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Coluna do Estadão

| Por Roseann Kennedy

Roseann Kennedy traz os bastidores da política e da economia, com Eduardo Gayer e Augusto Tenório

Caso Pochmann já são águas passadas no MDB e Tebet tem respaldo para ficar no governo

Partido rejeita polemizar sobre uma indicação pessoal de Lula e vê eventuais problemas no IBGE na conta de Haddad

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Por Roseann Kennedy e Eduardo Gayer
Atualização:

O MDB da ministra do Planejamento, Simone Tebet, não vai polemizar sobre o episódio do anúncio do economista Marcio Pochmann para a presidência do IBGE e prefere tratar o tema como águas passadas. A decisão é pragmática. O partido ocupa outras duas Pastas estratégicas no governo Lula (Cidades e Transportes) e sabe que não haveria nenhuma vantagem para Tebet deixar a atual gestão agora - ela não tem cargo eletivo e a política de seu Estado, Mato Grosso do Sul, hoje tem domínio bolsonarista.

A legenda deixa claro que respalda a decisão da ministra de ficar no cargo e também a forma como reagiu. Apesar de ter sido atropelada com o anúncio, que até dentro do governo Lula foi considerado ‘atabalhoado’, Tebet disse que terá o prazer de empossar Pochmann no cargo.

Simone Tebet (ministra do Planejamento)  Foto: EFE/ Sebastiao Moreira

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O MDB não teme que os posicionamentos econômicos de Pochmann causem futuros constrangimentos à ministra. Afinal, não foi ela quem o escolheu. A sigla também considera que as teses do economista ficarão apenas na retórica, pois o IBGE é órgão técnico e não estaria vulnerável a interferências.

“Se houver algum problema no discurso vai respingar no governo Lula ou vai sobrar para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, administrar”, diz uma fonte emedebista. O viés heterodoxo do futuro presidente do IBGE aponta para aumento de gastos públicos e vão na contramão do trabalho que Haddad tem feito.

Tebet é estrela no MDB e incomoda parte do PT

“Simone é a estrela do MDB”, diz uma fonte da legenda. Esse entendimento é crescente na cúpula que aposta no desempenho de Simone, nos próximos anos do governo Lula, para eventualmente ela ser até uma candidata a vice na chapa presidencial, embora não falem disso publicamente.

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Quando chegou ao governo Lula, tinha interesse em ocupar uma pasta na área social. Terminou sendo posta num ministério mais burocrático, sem muita visibilidade. Seria uma forma, justamente, de evitar que ela ‘brilhasse’ demais.

No entanto, nos últimos meses, uma ala do PT se incomodou com o desempenho da ministra. Ao participar de reuniões do PPA participativo, em viagens a várias cidades, Tebet ganhou apoio popular e foi reconhecida País afora. “Ela recebeu aplausos em todos os locais numa relação direta à sua desenvoltura, não era necessariamente por ser do governo”, diz um petista da ala mais à esquerda.

Emedebistas sabem que Tebet, portanto, está causando uma ‘ciumeira’ interna no governo. Porque, além disso, seu entrosamento com o ministro Fernando Haddad foi rápido e teve impacto positivo para a economia e avanço da pauta governista. E a dobradinha - Fernando Haddad e Simone Tebet - para 2026 é algo que faz brilhar os olhos de integrantes da cúpula do MDB.

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