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Janja diz que baixa presença feminina na política é algo ‘vergonhoso’ e promete viajar em campanha

Em plenária de mulheres do PT, primeira-dama afirma que trabalhará para fortalecer candidaturas femininas: ‘Podem contar comigo’.’

Foto do author Vera Rosa
Por Vera Rosa
Atualização:

BRASÍLIA – O PT vai contar, nos próximos meses, com a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, nas campanhas municipais de mulheres. Ao participar na noite desta terça-feira, 19, da Plenária Nacional das Mulheres do PT, Janja disse que começará a viajar em breve pelo País.

“Podem contar comigo na campanha deste ano”, afirmou a primeira-dama. “Vamos fortalecer a candidatura das mulheres por uma sociedade mais justa e igualitária. Precisamos fomentar candidaturas femininas para que elas não desistam da política.”

A primeira-dama Janja participará do lançamento de candidatas do PT às prefeituras, como Maria do Rosário, em Porto Alegre. Foto: Wilton Junior/Estadão Foto: Wilton Junior/Estadão

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A primeira-dama participará, por exemplo, do lançamento das deputadas petistas Maria do Rosário à Prefeitura de Porto Alegre e de Camila Jara em Campo Grande. Ela também fará roteiros com Marta Suplicy, que retornou às fileiras petistas para ser candidata a vice na chapa de Guilherme Boulos (PSOL). O deputado concorre à Prefeitura de São Paulo com o apoio do PT.

A entrada de Janja na pré-campanha ocorre num momento em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, também promete viajar pelo País. Cotada para disputar o Senado em 2026, Michelle tem defendido Bolsonaro no palanque e reforçado a polarização com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro é alvo de investigações sobre uma tentativa de golpe de Estado no País.

Na plenária desta terça-feira, Janja contou para as pré-candidatas petistas sua recente viagem a Nova York para participar da Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres (CSW, na sigla em inglês). Estava acompanhada da ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, que liderou a delegação brasileira, mas sem o presidente Lula.

“Às vezes é até vergonhoso a gente falar da participação das mulheres nos Parlamentos brasileiros. É muito pouco. A gente ainda tem muito a caminhar”, disse ela, ao observar que a representação feminina nas Câmaras Municipais não passa de 16%, quando países como Angola têm mais mulheres do que homens nos espaços de poder.

Demissões de mulheres atenderam a exigências do Centrão

No primeiro ano de governo, Lula demitiu as ministras Ana Moser (Esporte) e Daniela Carneiro (Turismo), além da presidente da Caixa, Rita Serrano. Em todos os casos, atendeu a exigências do Centrão. Atualmente, a equipe de Lula tem 38 ministérios e apenas 9 mulheres.

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Janja admitiu que esse número “não é o ideal”, mas ressalvou que o governo tem um corpo técnico de mulheres muito competentes no segundo escalão. Para a socióloga, a presença do Brasil na CSW foi muito importante. “A gente mudou um pouco o rumo da prosa da agenda internacional das mulheres”, resumiu ela.

Durante sua estadia em Nova York, a primeira-dama distribuiu a todas as delegações um kit feito por ela mesma com canetas que continham a logomarca do G20, neste ano presidido pelo Brasil, e um livro com a agenda do governo para as mulheres a partir do Plano Plurianual 2024-2027.

Com um gabinete a poucos metros do de Lula, Janja tem muita influência no governo e diz que quer ressignificar o papel de primeira-dama. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Com muita influência no governo e um gabinete a poucos passos do de Lula, no terceiro andar do Palácio do Planalto, Janja sempre diz que quer ressignificar o papel da primeira-dama, antes voltado apenas a ações sociais. Hoje, ela recebe críticas por cobrar até mesmo a ampliação de recursos orçamentários para diversas bandeiras do governo, como a defesa da causa animal.

Pouco antes de acompanhar Lula na cerimônia de homenagem às vencedoras do Prêmio Mulheres das Águas, nesta terça-feira, Janja falou por dez minutos na plenária do PT. Estava no Palácio da Alvorada e compareceu de forma virtual, prometendo se empenhar para melhorar a representação feminina tanto no Congresso quanto no governo.

“Estamos dispostas a conversar com quem tiver de conversar para talvez, em 2026, a gente ter nova legislação eleitoral que permita paridade nas cadeiras do Congresso”, argumentou. Ela observou, ainda, que praticamente nenhum país trabalha mais com a política de cotas no Legislativo.

Atualmente, a lei obriga os partidos a apresentar um porcentual mínimo de 30% de mulheres nas chapas que concorrem a vagas de vereador ou deputado. Dirigentes de todas as legendas dizem, porém, que têm dificuldade em preencher o número de cadeiras destinado à representação feminina.

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