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Partido expulsa advogado de bolsonarista que confundiu ‘O Príncipe’ com ‘O Pequeno Príncipe’

Solidariedade afirma que Hery Waldir Kattwinkel desrespeitou o Supremo Tribunal Federal e ‘ultrapassou os limites da lei’ ao atacar ministros

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Foto do author Rayssa Motta
Foto do author Natália Santos
Por Rayssa Motta e Natália Santos
Atualização:
Advogado de réu condenado pelos atos de 8 de janeiro confundiu livro de teoria política com obra infantil. Foto: Reprodução/TVJustiça

O Solidariedade decidiu expulsar o advogado Hery Waldir Kattwinkel, que era filiado ao partido, após os ataques do criminalista aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Em nota, o Solidariedade informou que o advogado usou ‘falas ofensivas e desrespeitosas’ ao STF e ‘ultrapassou os limites da lei’.

“A direção municipal do Solidariedade em Votuporanga-SP, não compactua com a postura do profissional em atacar a Suprema Corte, ainda que no exercício de sua prerrogativa de defensor constituído, motivo pelo qual comunicamos a expulsão do membro e filiado ao partido”, diz o texto.

A decisão foi tomada em conjunto pelo diretório municipal do Solidariedade em Votuporanga, no interior de São Paulo, pelo presidente estadual do partido, Alexandre Pereira, e por Paulinho da Força, vice-presidente nacional. A sigla estuda entrar com uma representação contra o advogado na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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Kattwinkel defende Thiago de Assis Mattar, um dos bolsonaristas condenados nesta quinta-feira,14, por participação nos atos golpistas do dia 8 de janeiro. Ele teve a oportunidade de falar por cerca de uma hora na tribuna do STF e usou o tempo para antagonizar com os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Em sua manifestação, Kattwinkel fez referência a uma declaração falsa atribuída a Barroso, que já foi desmentida pelo ministro, de que ‘eleição não se ganha, se toma’. “Ato antidemocrático é quando um ministro da Suprema Corte fala que eleição não se ganha, eleição se toma. Isso é preocupante. Isso nos causa medo, insegurança, calafrios”, disse.

O criminalista também acusou Moraes de parcialidade ao julgar bolsonaristas: “É um misto de raiva com rancor, com pitadas de ódio.”

O advogado ainda virou meme nas redes sociais ao confundir o livro de teoria política ‘O Príncipe’, de Nicolau Maquiavel, com a obra infantil ‘O Pequeno Príncipe’, de Antoine de Saint-Exupéry. O ministro Alexandre de Moraes chegou a ironizar a confusão: “São obras que não têm absolutamente nada a ver. Mas, obviamente, quem não leu nenhuma nem outra, vai no Google e às vezes dá algum problema.”

Moraes também chamou Kattwinkel de ‘patético e medíocre’ e afirmou que talvez o objetivo do advogado fosse sair vereador em 2024: “Preparou um discursinho para postar em redes sociais.” O criminalista já ocupou uma cadeira na Câmara Municipal de Votuporanga na legislatura de 2017 a 2020.

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Quem é Thiago de Assis Mattar, defendido por Hery Waldir Kattwinkel?

Morador de São José do Rio Preto, em São Paulo, Mattar foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por destruir objetos artísticos e de valor no Palácio do Planalto. Nesta quinta, foi condenado a uma pena de 14 anos de prisão pelos crimes de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado pela violência e grave ameaça.

COM A PALAVRA, HERY KATTWINKER

“Recebo com tranquilidade e respeito a decisão do partido. Até mesmo porque estando lá pude observar que as diretrizes que o partido defende não são as mesmas que eu defendo. De toda forma, eu sou grato pelo período que estive no partido.

Contudo, esta decisão colabora com minha argumentação de que os julgamentos dos manifestantes do 8 de janeiro são mais políticos que jurídicos.

Sou, veementemente, contra atos de vandalismos, não concordo com atitudes de bandalheiros, todavia há que se individualizar as condutas e separar o joio do trigo. Tese defendida a todo momento.

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O próprio ministro Nunes Marques reconheceu em seu depoimento que havia diversos grupos no local, e que não há indícios de que meu cliente estava envolvido em atos agressivos, foi monitorado por câmeras de segurança durante toda sua estadia no Planalto (conforme laudo do processo) e não encostou em qualquer objeto, ou depredou o patrimônio público.

Discordo com todo respeito da fundamentação quanto a minha saída, quem ver por completo minha sustentação oral eu tive uma postura de respeito perante o STF, porém combativa frente as ilegalidades que percebi durante todo processo e não poderia em defesa do meu cliente me acovardar em sua defesa.

Tenho respeito pela corte e seus membros, quanto pelo judiciário brasileiro!

E além disso, eu estava lá como advogado, defendendo os direitos do meu cliente, e a verdade é que toda essa situação transcende a uma questão apenas penal, afinal é uma vida, é uma família, são filhos achando que o pai morreu após a ausência de mais de 8 meses, e tendo isso como princípio, foi o que eu defendi.

A família do Thiago confia no meu trabalho, e nisso está meu foco, entregar o melhor aos meus clientes.

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Por fim o fato de errar o nome do livro que tanto atacam, é uma questão tranquila é natural pra qualquer pessoa, uma vez que sei do potencial jurídico de nosso escritório e se trata de um erro meramente formal frente ao calor do momento, corrigido logo em seguida! O que nos causa profunda tristeza é quando uma frase errada - e ou - uma citação errada e prontamente corrigida tem mais destaque do que frente a inúmeras violações de garantias constitucionais de um cidadão brasileiro.

Por fim quero dizer que a profissão de advogado exige coragem e determinação.

Esta decisão nos mostra que ter posição traz consequências positivas e negativas que um homem precisa estar preparado, afinal nunca sabemos quem será o próximo acusado, e um dia pode ser você que precisa de alguém lutando por seus direitos!”

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