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Vítima da Atlas Quantum diz que integrantes da empresa doaram R$ 600 mil a Bolsonaro

Ex-investidor da companhia que prometia lucros com criptomoedas afirmou que políticos foram beneficiados com doações para campanhas eleitorais em 2018 e 2019

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Por Gabriel de Sousa
Atualização:

BRASÍLIA – O ex-investidor da Atlas Quantum Mateus Muller afirmou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Pirâmides Financeiras que integrantes da empresa de criptomoedas doaram R$ 600 mil para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Criador de um grupo de vítimas que buscam contornar prejuízos de um suposto golpe financeiro dado pela companhia, ele afirmou que os repasses a Bolsonaro e outros políticos teriam ocorrido entre os anos de 2018 e 2019. A Altas Quantum é investigada como pirâmide financeira.

Mateus Muller, ex-investidor da Atlas Quantum, acusa a empresa de ter doado R$ 600 mil para Jair Bolsonaro Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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“O que me chamou a atenção foi a doação de R$ 600 mil para Jair Messias Bolsonaro através de advogados e pessoas ligadas à diretoria da Atlas Quantum. Sugiro a essa Casa que convoque Caroline de Almeida Costa, que confirmou essa informação. Ela era diretora financeira da Atlas. (...) Os envolvidos no golpe da Atlas Quantum fizeram doações milionárias para campanhas eleitorais, incluindo para campanhas de eleições presidenciais”, disse Muller nesta terça-feira, 12. A mulher citada pelo ex-investidor é ex-diretora financeira da empresa.

No depoimento à CPI, Muller fez outras acusações sobre a ligação da empresa de criptomoedas com políticos. Segundo ele, o ex-deputado, cotado para concorrer à Prefeitura de São Paulo no ano que vem, Vinícius Poit (Novo-SP) e o ex-deputado estadual pelo Rio Grande do Sul Fábio Ostermann (Novo) também teriam recebido doações por parte da Quantum.

O depoente foi questionado pelos parlamentares sobre a existência de provas das doações, que não foram apresentadas por Mateus. Ele prometeu que, em breve, vai apresentar documentos comprobatórios para os parlamentares. “Você está na condição de vítima, mas isso não te exime de dizer a verdade”, disse o presidente da CPI, Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ).

Ao Estadão, o gabinete de Ribeiro disse que aguarda a chegada dos documentos para que as denúncias feitas por Muller constem no relatório final da CPI.

A assessoria do ex-presidente Bolsonaro afirmou ao Estadão que desconhece a doação de R$ 600 mil citada pelo depoente na CPI. Já o ex-deputado Vinicius Poit disse que as afirmações de Muller “não são verdadeiras e não tem fundamento algum”.

“Primeiro, porque não é permitido doação de pessoas jurídicas em campanhas eleitorais. Segundo, porque as informações quanto às doações recebidas em todas as minhas campanhas eleitorais são públicas, estando registradas no site da Justiça Eleitoral. Pode-se, a partir da plataforma DivulgaCand, atestar que o alegado não ocorreu”, disse o ex-parlamentar do Novo.

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A equipe de Fabio Ostermann não foi localizada.

Prejuízo causado pela empresa pode ser de até R$ 7 bilhões

Criada em 2018 por Rodrigo Marques dos Santos e Fabrício Spiazzi Sanfelice Cutis, que também devem prestar depoimento ao colegiado, a Atlas Quantum buscava conquistar clientes através de um suposto robô de arbitragem chamado “Quantum”. A tecnologia teria a capacidade de fazer a compra e a venda automática de bitcoins, com promessas de lucros aos consumidores.

Em 2019, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) começou a investigar a empresa, que começou a deixar de pagar os seus clientes. A estimativa é de que a Atlas tenha causado um prejuízo estimado entre R$ 5 bilhões e R$ 7 bilhões a mais de 200 mil pessoas.

Os responsáveis pela empresa citados na reportagem não foram localizados pelo Estadão.

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