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Eduardo Paes e Alexandre Ramagem reforçam disputa Lula versus Bolsonaro em eleição no Rio

Desde o início do ano, deputado fez apenas 10% das postagens no X sobre temas voltados ao Rio de Janeiro; foco é no apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Atual prefeito se associa a anúncios de investimentos federais na cidade

Foto do author Rayanderson Guerra
Por Rayanderson Guerra

RIO – A disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro neste ano vai ser marcada pela nacionalização do debate eleitoral. De um lado, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e pré-candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), busca se desvencilhar da imagem de investigado no esquema de espionagem ilegal apontado pela Polícia Federal (PF) e aposta no eleitorado bolsonarista. Do outro, o atual prefeito Eduardo Paes (PSD) fortalece a aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao se associar ao petista em anúncios de investimentos federais na cidade e em inaugurações de obras.

Em mais um movimento para se colar ao presidente, Paes encontrará o petista nesta sexta-feira, 23, na inauguração do Terminal Intermodal Gentileza, na região portuária do Rio. Será o retorno de Lula às obras do BRT carioca – sistema de transporte rápido por ônibus – após 12 anos desde a implantação do primeiro corredor em 2012.

O presidente Lula em ônibus do BRT acompanhado do prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes, e do governador do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Castro, em Campo Grande, em 2023 Foto: PEDRO KIRILOS

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Doze anos depois, o canteiro de obras do BRT servirá mais uma vez para que Lula demonstre apoio ao prefeito carioca às vésperas de um processo eleitoral. Na inauguração do primeiro corredor de transporte rápido, em 2012, Lula afirmou, ao lado de Paes e do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), que “vale a pena pedir votos para Eduardo Paes” e se comprometeu a ajudá-lo nas eleições municipais daquele ano – Paes disputou a primeira reeleição e venceu.

“Confesso a vocês que, por não conhecer (o prefeito Eduardo Paes), eu tinha dúvidas. Mas fui convencido de que eu deveria apostar na figura. Hoje, eu posso dizer para vocês que valeu a pena pedir votos para Eduardo Paes e posso dizer que eu farei isto agora em 2012, só que com muito mais convicção”, disse Lula à época.

A definição sobre o companheiro de chapa do prefeito para a disputa à reeleição deverá passar, assim como em 2012, por Lula e Paes. Na época, Adilson Pires (PT), vereador com seis mandatos consecutivos, foi escolhido pelo presidente para representar o Partido dos Trabalhadores na aliança carioca.

O prefeito Eduardo Paes (PSD) ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da primeira-dama Janja e da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, no lançamento da pedra fundamental do campus do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), no Complexo do Alemão Foto: Pedro Kirilos/Estadão

Para pavimentar seu caminho rumo à reeleição, quando deverá enfrentar um candidato da direita bolsonarista, Paes aposta, desde a campanha presidencial de 2022, no apoio do presidente. A relação de Paes com Lula voltou a se fortalecer no último pleito federal. O prefeito embarcou na campanha petista e intensificou as críticas a Bolsonaro, que tentava a reeleição pelo PL.

O próprio presidente já deu indícios de que os candidatos apoiados pelo PT devem investir na polarização com os nomes do bolsonaristas para vencerem as disputas nas principais capitais do País neste ano.

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“Eu acho que a polarização sempre vai existir. Eu acho bom que tenha polarização. Nós somos uma sociedade viva. Essa polarização deve acontecer nas capitais, entre quem é o candidato bolsonarista e quem não é o candidato bolsonarista. Em São Paulo, será muito visível isso”, afirmou Lula em entrevista à CBN Recife no fim de janeiro deste ano.

Nas redes, Ramagem foca em temas nacionais

O adversário de Paes mais bem colocado em pesquisas internas do PL e do PT é o deputado Alexandre Ramagem. Alvo de operação da PF que apura um esquema ilegal de espionagem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem emula o comportamento do ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais: ataca o PT e o presidente Lula, divulga feitos da gestão bolsonarista e compartilha conteúdo de teor ideológico, sem foco nos problemas que afetam o eleitorado municipal.

Jair Bolsonaro e ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem Foto: Marcos Correa/PR

Das 66 postagens que fez no X (antigo Twitter) desde o início deste ano, Ramagem falou sobre a disputa municipal no Rio e assuntos que afetam diretamente a capital fluminense em apenas sete publicações (10%). Em quatro, Ramagem trata sobre a crise de segurança pública no Estado – tema da alçada do governo estadual.

“Não precisa ser pré-candidato à prefeitura de outro lugar para poder opinar sobre assunto pertinente a essência de qualquer pessoa revelando assim o verdadeiro caráter do quem pleiteia um cargo público. Responder questionamentos sobre posicionamentos humanitários revelam quem verdadeiramente são as pessoas”, afirmou Ramagem em uma das postagens mais recentes sobre a crise envolvendo a declaração do presidente Lula sobre os ataques israelenses à Faixa de Gaza.

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Na maioria das postagens, Ramagem trata, entre outras coisas, da declaração do presidente Lula sobre Israel, a fuga do presídio de segurança máxima em Mossoró, a Lei Rouanet, além de fazer críticas à imprensa e reproduzir conteúdo feito pelo ex-presidente Bolsonaro e por seus aliados.

Na postagem mais recente, o deputado trata de assuntos nacionais ao fazer uma relação com o processo eleitoral no Rio neste ano.

“Combatendo as drogas, a corrupção e a impunidade, estaremos no melhor caminho para mudar de vez o nosso País. No Rio de Janeiro, vamos seguir lutando por nossa liberdade e pela segurança da nossa família, sempre defendendo nossa Pátria e nossos valores cristãos”, diz na publicação mais recente, desta quinta-feira, 22.

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Desde que dois dos principais nomes do campo conservador no Rio de Janeiro foram alvos de investigações, a disputa pelo voto de direita na capital fluminense para as eleições municipais de 2024 e as discussões partidárias sobre o melhor nome para o pleito se intensificaram. Personagens até então escanteados ou com pouca expressão ganharam espaço e buscam se viabilizar como opções no pleito em que Paes tentará a reeleição.

Sem um plano B para a disputa à prefeitura, o PL aguarda os desdobramentos da operação contra Ramagem para avaliar os impactos na corrida eleitoral municipal na capital fluminense. A operação representa um novo desgaste para a pré-candidatura de Ramagem.