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O que adolescentes querem que você saiba sobre o uso de celular? Veja dicas

Jovens podem ser mais ‘desconectados’ do que você imagina — e querem conversar sobre o assunto

Por Sharon Attia

Os adultos têm falado muito sobre os efeitos do uso do telefone e das redes sociais pelos adolescentes e sobre a melhor forma de intervir para proteger a saúde mental deles. Os psicólogos sugerem que façam pausas nas redes sociais e se perguntem enquanto navegam: “eu me sinto mal comigo mesmo ao ver isso?”. Especialistas em saúde pública recomendam o “monitoramento por adultos” e a definição de limites claros para quando e onde os adolescentes têm acesso a seus celulares.

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No entanto, raramente se pergunta aos jovens o que eles acham que pode ser construtivo ou o que já fazem para criar hábitos saudáveis. Por isso, o jornal americano The New York Times conversou com meninas de 12 a 17 anos que participaram de programas conduzidos pela Girls Leadership, uma organização sem fins lucrativos que ensina a criar confiança e a usar rede social de forma responsável.

Aqui estão alguns de seus melhores conselhos para outros adolescentes — e o que elas querem que os adultos saibam também.

Conselhos de adolescente para adolescente

Você não precisa responder imediatamente

Lembretes para fazer sua lição de casa. DMs em todos os aplicativos. Vários bate-papos em grupos que estão surgindo. Todas essas notificações podem parecer intermináveis e esmagadoras.

Niki Shiva, 17 anos, de Hayward, Califórnia, disse que configura seu telefone como “não perturbe para todos, exceto para a mãe” para diminuir sua ansiedade. Niki explicou que muitas vezes fica obcecada em saber se as pessoas responderam a ela, por isso tenta minimizar a tentação de verificar o telefone constantemente. Ela também disse que removeu o aplicativo de mensagens da tela inicial — agora ele está escondido em uma pasta na biblioteca de aplicativos — “para não ter que olhar o número de notificações”.

Deixe de seguir pessoas e páginas que fazem você se sentir mal

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Vários dos adolescentes com quem conversamos disseram que, quando possível, removem contas das redes sociais que prejudicam sua autoestima. (Os especialistas concordam que essa é uma boa prática).

“Sua atenção é poder”, disse Janine Edmunds, 14 anos, de South Jamaica, Queens. “No TikTok, você pode clicar em ‘não estou interessado’ em um vídeo. Ou bloquear pessoas de quem você não gosta. Não é uma coisa obscura, é apenas, eu não quero você no meu espaço.”

Kamryn Nutzel, 16 anos, de Nova Orleans, deixou de seguir influenciadores que ela percebeu que estavam fazendo com que ela se sentisse mal, e tenta se desligar quando começa a sentir o FOMO (Fear Of Missing Out, “medo de ficar de fora”, em tradução literal) se infiltrando — tomando um banho, fazendo uma máscara facial ou simplesmente indo para a cama mais cedo. “Se eu me vejo entrando nesse ciclo de comparação, simplesmente deixo de seguir a pessoa”, disse ela. Às vezes, ela também exclui seus aplicativos por um ou dois dias, até se sentir melhor.

Pergunte a si mesmo: para quem você está postando?

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Quatro entre cinco adolescentes nos Estados Unidos disseram que o que veem nas redes sociais faz com que se sintam mais conectados com o que está acontecendo na vida de seus amigos, de acordo com o Pew Research Center.

É assim que Ella Moyer, 17 anos, de Scottsdale, Arizona, encara o Instagram: “É uma caixa de recordações para você”, disse ela, um resumo de momentos divertidos para compartilhar com amigos e familiares, como fotos da noite do baile de formatura. “Toda vez que abro meu telefone, não vejo celebridades perfeitas”, disse ela. “Vejo apenas meus amigos.”

Largue o celular e saia de casa!

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Estudos descobriram que passar mais tempo ao ar livre, mesmo que seja apenas duas horas por semana, pode nos tornar mais saudáveis e felizes. Rosalina Pinkhasova, 14 anos, passou muito tempo neste verão na nova piscina inflável que sua família montou no quintal de sua casa em Fresh Meadows, Queens. “Às vezes, gosto de colocar alarmes para me avisar quando devo parar de usar meu celular”, disse ela.

Noor Rauf, 14 anos, de Astoria, Queens, e suas amigas instituíram a regra de “desligar o celular” quando uma delas tem algo importante para compartilhar. “Às vezes, sentamos ali e não temos vontade de conversar, então ficamos com nossos celulares”, disse ela. “Mas se realmente quisermos falar sobre algo, todos desligam seus celulares.”

Vários adolescentes disseram que, quando possível, removem contas das redes sociais que prejudicam sua autoestima  Foto: AP Photo/Claire Savage

A cama é para sonhar, não para rolar a tela

Há uma sabedoria com a qual muitos adolescentes e adultos concordam: ter um telefone em seu quarto durante a noite pode dificultar um bom sono. E quase um quarto dos adolescentes sofre de insônia. Nyla Grant, 16 anos, de Astoria, Queens, recomenda silenciar as notificações do telefone e manter o aparelho fora do alcance. Ela guarda o seu em um estojo de laptop em sua mesa. “Não é longe”, disse ela. “Mas pelo menos fora da minha cama, sabe?”

Ella, do Arizona, é obrigada a dar seu telefone aos pais à noite. No início, isso foi frustrante. “Eu sempre dizia: ‘Meu Deus, meus pais pegam meu celular. Isso é tão irritante!”, disse ela. Mas agora ela não se importa — ela usa o tempo para colocar a lição de casa em dia sem distrações e diz que isso a ajudou a administrar o tempo.

Conselhos de adolescentes para pais

Em vez de proibir os adolescentes de usar as mídias sociais, tente conversar com eles sobre o assunto

Mesmo quando seus telefones são proibidos ou determinados aplicativos estão fora dos limites, os adolescentes com quem conversamos disseram que conseguem encontrar uma maneira de contornar essas restrições.

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Eles assistem a TikToks no YouTube. Escondem seus Stories do Instagram de alguns seguidores. Enviam Snapchats dos telefones de seus amigos ou usam e-mail em vez de texto. “É como se eu tivesse os recursos para fazer isso no computador, certo?”, disse Janine, do Queens.

Em vez de simplesmente tirar seus telefones, os adolescentes recomendaram que os pais possam estabelecer limites juntos e conversar abertamente sobre a criação de hábitos seguros.

Ella sugeriu que os pais perguntassem primeiro aos filhos como eles querem interagir com a rede social: O que você quer fazer online? O que você espera ver? Ao conversar com sua mãe sobre, ela achou útil concentrar-se não apenas nos danos, mas também no bem que pode vir delas. “Publicar é uma ótima maneira de demonstrar confiança e também de capturar as lembranças que você quer guardar”, disse Ella.

Entre em contato regularmente

É um rito de passagem para os adolescentes se sentirem incompreendidos por seus pais. Mas eles ainda querem que seus pais lhes façam perguntas e os ouçam.

“Crie um ambiente aberto em que seu filho adolescente seja honesto com você, para que ele não sinta que precisa mentir”, disse Kamryn, da Louisiana, especialmente quando se trata de tópicos mais difíceis, como o que eles estão vendo ou postando nas redes sociais. “Não quero dizer que um pai deva ser um ‘amigo’, mas quando seu filho adolescente o procurar, você deve entrar no modo de amigo e ouvir.”

Observe também seu próprio uso da mídia social

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Se estiver dizendo ao seu filho adolescente para limitar o uso de redes sociais enquanto você está ocupado navegando no Facebook todas as noites, será mais difícil impor restrições. (Especialistas em saúde pública recomendam a criação de um plano de mídia familiar, uma forma de concordar com as expectativas e os limites relacionados ao tempo de tela para adultos e adolescentes da casa).

“Quando seus pais vêm e o repreendem por usar o telefone ou lhe dão regras que eles mesmos não cumprem, fica muito mais difícil segui-las”, disse Janine, do Queens. “Porque é aquilo: por que eu deveria segui-las se você não está nem tentando um pouco?”.

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