a ampliação dos protestos dos agricultores, que também ameaçam bloquear a região de Paris - o coração econômico da França - o governo multiplica os contatos com os seus representantes.

O primeiro-ministro, Gabriel Attal, se reuniu com os diferentes sindicatos e, perante a Assembleia Nacional, adiantou medidas que poderiam ser implementadas rapidamente, como a melhor remuneração dos agricultores pelos gigantes da indústria agroalimentar e de distribuição.

Outros países da União Europeia registraram protestos semelhantes, como Alemanha, Polônia, Romênia e Holanda, um movimento que preocupa Bruxelas à medida que se aproximam as eleições para o Parlamento Europeu, em junho.

Durante bloqueio de estrada por agricultores na França, banner em trator diz "França, acorde, a agricultura está desaparecendo".  Foto: Jeff Pachoud/AFP

Mortes durante protesto

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Na terça-feira, 23, um veículo avançou em um bloqueio de estrada de um protesto em Pamiers, no sul de França, matando uma fazendeira de 35 anos que criava vacas e a sua filha adolescente e ferindo gravemente o seu marido. Os três ocupantes do carro foram detidos e, segundo os primeiros elementos da investigação, o incidente não foi intencional. Após a tragédia, sindicatos agrícolas pediram o levantamento do bloqueio de Pamiers.

O presidente francês, Emmanuel Macron, lamentou a tragédia na rede social X (ex-Twitter) e afirmou em outra publicação que pediu que o governo esteja plenamente mobilizado para fornecer soluções concretas para as dificuldades que os agricultores encontram. / AFP

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