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Sam Altman, ‘pai do ChatGPT’, é reintegrado ao cargo de diretor-executivo da OpenAI

Mudança encerra um período frenético de cinco dias na empresa de inteligência artificial; conselho seria reformulado sem vários membros que se opuseram a Altman

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Por Redação
Atualização:

Sam Altman foi reintegrado no final desta terça-feira, 21, como CEO da OpenAI, revertendo com sucesso sua destituição pelo conselho da empresa na semana passada, após uma campanha realizada por seus aliados, funcionários e investidores, informou a empresa. O conselho seria reformulado sem vários membros que se opuseram a Altman.

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A empresa terá um conselho inicial composto por Bret Taylor, ex-presidente do conselho do Twitter antes de sua aquisição por Elon Musk, Larry Summers, ex-secretário do Tesouro, e Adam D’Angelo, CEO da Quora e um dos membros do conselho que votou pela destituição de Altman, disse a OpenAI em um post no X, antigo Twitter.

“Chegamos a um acordo de princípio para que Sam retorne à OpenAI como CEO com um novo conselho inicial de Bret Taylor (presidente), Larry Summers e Adam D’Angelo”, disse a OpenAI em um post no X, a plataforma anteriormente conhecida como Twitter. “Estamos colaborando para descobrir os detalhes. Muito obrigado por sua paciência durante esse período.”

Altman, o líder deposto da OpenAI, fabricante do ChatGPT, está retornando à empresa que o demitiu no final da semana passada, o mais recente de uma saga que chocou a indústria de inteligência artificial. Foto: Eric Risberg / AP

O retorno de Altman e a possível reformulação do conselho de administração foram o ápice de cinco dias frenéticos que abalaram a OpenAI, fabricante do chatbot ChatGPT e uma das empresas de inteligência artificial de maior destaque no mundo.

“Adoro a OpenAI, e tudo o que fiz nos últimos dias foi para manter essa equipe e sua missão unidas”, disse Altman em um post para a X.

A diretoria da OpenAI surpreendeu Altman na tarde de sexta-feira. Greg Brockman, presidente da empresa que a fundou com Altman e outros, pediu demissão em protesto. A expulsão deu início aos esforços de Altman, 38 anos, seus aliados no setor de tecnologia e os funcionários da OpenAI para forçar a diretoria da empresa a trazê-lo de volta. No domingo à noite, após um fim de semana de negociações, a diretoria disse que manteria sua decisão.

Brockman, que também está de volta à OpenAI, postou uma imagem com os funcionários, que foram fundamentais para o retorno dos fundadores.

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Quase todos os mais de 700 funcionários da OpenAI assinaram uma carta dizendo à diretoria que iriam embora e seguiriam Altman até a Microsoft se ele não fosse readmitido, colocando em risco o futuro da startup. Poucas horas após a demissão dos fundadores, a Microsoft, maior investidora da OpenAI, disse que Altman, Brockman e outros se juntariam à empresa para iniciar um novo laboratório de inteligência artificial avançada.

Quatro membros da diretoria - Ilya Sutskever, fundador da OpenAI; Adam D’Angelo, CEO da Quora; Helen Toner, diretora de estratégia do Centro de Segurança e Tecnologia Emergente de Georgetown; e Tasha McCauley, empreendedora e cientista da computação - decidiram inicialmente afastar Altman. Mas, à medida que a revolta dos funcionários crescia, Sutskever escreveu no X para dizer que se arrependeu: “Lamento profundamente minha participação nas ações da diretoria”. Ele também assinou a carta de apoio a Altman. Agora, todos estão fora da OpenAI.

O conselho inicial de três membros examinará e indicará um conselho formal de até nove membros. Emmett Shear, que foi nomeado CEO interino para substituir Altman inicialmente, também deixará a empresa.

Futuro

O drama em torno da saída repentina de Altman expôs a profunda divisão dentro da empresa sobre quem deve controlar seu futuro. A OpenAI começou em 2015 como um laboratório de pesquisa sem fins lucrativos, mas nos últimos anos, sob a liderança de Altman, recebeu bilhões de dólares em investimentos de empresas como a Microsoft, além de investidores de risco. Assim, a startup criou um braço comercial e começou a desenvolver produtos.

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No entanto, críticos e alguns funcionários temiam que a empresa tivesse abandonado sua missão e estivesse se comportando mais como uma grande empresa de tecnologia. Originalmente, sua intenção era oferecer uma alternativa mais transparente e democrática às grandes empresas de tecnologia.

O retorno de Altman será recebido com alívio por investidores, clientes e funcionários que temiam que o imbróglio da diretoria pudesse levar à implosão da empresa. Se isso tivesse acontecido, teria deixado um vácuo no centro do setor de IA, abrindo a janela para concorrentes, como o Google e a startup Anthropic, ganharem impulso.

A Microsoft, que é a maior investidora da OpenAI e usa sua tecnologia em seus próprios produtos de IA, também se beneficiará com a estabilização da situação

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“Estamos animados com as mudanças na diretoria da OpenAI. Acreditamos que esse é o primeiro passo essencial em um caminho para uma governança mais estável, bem informada e eficaz”, disse Nadella em uma declaração no X. “Estamos ansiosos para desenvolver nossa forte parceria e fornecer o valor dessa próxima geração de IA para nossos clientes e parceiros.”

Quem é Sam Altman

A trajetória de ascensão, queda e ascensão novamente de Altman, 38, reflete a velocidade do campo da inteligência artificial em 2023. O executivo foi responsável por colocar o ChatGPT no mundo, em novembro de 2022. Desde então, tornou-se um dos nomes mais importantes da tecnologia em 2023 - sua queda ocorre perto de completar um ano do lançamento do chatbot inteligente.

A surpresa pela queda de Altman ocorre também porque, há apenas 10 dias, ele liderou e apresentou o principal evento da OpenAI no ano, no qual revelou novas capacidades para o ChatGPT, como o recurso de criar chatbots personalizados. Neste ano, ele esteve no Brasil e falou ao Estadão que muitos empregos vão desaparecer por causa da IA.

Antes de assumir o comando da OpenAI, o executivo tem passagem pela aceleradora de startups Y Combinator, responsável por impulsionar centenas de projetos nos últimos anos, incluindo AirbnbReddit e Stripe.

Graças à passagem pelo mundo das startups, é atribuído à Altman a guinada comercial da OpenAI. Em 2019, ele expressou a necessidade de dinheiro para a revista Wired. “A quantidade de dinheiro que precisamos para ter sucesso em nossa missão é muito mais gigante do que eu pensava”, disse.

No mesmo ano, a OpenAI criou um braço for profit (ou seja, que visa ao lucro) e nomeou Altman, na época com 34 anos, como CEO. Na sequência, a OpenAI fechou um primeiro investimento com a Microsoft - publicamente, falava-se em US$ 1 bilhão, mas a Fortune afirma que foram US$ 3 bilhões. No começo deste ano, após o sucesso do ChatGPT, as partes acertaram um acordo ainda maior: outros US$ 10 bilhões.

Na guinada comercial, criou-se também uma estrutura complexa, na qual todos os lucros são direcionados aos investidores até que o valor inicial - e posteriormente o pagamento do investimento - sejam quitados. A Microsoft tem direito a US$ 92 bilhões, enquanto os outros têm direito a US$ 150 bilhões.

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Em 2021, a OpenAI recebeu investimentos de alguns dos gigantes do capital de risco focados em tecnologia: Tiger GlobalSequoia Capital e Andreessen Horowitz.

Obsessão por máquinas conscientes

O ChatGPT não era a única obsessão de Altman. Nos últimos meses, o executivo afirmava que a OpenAI busca criar a inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês) — capaz de realizar tarefas humanas, com superinteligência de máquina, o que gerou debates sobre a capacidade de máquinas exterminarem a Humanidade.

Em 2016, ele disse à revista New Yorker que tinha dois medos: pandemias causadas por vírus sintetizados em laboratórios e ataques por IA que resultassem em catástrofe nuclear. “Tento não pensar muito a respeito, mas tenho armas, ouro, iodeto de potássio, antibióticos, baterias, máscaras de gás da Força de Defesa Israelense e um grande pedaço de terra para onde posso fugir”, disse ele à reportagem.

As falas fortes, com certo apelo para o mundo da ficção, movimentaram especialistas, reguladores e autoridades em todo mundo ao longo do ano. Ele também pediu regulação do setor em diversos países pelo mundo, mas, nas discussões, ele tentava não reprimir o desenvolvimento da tecnologia por sua companhia. Por outro lado, ele sugeriu ao governo Biden que novos entrantes nesse mercado deveriam buscar licenças de operação, o que foi rejeitado na ordem executiva emitida pelo presidente americano em 30 de outubro./ COM INFORMAÇÕES DE THE NEW YORK TIMES E WASHINGTON POST

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